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O que está por trás da estratégia para derrubar a liderança do Irã?

O analista de segurança da BBC, Gordon Corera, examina o que provavelmente acontecerá após a morte de grande parte da cúpula da liderança iraniana.

2 mar 2026 - 21h51
(atualizado às 21h56)
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Fumaça saindo   atrás de prédios após uma explosão no segundo dia consecutivo de ataques dos EUA e de Israel, em Teerã.
Fumaça saindo atrás de prédios após uma explosão no segundo dia consecutivo de ataques dos EUA e de Israel, em Teerã.
Foto: EPA / BBC News Brasil

Os Estados Unidos e Israel afirmaram ter superioridade aérea sobre partes do Irã, permitindo que seus caças fiquem livres para atacar alvos.

Eles também demonstraram superioridade em inteligência, o que os permitiu localizar e matar diversos líderes iranianos.

Mas qual é a estratégia por trás disso?

Uma das explicações é o objetivo de gerar confusão.

O primeiro movimento não foi o ataque ao complexo do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, mas sim a atuação de hackers do US Cyber Command (o Comando Cibernético americano, na tradução livre para o português) e de unidades israelenses equivalentes.

Segundo oficiais militares dos EUA, eles bloquearam a capacidade do Irã de entender o que estava acontecendo, impedindo o país de se comunicar e reagir.

Aproveitando essa vantagem, líderes iranianos de alto escalão foram atingidos em diversos locais. Eles estavam sendo rastreados há meses pela CIA, pelo Mossad e outros serviços de inteligência.

Isso provavelmente foi possível graças a uma infiltração de longo prazo nos sistemas de comunicação iranianos, combinado com espiões em campo — muitas vezes comandados pelo Mossad.

Os resultados foram impressionantes: o chefe do Estado-Maior do Exército, o ministro da Defesa e o comandante da Guarda Revolucionária estavam entre os mortos.

Ahmad Vahidi foi nomeado o novo chefe da Guarda Revolucionária após seus principais líderes terem sido mortos nos ataques
Ahmad Vahidi foi nomeado o novo chefe da Guarda Revolucionária após seus principais líderes terem sido mortos nos ataques
Foto: Reuters / BBC News Brasil

Acredita-se que Israel tenha liderado esses ataques.

Os EUA disseram que também atingiram o comando e controle iraniano, bases de mísseis balísticos e infraestrutura de inteligência nas primeiras ofensivas de sábado.

Em um comunicado nesta segunda-feira (2/3), o chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, Dan Caine, disse que o objetivo era "atordoar e confundir" os iranianos.

A ambição dos EUA e Israel era paralisar o Irã.

Apesar disso, sabia-se que Teerã havia se preparado para o risco de ataques à sua liderança, com autoridades instruídas a designar múltiplos sucessores em caso de morte — e a manter suas identidades em segredo.

Isso torna ainda mais surpreendente o fato de que algumas das figuras mais importantes do regime iraniano estivessem reunidas na manhã de sábado, permitindo que tantas delas fossem mortas.

Milhares de pessoas saíram às ruas para lamentar a morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei
Milhares de pessoas saíram às ruas para lamentar a morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei
Foto: Reuters / BBC News Brasil

Mas o que essa mortes significam para o rumo da guerra?

A curto prazo, isso pode dificultar a capacidade do Irã de responder de forma organizada, já que a confusão causada pelos ataques tem vantagens militares, mas também traz riscos.

Ainda não está claro se os mísseis e drones lançados em diferentes partes do Oriente Médio são resultado de uma estratégia preestabelecida, se os comandantes locais estão agindo por conta própria ou se ordens estão sendo transmitidas por uma cadeia de comando que ainda funciona.

Outra questão é se a eliminação de tantos líderes mudará o cálculo do Irã sobre continuar lutando ou procurar uma saída da guerra.

Uma avaliação de inteligência da CIA, concluída pouco antes do início da guerra, previa que a remoção do líder supremo poderia levar os linha-dura da Guarda Revolucionária a ter mais controle.

Qualquer novo líder terá que avaliar se a sobrevivência do regime será garantida continuando a luta ou, alternativamente, negociando e, na prática, cedendo às exigências dos EUA.

Mas se as lideranças continuarem sendo mortas, pode ficar ainda mais difícil tomar qualquer decisão ou avançar em negociações.

Os EUA podem querer ver uma figura como Delcy Rodriguez — que assumiu a presidência da Venezuela após a captura de Maduro, e parece estar cooperando com os americanos — mas ainda não está claro se essa pessoa existe ou se poderia liderar o país.

E, por fim, talvez a pergunta mais importante: será que essas mortes tornam mais fácil uma mudança de regime no Irã?

A história mostra que apenas ataques aéreos raramente são suficientes para provocar uma mudança tão profunda, e os EUA não demonstraram interesse, até agora, de enviar tropas terrestres.

Pode ser que haja uma expectativa de que a eliminação das forças de segurança e de inteligência ajude uma revolta popular a ter sucesso desta vez, depois dos protestos terem sido reprimidos em janeiro.

O presidente Donald Trump chegou a convocar esse tipo de revolta novamente, e até prometeu anistia para membros das forças de segurança que depusessem as armas. Mas o regime iraniano está profundamente enraizado e fará de tudo para se manter no poder.

Enquanto o futuro da liderança é incerto, a prioridade para Israel e os EUA parece ser causar o máximo de dano possível ao regime.

Se isso resultar em mudança, poderá ser bem recebida pelo povo iraniano - mas os riscos recairão sobre eles.

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