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'Nunca tivemos intenção de ter a bomba atômica': embaixador do Irã na França defende trégua 'frágil'

O embaixador do Irã na França, Mohammad Amin Nejad, afirmou nesta sexta-feira (17) à RFI que o cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah, em vigor há quase 10 horas, representa uma trégua necessária após um conflito que deixou mais de um milhão de deslocados no Líbano. Ele disse que o Irã "só pode se alegrar" com o acordo, defendeu as negociações com os EUA, negou intenção nuclear militar e atribuiu tensões no estreito de Ormuz a "ações externas".

17 abr 2026 - 10h17
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O cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah entrou em vigor há quase dez horas, ainda que o Líbano já acuse Israel de tê-lo violado. O acordo, inicialmente previsto para durar dez dias, foi firmado após cerca de um mês e meio de guerra entre o Exército israelense e o Hezbollah, movimento libanês aliado do Irã.

Mohammad Amin Nejad, embaixador do Irã na França, no estúdio da RFI em 17 de abril de 2026.
Mohammad Amin Nejad, embaixador do Irã na França, no estúdio da RFI em 17 de abril de 2026.
Foto: © RFI / RFI

Nesse contexto, o embaixador do Irã na França, Mohammad Amin Nejad, afirmou em entrevista à RFI nesta sexta-feira (17) que a trégua é "positiva", embora ressalte a necessidade de conter a violência na região.

Ao comentar o início do cessar-fogo, Nejad declarou que "só podemos nos alegrar com esse acordo, porque ele interrompe o derramamento de sangue que ocorreu no Líbano e que causou mais de um milhão de deslocados, centenas de milhares de mortos e feridos". O embaixador comentou ainda esperar que, "apesar das violações que ocorreram - e sobre as quais o governo libanês expressou sua preocupação" - isso leve a um "período de calma que beneficie a todos."

Hezbollah e soberania libanesa

A implementação do cessar-fogo e o papel do Hezbollah permaneceram pontos centrais da entrevista, uma das raras do embaixador. Questionado sobre o engajamento do grupo no acordo, o diplomata iraniano enfatizou a soberania libanesa nas decisões internas.

Segundo ele, "para o Irã, o cessar-fogo no Líbano era uma condição" no contexto das negociações com os Estados Unidos, conduzidas com mediação do governo do Paquistão. Nejad acrescentou que "nosso desejo é apoiar o cessar-fogo no Líbano. Mas foi a outra parte, isto é, Israel, que continuou a agredir seus vizinhos e não o respeitou."

Ele também destacou que a decisão final cabe aos libaneses. "O Hezbollah e o Líbano são um país soberano, que decide dentro do que é seu interesse, do interesse do povo libanês e da integridade territorial libanesa. Portanto, cabe a eles decidir."

O embaixador enfatizou ainda que "o Hezbollah e o Líbano nunca tiveram a intenção de atacar um vizinho, sempre foi o contrário."

Negociações entre Irã e Estados Unidos

O cessar-fogo ocorre em paralelo a um processo de negociações entre Irã e Estados Unidos. O embaixador afirmou que o diálogo nunca foi "totalmente interrompido".

"Estávamos sempre em uma fase de negociação. Na guerra de 12 dias e nos acontecimentos de 27 de fevereiro - uma agressão brutal e sem declaração - estávamos no meio das negociações", disse.

Ele acrescentou que a disposição para o diálogo permanece. "Desta vez também aceitamos negociar porque sempre preferimos dialogar a combater. Na situação atual, os dois lados voltaram a uma lógica de negociação. Há sempre mediações e contatos."

Questionado sobre a possibilidade de um formato semelhante ao de rodadas anteriores, afirmou:

"Estamos sempre abertos à negociação, desde que os interesses dos dois lados sejam atendidos e se chegue a um compromisso."

Programa nuclear iraniano

As declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que um acordo estaria próximo e de que o Irã teria aceitado se desfazer de seu urânio enriquecido, também foram abordadas.

O embaixador replicou que "o urânio enriquecido foi bombardeado pelos Estados Unidos, como eles afirmaram". Ao ser questionado sobre a posse do material, ele afirmou que o mesmo "estava sob supervisão e inspeção da Agência Internacional de Energia Atômica."

Nejad acrescentou que, "antes da agressão de 27 de fevereiro, já havíamos aceitado diluir e reduzir grande parte do que tínhamos no acordo de 2015. Portanto, isso não é um problema."

Ele rejeita enfaticamente a ideia de bloqueio iraniano nas negociações:

"Não foi o Irã que bloqueou o processo, mas sim a intenção de fazer guerra e invadir o Irã."

Sobre a atividade nuclear do país, o diplomata insistiu que "nosso programa nuclear era pacífico. Estava sob inspeção da Agência Internacional de Energia Atômica, e não havia nenhuma dúvida. Entre 2015 e 2018, houve 15 relatórios confirmando o caráter pacífico das instalações nucleares iranianas." E concluiu: "Nunca tivemos a intenção de ter a bomba atômica."

Estreito de Ormuz e segurança regional

Outro ponto abordado foi o estreito de Ormuz, área estratégica para o comércio mundial de energia. O diplomata comentou especulações sobre a possibilidade de cobrança pelo trânsito de navios. Segundo ele, "a origem dessa situação vem da insegurança e da instabilidade na região, resultantes de guerras e tensões militares ao redor do Irã".

Sobre as acusações de que o estreito de Ormuz teria sido minado, o embaixador iraniano afirmou que "não foi minado, mas a segurança exige estabilidade nessa região."

Em relação à iniciativa da França e do Reino Unido de coordenar medidas para segurança do estreito, considerou a proposta desnecessária.

"Na minha opinião, não há necessidade disso, porque o Irã, ao longo desses 47 anos, sempre foi o garantidor da segurança na região e continuará sendo."

Diante das preocupações sobre a instabilidade atual, reconheceu: "Claro, porque se trata de uma agressão. É preciso ver por que a região se tornou desestabilizada."

Por fim, ao ser questionado sobre a capacidade iraniana de garantir a segurança do estreito sem cobrança de passagem, afirmou: "Isso sempre foi a intenção e a política do Irã."

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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