Agência dos EUA enfraquece regra que limita mercúrio nocivo e toxinas atmosféricas provenientes de usinas a carvão
O governo Trump anunciou nesta sexta-feira que irá reverter as regulamentações sobre ar limpo que limitam o mercúrio e as toxinas perigosas das usinas de energia, afirmando que isso aumentará a energia de base, enquanto grupos de saúde pública alertam que isso prejudicará os mais vulneráveis dos Estados Unidos.
A Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos EUA afirmou que a flexibilização dos padrões de poluição aliviaria os custos para as concessionárias que operam usinas de carvão mais antigas, em um momento em que a demanda por energia está aumentando em meio à expansão dos centros de dados usados para inteligência artificial.
Grupos ambientalistas afirmaram que o enfraquecimento dos padrões para o mercúrio, uma neurotoxina que pode prejudicar o desenvolvimento cerebral dos bebês, e outros tóxicos atmosféricos levará a custos mais elevados relacionados à saúde.
SUPREMA CORTE REJEITOU CONTESTAÇÃO ÀS REGULAMENTAÇÕES
A Norma sobre Mercúrio e Substâncias Tóxicas no Ar (MATS, na sigla em inglês) da era Biden de 2024, que atualizou as normas estabelecidas em 2012 durante o governo do presidente Barack Obama, continuava em vigor depois que a Suprema Corte rejeitou uma contestação de um grupo de Estados, em sua maioria republicanos, e de grupos industriais que pediam a suspensão das regulamentações.
Essas regras teriam reduzido a poluição permitida por mercúrio das usinas de carvão em 70%, as emissões de níquel, arsênico, chumbo e outros metais tóxicos em dois terços e resultado em uma economia de US$420 milhões em custos de saúde até 2037, de acordo com o Fundo de Defesa Ambiental.
A EPA afirmou que a regra MATS de 2012 oferece "uma ampla margem de segurança para proteger a saúde pública" e que as adições de 2024 acarretam mais custos do que benefícios.
Na decisão final publicada nesta sexta-feira, a EPA afirmou que o retorno aos padrões de 2012 resultaria em uma economia de custos entre US$69 milhões e US$78 milhões por ano no período de 2028 a 2037.
Grupos ambientais e de saúde rebateram que os custos para a saúde pública decorrentes do retorno ao padrão menos rigoroso superam qualquer economia de custos.
"As atualizações aprovadas em 2024 iriam... gerar US$300 milhões em benefícios adicionais para a saúde", disse Harold Wimmer, presidente da American Lung Association. "Elas protegeram mulheres grávidas, bebês e crianças da exposição prejudicial e salvaram milhares de vidas a cada ano."