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Os refugiados judeus que EUA e Cuba rejeitaram em 1939

15 mai 2017
15h19
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Gerald Granston tinha apenas seis anos quando fugiu da Alemanha nazista a bordo do navio S.S. St Louis, em 1939, junto com mais de 900 passageiros, em sua maioria judeus alemães e do Leste Europeu.

O destino dele e de seu pai era Cuba, um dos poucos países que, segundo Granston, aceitavam os judeus na época, ainda que mediante pagamento.

"Cuba era um meio para chegarmos aos Estados Unidos", conta Granston, hoje com 81 anos.

Mas a jornada não saiu conforme o planejado.

"Quando chegamos a Havana, a imigração subiu ao navio. Eles foram muito educados e gentis. Mas aprendi minha primeira e única palavra em espanhol: 'mañana' ("amanhã"). Tudo era amanhã", diz.

Nos sete dias seguintes, o capitão do navio tentou persuadir as autoridades cubanas a autorizar a entrada dos passageiros, em vão.

Depois disso, "o capitão navegou para cima e para baixo da costa da Flórida, praticamente certo de que atracaríamos (nos EUA)", acrescenta Granston.

No entanto, segundo Granston, o então presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, estava concorrendo à reeleição e não queria dar munição aos críticos ao aceitar uma nova leva de judeus.

"Para evitar que seus inimigos políticos o criticassem, Roosevelt decidiu proibir nossa entrada e nos deixou à própria sorte", relembra.

A alternativa para o S.S. St Louis seria regressar à Europa.

Teríamos de voltar a uma Alemanha onde não havia nenhuma esperança para os judeus. Meu pai não era de esconder seus sentimentos muito facilmente e, mais de uma vez, chorou."

Havia quatro países que possivelmente poderiam receber os mais de 900 passageiros: Holanda, Bélgica, França e Reino Unido.

Mas as pessoas que foram a Holanda, Bélgica e França - cerca de 250 - acabaram mortas pelos nazistas.

Granston conta que, na viagem de volta à Europa, via pessoas chorando compulsivamente. Um dos passageiros, segundo ele, cortou os pulsos e se jogou do navio por puro desespero.

"Se fechar meus olhos, ainda posso ouvir seus gritos e ver o sangue", diz.

"Por sorte", conta Granston, ele e seu pai foram parar no Reino Unido. "Se não tivéssemos vindo para cá, não estaria aqui agora", conclui.

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