Tensão na Europa: países registram novos incidentes aéreos e EUA reforçam sanções contra a Rússia
Em meio à escalada de tensões com a Rússia, países da Europa registraram incidentes aéreos suspeitos neste sábado (19). A Polônia realizou operações militares para proteger seu território. As autoridades de Luxemburgo investigam a detecção de drones que levaram à suspensão temporária do tráfego no principal aeroporto do país durante a noite, e a Moldávia analisa a possível incursão não autorizada em seu espaço aéreo.
Diante da intensificação de ameaças híbridas russas, países europeus como Polônia, Moldávia, Luxemburgo e Reino Unido registraram alertas de segurança e incidentes aéreos com drones em áreas civis e militares. Na França, líderes políticos condenaram as intimidações de Moscou contra interesses do continente. Em resposta ao conflito na Ucrânia, os Estados Unidos ampliaram a pressão geopolítica ao aprovar novas sanções ao setor de energia russo e à frota utilizada pelo país para contornar embargos.
O exército polonês colocou em estado de alerta os sistemas de defesa aérea em terra e os sistemas de reconhecimento por radar, segundo um comunicado. Posteriormente, as operações foram encerradas, sem que qualquer violação tenha sido constatada. Os sistemas de defesa e de reconhecimento por radar retomaram suas atividades operacionais normais, acrescentou o comunicado do exército. A medida ocorre em meio à multiplicação de ataques híbridos atribuídos a Moscou nos países europeus.
Em mais um incidente na região, a Moldávia condenou, neste sábado, uma possível violação de seu espaço aéreo após uma explosão e a descoberta de destroços que poderiam ser de um drone perto de sua capital, Chisinau.
O incidente "representa uma nova consequência grave da guerra de agressão travada pela Rússia contra a Ucrânia", declarou o Ministério das Relações Exteriores em um comunicado.
"Qualquer entrada não autorizada no espaço aéreo moldavo é inaceitável e constitui uma grave violação da soberania do nosso país", acrescentou a pasta.
A explosão ocorreu na sexta-feira em Colonita, uma localidade próxima à capital do país, e a polícia afirmou, também na sexta-feira via Facebook, ter encontrado destroços "em um raio de 100 metros ao redor do local da explosão".
"Nenhum outro artefato explosivo foi encontrado", esclareceu a polícia.
Investigações em Luxemburgo
Em Luxemburgo, o primeiro-ministro Luc Frieden indicou que o país está cooperando com seus aliados da Otan para esclarecer a presença de drones em seu espaço aéreo. Ele detalhou que "drones potencialmente maiores" foram identificados "nos últimos dias", mas que era cedo demais para se pronunciar sobre a origem deles.
"Estamos analisando a situação", declarou o primeiro-ministro durante uma coletiva de imprensa.
O tráfego no aeroporto de Luxemburgo foi brevemente interrompido na noite de sexta-feira, após a detecção de aparelhos que realizavam voos não autorizados nas imediações. A suspensão foi "uma medida de precaução para garantir a segurança dos passageiros, das tripulações das companhias aéreas, dos funcionários do aeroporto e das aeronaves", explicou o aeroporto.
A companhia aérea nacional Luxair informou que mais de 1.800 passageiros foram afetados pela medida, o que resultou no desvio de 17 voos de chegada para outros aeroportos, como Bruxelas, Paris e Frankfurt.
Aumento de ameaças ao Reino Unido
No Reino Unido, o jornal The Independent informa que instalações militares britânicas foram alvo de drones mais de 300 vezes nos últimos 12 meses. De acordo com os números obtidos pelo diário inglês, foram detectados 340 incidentes de segurança envolvendo drones em instalações do Ministério da Defesa britânico ou em suas proximidades entre agosto de 2025 e 2026.
No ano passado inteiro, foram registrados 250 incidentes, quase o dobro dos 126 contabilizados no ano anterior. O Ministério da Defesa não forneceu informações sobre a origem desses drones.
Em declaração enviada à AFP, a secretária de Estado das Forças Armadas do Reino Unido, Louise Sanders-Jones, afirmou que o governo "leva muito a sério a ameaça representada por drones hostis a instalações do Ministério da Defesa".
Segundo ela, o aumento dos incidentes observados "reflete os progressos consideráveis realizados em termos de vigilância e notificação", com a criação, em fevereiro passado, de novas zonas de espaço aéreo restrito sobre 44 instalações militares estratégicas no Reino Unido. Outros 160 locais serão incluídos nos próximos meses.
"O Reino Unido e seus aliados permanecem vigilantes diante de ameaças potenciais, e nossos adversários não devem ter dúvidas quanto à determinação do governo em enfrentar qualquer agressão contra o Reino Unido e seus aliados", declarou também um porta-voz do ministério.
Esses números foram divulgados no momento em que a Rússia convocou, na sexta-feira, a encarregada de negócios interina britânica para protestar contra a continuidade, por parte de Londres, do "aumento do fornecimento de drones e outros sistemas de armamento" à Ucrânia, informou a diplomacia russa em comunicado.
Moscou alertou que instalações militares britânicas na Ucrânia seriam consideradas "alvos legítimos" caso fossem utilizadas para apoiar ataques de longo alcance contra a Rússia.
Extrema direita da França se pronuncia
Na França, o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou na sexta-feira (18) que "a ameaça híbrida russa contra os europeus e a França" se intensificou nas últimas semanas. Segundo ele, Moscou aumentou os ataques contra os interesses europeus e "a natureza e a agressividade das ameaças russas na Europa estão mudando".
As declarações geraram reação das lideranças do partido de extrema direita Reunião Nacional, próximo do Kremlin. Marine Le Pen e Jordan Bardella afirmaram que "a Rússia não pode "esperar ditar, direta ou indiretamente, a política" da França "por meio de intimidação, ameaça, desestabilização ou pressão psicológica". O texto condena os atos "hostis" de Moscou.
O comunicado foi divulgado um dia após uma reunião no Palácio do Eliseu a convite de Macron, da qual Jordan Bardella participou, destinada a informar as forças políticas sobre as crises geopolíticas que a França enfrenta.
O tom do comunicado busca firmeza, já que a favorita nas pesquisas para a eleição presidencial é criticada por seus adversários devido a posições consideradas conciliadoras em relação ao presidente russo, Vladimir Putin.
Trump reforça sanções contra a Rússia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, promulgou nesta sexta-feira uma lei que impõe novas sanções à Rússia devido à guerra na Ucrânia, visando em particular o setor de energia russo.
O texto, que constitui a primeira grande ação do Congresso contra Moscou desde o retorno do presidente americano ao poder, leva o nome de seu principal autor, o senador republicano Lindsey Graham, falecido em julho e um defensor ferrenho da Ucrânia e crítico da Rússia.
O novo arsenal legislativo tem como alvo, pela primeira vez, a "frota fantasma" russa e visa também o presidente Vladimir Putin, bem como outras autoridades russas de alto escalão. Ele dá a Trump o poder de impor tarifas alfandegárias de até 100% sobre os cinco principais países importadores de gás e petróleo russos, incluindo China e Índia.
Com AFP e Reuters
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