Na Suíça, JD Vance classifica como 'históricas' negociações com o Irã e pede que se 'vire uma nova página'
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, classificou como "históricas" as negociações iniciadas neste domingo (21) com o Irã na Suíça para finalizar um protocolo de acordo que ponha fim às hostilidades no Oriente Médio. Vance disse ainda que o encontro tem o intuito de "virar uma nova página" na relação entre os dois países.
"Trata-se de uma reunião histórica (...) O que o presidente nos pediu para fazer foi virar uma nova página a fim de transformar nossa relação com o povo iraniano e estender a mão aos iranianos para lhes dizer que, se seus líderes estiverem dispostos a renunciar ao seu papel de fator de instabilidade regional, se estiverem dispostos a abandonar de forma duradoura qualquer ambição de se dotar de armas nucleares, então os Estados Unidos estão dispostos a transformar fundamentalmente sua relação com esse país", declarou Vance no início das discussões entre os dois países em Bürgenstock, nos Alpes suíços.
As conversas contam com mediação do Paquistão e do Catar. O primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif e o chefe do Exército, Asim Munir, também supervisionam as negociações, segundo o Ministério das Relações Exteriores do país.
O encontro ocorre após Teerã anunciar, no sábado (20), o fechamento do Estreito de Ormuz, rota essencial à navegação comercial. A via marítima é uma das mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e gás.
O governo iraniano justificou a medida como resposta ao que considera violações do acordo provisório firmado nesta semana, acusando Estados Unidos e Israel de não respeitarem o cessar-fogo, especialmente diante de novos bombardeios israelenses no Líbano.
Diante deste cenário, a agência de notícias iraniana Tasnim informou, citando uma fonte próxima à equipe de negociação, que o Estreito de Ormuz não será reaberto até que o cessar-fogo no Líbano seja respeitado. Essa mesma fonte acrescenta que a rota marítima permanecerá fechada até que sejam concedidas isenções que permitam a venda de petróleo iraniano.
Washington, no entanto, contestou a versão iraniana. Antes de embarcar à Suíça, Vance chegou a afirmar que os Estados Unidos não têm evidências de interrupção efetiva do tráfego marítimo no estreito, o que mantém incertezas sobre a real situação na região.
RFI com agências
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