Rússia lança contra a Ucrânia míssil com capacidade nuclear
Oreshnik pode transportar ogivas nucleares ou convencionais, percorrer até 12 mil km/h e alcançar uma distância de até 5000 km
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, acusou neste domingo, 24, a Rússia de ter utilizado um míssil balístico de alcance intermediário com capacidade nuclear durante uma nova onda de ataques noturnos contra o país. Segundo autoridades ucranianas, os bombardeios deixaram ao menos quatro mortos e mais de 60 feridos.
Em mensagem publicada no Telegram, Zelenski afirmou que o ataque incluiu o uso do míssil Oreshnik contra a cidade de Bila Tserkva, ao sul de Kiev. "Eles estão mesmo loucos", escreveu, referindo-se ao presidente russo, Vladimir Putin.
O mandatário também relatou danos à infraestrutura civil, incluindo um sistema de abastecimento de água, um mercado que teria pegado fogo e dezenas de edifícios residenciais e escolas afetados.
Essa seria a terceira vez que esse tipo de míssil — capaz de transportar ogivas nucleares ou convencionais — teria sido empregado na guerra, mas pela primeira vez perto da capital, Kiev.
A agência de notícias estatal russa Interfax confirmou o uso do míssil Oreshnik. Segundo a agência, tratou-se de uma retaliação aos ataques ucranianos na região de Luhansk. De acordo com fontes russas, o ataque na região ocupada pela Rússia atingiu uma faculdade técnica e um alojamento estudantil na cidade de Starobilsk, matando 21 pessoas.
Kiev nega ter realizado um ataque direcionado contra civis e afirma que o alvo era uma unidade de drones do exército russo na região de Starobilsk.
O Oreshnik (que significa "arbusto de avelã" em russo) é particularmente temido devido ao seu poder destrutivo. Também posicionado em Belaruspor Moscou, ele pode transportar ogivas convencionais e nucleares. Sua velocidade extremamente alta, de até 12 mil quilômetros por hora, e seu alcance de até cinco mil quilômetros o tornam uma ameaça potencial para todo o continente europeu.
"Isto é verdadeiramente irresponsável. É importante que a Rússia não fique impune", disse Zelenskyy.
A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas, acusou Moscou de usar "uma tática política de intimidação e uma política imprudente de risco nuclear".
Ela disse que os ministros das Relações Exteriores da UE, reunidos na próxima semana, discutirão como "aumentar a pressão internacional sobre a Rússia".
Consequência do ataque
A capital ucraniana foi o principal alvo dos ataques deste sábado, descritos por autoridades locais como um dos mais intensos dos últimos meses. Segundo o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, duas pessoas morreram e outras 56 ficaram feridas na cidade. "As equipes de resgate continuam trabalhando sob os escombros", afirmou, acrescentando que os serviços de saúde seguem operando normalmente.
Na região metropolitana, outras duas pessoas morreram e nove ficaram feridas, entre elas um bebê com menos de um ano, informou o chefe da administração regional, Mykola Kalachnyk.
De acordo com a Força Aérea da Ucrânia, a Rússia lançou mais de 600 drones e mísseis durante o ataque. As defesas antiaéreas ucranianas afirmam ter destruído 549 drones e interceptado 55 mísseis. Ainda assim, houve impactos confirmados em diversos pontos do país. Dados preliminares indicam que 16 mísseis e 51 drones atingiram seus alvos, enquanto destroços de interceptações foram registrados em mais de 50 locais.
Os ataques ocorrem em meio à intensificação da campanha militar russa e evidenciam o aumento da pressão sobre Kiev, que tem sido alvo frequente de ataques aéreos em larga escala. O uso de armamentos de maior alcance e potencial destrutivo também levanta preocupações internacionais sobre uma possível escalada do conflito.
le (Lusa, ots)
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