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Tropas de Assad e rebeldes lutam para ficar com a maior parte da Síria

30 jul 2013
15h13
atualizado às 15h31

O regime de Bashar al Assad está tomando Homs das mãos dos insurgentes, depois de os rebeldes terem avançado no norte e no sul da Síria, em uma nova demonstração, na opinião de analistas, de que nenhum dos lados conseguirá se impor e de que a guerra civil levará a uma inevitável divisão do país.

"O regime, que consolidou sua vitória em Homs, controla toda a região que vai de Damasco até as zonas costeiras. Os rebeldes, por sua vez, controlam o norte e o vale do Eufrates (Aleppo, Raqqah, Dayr az Zawr), enquanto os curdos, cada vez mais autônomos, dominam o nordeste", afirmou Karim Bitar, pesquisador do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (IRIS).

O governo sírio anunciou na segunda-feira a retomada de um bairro chave da cidade de Homs, terceira maior da Síria e um dos símbolos da revolta, após uma ofensiva violenta que durou um mês

Esta foi a segunda vitória do regime em menos de dois meses. Em 5 de junho, o exército tomou Quseir (no centro-oeste), cidade da província de Homs, que foi controlada pelos rebeldes por um ano.

Porém, ambos os lados acumulam vitórias e derrotas. Antes de Homs, nas últimas semanas, os rebeldes haviam avançado na região de Daraa (sul) e na província de Aleppo (norte), tomando a cidade de Jan al Asal, depois de terem matado 150 soldados, de acordo com uma ONG.

Enquanto isso, os curdos, que representam 15% da população, tentam conquistar um território autônomo no norte da Síria, sob o olhar preocupado da Turquia.

"Por isso, as posições não devem mudar muito imediatamente e já estão bastante claras, à espera de uma eventual Cúpula de Genebra 2", organizada por Washington e Moscou, disse Bitar.

"Mas quanto mais tarde esta cúpula for realizada, mais a unidade do Estado sírio estará ameaçada, uma vez que já podem ser vistas hoje leis diferentes, bandeiras diferentes, economias locais e governos locais", acrescentou.

Segundo ele, "não se visualizam os incentivos que seriam oferecidos às diferentes partes durante as negociações para fazê-las abrir mão das suas conquistas atuais".

De acordo com os analistas, a tomada de um bairro ou de uma localidade já não significa uma vitória real para nenhum dos lados.

"É preciso encarar os fatos: chegamos a um ponto morto e cada vitória do poder ou da oposição é uma vitória com um custo devastador. Ganhar hoje vários quilômetros quadrados não resolve nada", avalia Jatar Abu Diab, especialista em Oriente Médio da Universidade Paris-Sud.

"O Ocidente impede a vitória do regime, enquanto a Rússia, a China e o Irã fazem o mesmo em relação à oposição. Portanto, não haverá nem vencedor nem vencido", acrescenta.

De acordo com o cientista político, "o conflito sírio se transformou em um foguete de três estágios: o nível local, o regional e o internacional, tendo no topo os russos e os norte-americanos."

Apesar do otimismo do secretário de Estado, John Kerry, a realização de Genebra 2 parece difícil devido às divergências em relação à sua finalidade e aos seus participantes.

"Sem um acordo global entre russos e americanos, nada será resolvido, e isso requer um compromisso pessoal dos presidentes Barack Obama e Vladimir Putin, já que estamos em um conflito onde se projeta a face do Oriente Médio para os próximos anos, se não para as próximas décadas ", disse Abu Diab.

Para Rami Abdel Rahman, diretor do Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), uma ONG com sede na Grã-Bretanha que obtém informações de uma ampla rede de ativistas e médicos na Síria, cada lado acredita que pode prevalecer, "o que seria uma ilusão".

"Os Estados que dão armas aos rebeldes crendo que assim podem criar um equilíbrio na luta não são sérios. Preferem uma divisão", conclui.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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