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Oriente Médio

Curdistão iraquiano realiza eleições em clima tenso com Bagdá

21 set 2013 - 13h19
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Os curdos iraquianos foram às urnas neste sábado para eleger seu parlamento regional em suas primeiras eleições em quatro anos, marcadas pelas tensões com o governo federal de Bagdá e pelos combates na vizinha síria entre curdos e jihadistas.

As eleições coincidiram com um intenso debate entre os curdos, que vivem principalmente em Iraque, Síria, Turquia e Irã, sobre sua identidade nacional, sobretudo desde que o regime do presidente Bashar al-Assad perdeu o controle dos territórios curdos na Síria, em plena guerra civil.

Cerca de 2,8 milhões de curdos estavam convocados a votar nas três províncias desta região do norte do Iraque, onde foram formadas filas diante dos colégios eleitorais desde sua abertura, às 07h00 locais (01h00 de Brasília).

Segundo observadores e diplomatas, a votação ocorreu sem incidentes, e foi finalizada às 17h00 locais (11h00 de Brasília). Os resultados preliminares serão divulgados nos próximos dias.

Alguns eleitores vestiam roupas tradicionais reservadas às ocasiões especiais e muitas mulheres utilizavam longas túnicas pretas enquanto aguardavam para votar.

"A situação era muito ruim sob o antigo regime", disse Ghazi Ahmed, referindo-se ao ex-ditador Saddam Hussein, que perseguiu os curdos quando esteve no poder. "Mas agora a vida é melhor, estamos em uma situação boa", disse este comerciante de 56 anos.

A campanha se concentrou na luta contra a corrupção, na melhoria da prestação de serviços básicos e no modo de investimento das receitas petroleiras desta região.

Nestas eleições, as primeiras desde 2009, três principais partidos disputavam os 111 assentos do parlamento curdo: o Partido Democrático do Curdistão (PDK), do presidente regional Massud Barzani, a União Patriótica do Curdistão, do presidente iraquiano Jalal Talabani (UPK), e o grupo de oposição Goran (Mudança, em curdo).

O PDK, que atualmente governa com o UPK, deve receber o maior número de assentos, mas não deve alcançar a maioria sozinho.

"Hoje é um dia histórico na história do povo curdo", disse o primeiro-ministro regional, Neshirvan Barzani, sobrinho do presidente.

"Demos mais um passo na região para consolidar a democracia", afirmou.

Já o UPK, cujo líder Talabani sofreu um ataque cerebral que o mantém há meses afastado do cenário político, pode perder votos em benefício do grupo opositor Goran.

Estas eleições também ocorrem em um contexto marcado pelo desejo de independência e pelo distanciamento cada vez maior das três províncias do Curdistão em relação ao governo federal.

O Curdistão, uma região rica em petróleo, quer construir um oleoduto para unir diretamente seu território aos mercados estrangeiros. No entanto, até o momento a província autônoma exporta petróleo em caminhões em direção à vizinha Turquia e assinou acordos de cooperação com companhias estrangeiras, como Exxon Mobil e Total.

Também se aproveita de um crescimento econômico muito superior ao do resto do país.

O governo central de Bagdá considera que estas exportações de petróleo são de contrabando e que os contratos assinados com companhias petroleiras estrangeiras sem o acordo do ministério federal são ilegais.

O Curdistão e o Estado federal também divergem sobre a soberania da região de Kirkuk, rica em petróleo, que os curdos querem incorporar ao seu território.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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