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Após foto com mãe de Chávez, Ahmadinejad é acusado de infringir lei islâmica

12 mar 2013
13h34
atualizado às 15h00
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Ahmadinejad consola a mãe de Hugo Chávez, Elena Frias, durante cerimônia fúnebre na Venezuela
Ahmadinejad consola a mãe de Hugo Chávez, Elena Frias, durante cerimônia fúnebre na Venezuela
Foto: AP

Após a publicação de uma foto na qual o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad aparecia supostamente abraçado à mãe do falecido presidente da Venezuela Hugo Chávez, 18 deputados do Parlamento iraniano exigiram nesta terça-feira que o chefe de Estado da nação árabe respeite as normas islâmicas.

A agência local Mehr informou que 18 dos 290 deputados enviaram uma carta a Ahmadinejad na qual pedem que o líder respeite a lei islâmica e os costumes iranianos nas relações internacionais, que não permitem o contato físico entre homens e mulheres que não sejam parentes muito próximos.

Segundo eles, a violação dessas normas significa uma afronta à "dignidade do povo iraniano".

Na semana passada, Ahmadinejad viajou para Caracas para o funeral de Chávez, seu principal aliado na América Latina e a quem classificou como irmão e amigo". Durante a cerimônia fúnebre o presidente iraniano foi fotografado abraçado a Elena Frías de Chávez, de 78 anos. As fotos foram publicadas pela imprensa internacional.

Jornais iranianos afirmaram que uma das fotos mostrava uma atitude que não está de acordo com a lei islâmica. A Embaixada do Irã no Kuwait publicou um comunicado que informava que a imagem era falsa e tinha sido montada a partir de outra foto, onde o presidente abraçava outro homem, que seria o político egípcio e ex-secretário da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) Mohamed ElBaradei.

Apesar da nota da Embaixada no Kuwait, os jornais Keihan e Entekhab defenderam a veracidade da foto. O "Keihan" é conservador, muito próximo ao líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, e crítico a Ahmadinejad.

O governo do presidente lembrou hoje que a mãe de Chávez tem por volta de 80 anos e minimizou a importância da fotografia, considerando que possíveis dúvidas acerca da moralidade do presidente "não têm fundamento".

"Possivelmente o presidente foi surpreendido por esta polêmica", especulou Keihan, contando que supostamente foi a mãe de Chávez que foi abraçá-lo.

Também em Caracas, Ahmadinejad falou de Chávez como se este estivesse agora na companhia dos profetas, concretamente do 12º imã dos xiitas, Al Mahdi, e de Jesus Cristo, filho de Deus para os cristãos e profeta para os muçulmanos, o que lhe rendeu críticas de alguns clérigos no Irã, que pediram para que ele evitasse declarações do gênero.

O Parlamento do Irã, dominado pelos ultraconservadores islâmicos, apoiou Ahmadinejad no ano passado, mas recentemente se transformou em seu maior crítico.

A três meses das eleições presidenciais, que se realizarão no dia 14 de junho, intensificou-se a disputa pelo poder dentro do regime, que continua marginalizando os reformistas islâmicos, acusados de rebeldes.

A batalha está entre os fundamentalistas que rodeiam o líder supremo e que são o setor mais conservador dos clérigos do regime teocrático muçulmano xiita e aqueles que são ligados a Ahmadinejad, mais aberto no que refere ao comportamento social e às relações internacionais, especialmente sobre o Ocidente.

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EFE   
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