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Surto de ebola avança 'rapidamente' na RD Congo, apesar de melhora nos casos na região considerada epicentro

O surto de ebola continua avançando na República Democrática do Congo (RDC), apesar de uma melhora na situação na localidade considerada como ponto de partida da epidemia. Atualmente, são 247 mortes entre os 956 casos detectados em Kivu do Norte, Kivu do Sul e Ituri. Foi dessa região que partiu a recente onda, mais precisamente de Mongbwalu.

21 jun 2026 - 09h50
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Por Pascal Mulegwa, correspondente da RFI em Bunia, e AFP

Centro de tratamento do ebola de Bunia, no leste da RDC, em 15 de junho de 2026.
Centro de tratamento do ebola de Bunia, no leste da RDC, em 15 de junho de 2026.
Foto: REUTERS - Gradel Muyisa Mumbere / RFI

Na sexta-feira (19), a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que a epidemia da doença no país se propaga rapidamente, apesar do aumento dos esforços para combater o vírus. Segundo a OMS, as equipes de saúde ainda correm contra o tempo para enfrentar o agravamento da situação no nordeste da República Democrática do Congo.

"O surto continua grave" e está "evoluindo muito rápido", declarou Marie-Roseline Belizaire, responsável por emergências para a África na OMS, que alertou para uma "transmissão acelerada".

O surto foi declarado em 15 de maio e se concentra na província de Ituri, assolada pelo conflito, que acumula mais de 80% dos casos conhecidos, embora também tenha se espalhado para as províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul.

Belizaire afirmou que a epidemia avança com tanta rapidez que as equipes são obrigadas a acelerar a resposta para não perder o ritmo. A OMS indicou que é necessário localizar 95% dos contatos para controlar o surto.

O ebola se propaga por contato próximo com fluidos corporais infectados, e uma melhor detecção permite que as equipes de resposta realizem enterros seguros e dignos, reduzindo, assim, o "risco muito elevado" associado ao manejo de corpos infectados por familiares.

"Encorajamento e esperança" em Mongbwalu

Mais de um mês depois do início do surto, a situação começa a melhorar aos poucos em Mongbwalu, de quase 200 mil habitantes, onde a epidemia começou, apesar do aumento no número de casos no restante do país. É o que testemunha o diretor médico, Richard Lokudi.

"No início, tínhamos de dez a quinze mortes por dia; agora, no hospital, tem caído para quatro mortes por dia. Na comunidade, temos dez alertas; ainda é muito, mas também está diminuindo", relata Lokudi.

Uma melhoria graças ao aumento da conscientização, embora em algumas cidades da região a desconfiança impeça as equipes de saúde de acessar certos casos suspeitos.

"As pessoas estão começando a entender que a doença existe. Pelo menos estão indo ao hospital. Às vezes conseguimos prestar atendimento, mas também há casos em que não conseguimos salvar", acrescenta o Diretor Médico Richard Lokudi.

Pela primeira vez desde o retorno oficial do ebola, Samuel Roger Kamba, Ministro da Saúde congolês, e Patrick Muyaya, Ministro da Comunicação, viajaram para Mongbwalu para avaliar e fortalecer a resposta.

Ao sair da cidade, Kamba prometeu a expansão do centro de tratamento e o acréscimo de mais ambulâncias, com o objetivo de intensificar a resposta e quebrar a cadeia de transmissão.

"Estamos muito impressionados com o que encontramos aqui, especialmente com o engajamento da comunidade. Ao conversar com todos — inclusive com Médicos Sem Fronteiras — percebemos que a comunidade está cada vez mais envolvida, e isso é uma mensagem de encorajamento e esperança", Roger Kamba, Ministro da Saúde, em Mongbwalu.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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