Palácio sede da ONU na Europa terá maior reforma de sua história
Grandioso, mas ameaçado pelos anos, o Palácio das Nações, sede europeia da ONU em Genebra, será submetido à maior reforma de sua história, destinada a rejuvenescer este prédio histórico e um dos maiores centros mundiais de conferências. A deterioração do palácio, construído em 1929 e onde foi instalado, em 1936, o secretariado da Sociedade das Nações e depois, em 1946, o escritório das Nações Unidas em Genebra (ONUG), chegou a um "estágio crítico", segundo as Nações Unidas.
"Partes mal conservadas do Palácio apresentam um risco crescente para a segurança e a saúde dos delegados da ONU e dos funcionários", assim como para "os representantes da sociedade civil e das mais de 100 mil pessoas que o visitam anualmente", disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon. Localizado num relicário de verdor, com vista para o Lago Leman e os cumes nevados do Mont-Blanc, o Palácio das Nações com sua silhueta neoclássica abriga tesouros, em torno de seus corredores de mármore: madeiras preciosas, tapeçarias suntuosas, móveis e lustres Art Déco.
A sala dos passos perdidos, imortalizada pelo escritor Albert Cohen - ele mesmo funcionário internacional em Genebra, nos anos 30 - no livro "Belle du Seigneur" nada perdeu do lustre de antigamente. Mas, apesar da decoração grandiosa das 34 salas de conferências, 2,8 mil escritórios que possuem cerca de 4 mil funcionários, falta funcionalidade ao prédio. Uma grande parte de sua estrutura e da infraestrutura técnica, além do contorno externo, entre eles as janelas, remonta aos anos 30.
Infiltrações de água
Tubulações entupidas e enferrujadas, goteiras, falta de isolamento térmico, aparelhos obsoletos nas salas de conferências: um relatório técnico encomendado pela ONU dá um sinal de alarme. Uma verba destinada à restauração, no valor de US$ 618 milhões, foi aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em dezembro passado. As obras terão uma fase de planejamento até 2014, começando em 2015, devendo durar oito anos.
"O grande desafio do projeto é conservar esta herança, manter o patrimônio e integrar, ao mesmo tempo, as novas tecnologias", revela Francesco Savarese, chefe da seção de construções e de serviços técnicos da ONU. A restauração do palácio não pode tardar, disse ele à AFP, "senão a renovação vai se tornar impossível, porque o custo das obras a serem realizadas pode se tornar proibitivo"; assim, "será mais barato construir uma nova sede", talvez em outro local.
Para afastar este cenário alarmante, a Confederação Helvética decidiu ajudar financeiramente. A Suíça prometeu repassar 50 milhões de francos suíços (41,5 milhões de euros) para substituir as 1.700 janelas do palácio por estruturas com envidraçamento duplo para economizar energia.
"Fizemos simulações informatizadas e calculamos que 40% da energia empregada para a calefação do prédio é dissipada pelas janelas, 10% a 20% escapam pela própria fachada e 20% a 30% pelo telhado" precisa Francesco Savarese. Para ele, o escalonamento das obras em oito anos é o melhor compromisso e a solução menos cara, porque permite manter a realização de conferências, apesar dos trabalhos de reforma.
As conferências são uma função "vital da ONU" em Genebra, que organiza pelo menos 9 mil reuniões por ano. O Plano de renovação é "essencial para permitir ao Palácio das Nações e à sede das Nações Unidas em Genebra continuar a servir à diplomacia internacional na Europa" informa a ONU.