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Minha "muçulmanidade" era um problema, diz ministra britânica demitida

23 jan 2022 13h53
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Uma parlamentar britânica afirmou que foi demitida de um cargo ministerial pelo governo conservador do primeiro ministro Boris Johnson parcialmente porque sua fé muçulmana deixava os colegas desconfortáveis, segundo reportagem do Sunday Times.

A alegação aumenta a turbulência pela qual o governo de Johnson passa por causa de festas realizadas no escritório de Downing Street durante lockdowns contra a Covid-19.

Nusrat Ghani, 49, que perdeu seu emprego de ministra júnior do Transporte em fevereiro de 2020, disse ao jornal que ela havia ouvido do "whip" --responsável por garantir a disciplina parlamentar-- que a sua "muçulmanidade" havia sido mencionada como um problema na sua demissão.

O principal "whip" do governo, Mark Spencer, disse que era a pessoa no centro das acusações de Ghani.

"Essas acusações são completamente falsas e eu as considero difamatórias", disse, no Twitter. "Eu nunca usei essas palavras atribuídas a mim".

Johnson se encontrou com Ghani para discutir as alegações "extremamente sérias" em julho de 2020, disse um porta-voz do gabinete do primeiro-ministro no domingo.

"Ele então escreveu à ela expressando sua séria preocupação e convidando-a a iniciar um processo formal de reclamação", disse o porta-voz. "Ela não fez isso posteriormente."

"O Partido Conservador não tolera preconceito ou discriminação de qualquer tipo."

Ghani disse em resposta que o processo de reclamação do Partido Conservador era "muito claramente inadequado" porque sua demissão estava relacionada à sua posição no governo, e não no partido.

"Agora não é a hora que eu escolheria para que isso fosse divulgado e busquei todos os caminhos e processos que achei disponíveis para mim, mas muitas pessoas sabem o que aconteceu", acrescentou ela em um comunicado.

A alegação de Ghani veio depois que um de seus colegas conservadores disse que se reuniria com a polícia para discutir acusações de que "whips" do governo tentaram "chantagear" parlamentares suspeitos de tentar forçar Johnson a deixar o cargo por causa das festas durante o lockdown.

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