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ONU aprova novo mapa-múndi mais fiel ao tamanho real da África

Resolução liderada pelo Togo foi apoiada por 164 nações; EUA foram único país a votar contra.

5 set 2026 - 00h03
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Resumo
A Assembleia Geral da ONU aprovou a troca do tradicional mapa de Mercator pela projeção Equal Earth, que retrata com maior fidelidade a dimensão real da África. A resolução, liderada pelo Togo e apoiada pela União Africana, obteve 164 votos a favor e apenas a oposição dos Estados Unidos. Críticos apontam que o modelo antigo minimizava o continente africano perante o mundo, enquanto defensores veem a mudança como um ato de correção e justiça histórica na percepção geopolítica global.
A projeção de Mercator é o mapa mais utilizado em todo o mundo, mas representa de forma imprecisa o tamanho dos países e continentes
A projeção de Mercator é o mapa mais utilizado em todo o mundo, mas representa de forma imprecisa o tamanho dos países e continentes
Foto: BBC News Brasil

A Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) aprovou nesta sexta-feira (04/09) a substituição do mapa-múndi tradicional por um que reflita com mais precisão a dimensão da África.

Uma resolução liderada pelo Togo e apoiada pelos membros da União Africana (UA) foi aprovada com a adesão de 164 nações. Os Estados Unidos foram a única nação a votar contra, e houve seis abstenções.

A votação na ONU não é vinculativa (não há uma obrigação legal para sua aplicação), mas provocará alterações nos mapas utilizados por instituições em todo o mundo.

O mapa de Mercator, amplamente utilizado desde o século 16, tem sido alvo de críticas por mostrar a África com um tamanho semelhante ao da Groenlândia, embora seja 14 vezes maior.

Os críticos afirmam que isso leva à minimização das necessidades e do potencial dos países próximos à Linha do Equador.

O mapa de Mercator foi criado em 1569 pelo cartógrafo flamengo Gerardus Mercator para ajudar os exploradores europeus a navegar pelo mundo.

A distorção do seu mapa resulta do fato de ser impossível representar com precisão a superfície de um globo terrestre em um mapa bidimensional.

Sempre que se elabora um mapa do mundo, é preciso fazer concessões.

O mapa de Mercator mostra a curvatura da Terra fazendo com que os países próximos à Linha do Equador pareçam menores do que realmente são, enquanto os países mais próximos dos polos parecem maiores.

Na tentativa de corrigir isso, uma equipe de cartógrafos criou, em 2018, um mapa de áreas iguais que denominaram Equal Earth (algo como "Terra Igual", em tradução livre do inglês).

Em fevereiro, os 54 estados-membros da UA adotaram o acordo e afirmaram que ele "representa com mais precisão a dimensão de todos os continentes, em particular da África".

Uma campanha online denominada #CorrectTheMap ("Corrija o mapa") afirmou: "Você poderia encaixar os Estados Unidos, a China, a Índia, o Japão, o México e grande parte da Europa na África e ainda sobraria terra."

Antes da votação de sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores do Togo, Robert Dussey, disse à agência de notícias Reuters: "Um mundo justo começa com um mapa justo".

Ele teve o apoio do ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, que afirmou que seu ministério deixaria de usar o mapa de Mercator.

"Mudar o mapa obviamente não muda o mundo. Mas corrigir uma representação que o distorce já é um ato de verdade", disse ele.

Mas Yaryna Ferencevych, representante dos EUA na ONU, afirmou que a resolução ridicularizava o trabalho e o propósito da Assembleia Geral da ONU.

"Em vez de se concentrar em problemas genuínos de paz internacional, prosperidade ou boas relações, este órgão está debatendo projetos cartográficos do século 16 e seu papel na promoção de reparações e 'justiça cognitiva'", disse ela.

Em março, os EUA também criticaram a adoção de uma resolução que declarou o tráfico transatlântico de escravos "o crime mais grave contra a humanidade".

"A representação distorcida da África nos mapas mundiais não é apenas um erro cartográfico - é uma questão narrativa", disse à BBC Lerato Mogoatlhe, da Africa No Filter, um dos grupos por trás da campanha para abandonar o mapa de Mercator.

Para o geógrafo queniano Kioko Muendo, o mapa de Mercator minimizou implicitamente os vastos recursos, a população e as oportunidades de investimento do continente africano.

"Os mapas são mais do que simples guias para viajantes — eles moldam a forma como as regiões são percebidas política e economicamente", disse ele à BBC.

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