Meloni chama UE de 'gigante burocrático' e critica falta de visão estratégica
Premiê da Itália fez duras críticas contra bloco durante evento da Confidustria
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, fez duras críticas à estrutura da União Europeia durante discurso na assembleia anual da Confederação Geral da Indústria Italiana (Confindustria), realizada nesta terça-feira (26).
De acordo com Meloni, o bloco europeu tornou-se "um gigante burocrático" incapaz de responder com firmeza aos desafios globais e excessivamente focado em regras e abordagens tecnocráticas.
Ao lado do presidente italiano, Sergio Mattarella, a premiê afirmou que a atual configuração da União Europeia compromete a competitividade econômica do continente.
"A principal e enorme fraqueza que nos afeta diretamente é a estrutura atual da União Europeia, um gigante burocrático que, com muita frequência, sacrificou a competitividade e o crescimento estratégico no altar de abordagens ideológicas e tecnocráticas", declarou.
Meloni também acusou a UE de ser "implacável" na criação de normas para o cotidiano dos cidadãos, mas "míope" quando precisa fazer sua voz ser ouvida no cenário internacional.
A líder italiana voltou a defender a revisão de políticas ambientais europeias, que, segundo ela, têm prejudicado o crescimento econômico e reduzido a competitividade da indústria.
Durante o discurso, Meloni propôs uma parceria entre o governo italiano e a Confindustria para promover uma ampla reforma burocrática na Itália.
"Se a regra é a liberdade, tudo o que não for expressamente proibido por um interesse superior deve ser permitido sem restrições e amarras que apenas servem para sufocar a iniciativa econômica", afirmou.
A premiê também reforçou a necessidade de "recolocar a política no centro das instituições europeias", defendendo que a burocracia deve executar decisões políticas, e não substituí-las. "A burocracia não tem mandato para isso", disse.
No campo econômico e energético, Meloni destacou que o governo pretende acelerar o retorno da energia nuclear à Itália, com foco em tecnologias de reatores modulares. Segundo ela, até o verão europeu será aprovada a lei que dará base regulatória ao projeto.
"Não tenho dúvidas de que a retomada da produção nuclear é uma meta ao nosso alcance e importante para a nossa competitividade", ressaltou.
A chefe de governo também criticou o sistema europeu de comércio de emissões, o ETS, classificando-o como um "imposto paradoxal" que pode aumentar desigualdades econômicas. Para Meloni, a Europa continua presa a "totens ideológicos" em vez de priorizar crescimento e segurança energética.
Ao comentar os impactos da crise envolvendo o Irã e o risco de fechamento do Estreito de Ormuz, a premiê alertou para os efeitos sobre famílias e empresas europeias, especialmente no custo da energia. Ela defendeu maior flexibilidade fiscal da União Europeia para permitir investimentos emergenciais no setor energético e em defesa.
"Não se trata de ter autorização para contrair novas dívidas em nível nacional, mas de alocar o que temos da melhor maneira possível", reiterou ela.
Sobre gastos militares, Meloni reconheceu a impopularidade do tema na Itália, mas argumentou que a segurança nacional depende da capacidade de defesa do país.
"Se você não sabe se defender, se pede a alguém que garanta sua segurança, pagará por isso em termos de autonomia, em termos da sua capacidade de defender seus interesses nacionais", afirmou.
Por fim, a líder italiana encerrou o discurso defendendo equilíbrio entre investimentos em defesa e medidas de apoio econômico às famílias e empresas diante das crises internacionais e energéticas.
"Quero que a Itália seja uma nação livre, mas, por outro lado, também sei que, se não ajudarmos as famílias e as empresas a superar o impacto de uma crise significativa hoje, corremos o risco de não ter nada para defender nesta nação amanhã. Portanto, devemos criar um equilíbrio entre essas duas necessidades", concluiu.
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