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Por que a Rússia faz o maior exercício militar com arsenal nuclear das últimas décadas

A Rússia realizou exercícios estratégicos nucleares em grande escala com o objetivo de "se preparar e empregar forças nucleares frente a uma ameaça agressiva", segundo o Ministério da Defesa do país.

21 mai 2026 - 19h31
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Exercícios com forças nucleares costumam ser feitos em outubro na Rússia
Exercícios com forças nucleares costumam ser feitos em outubro na Rússia
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

A Rússia realiza nesta semana uma série de exercícios militares em larga escala, com dezenas de milhares de soldados e armas nucleares, segundo informou seu Ministério da Defesa.

A iniciativa também inclui a vizinha Belarus, onde a Rússia realizou manobras com armas nucleares táticas na segunda-feira (18/5).

A justificativa dada pelas autoridades russas para os testes com forças nucleares seria a necessidade de o país estar preparado para empregar seu arsenal frente a uma possível ameaça de agressão.

A Rússia costuma realizar esses exercícios militares de grande porte, geralmente chamados de "trovão", no mês de outubro.

Em fevereiro de 2022, entretanto, antes da invasão da Ucrânia, houve uma exceção à regra e a demonstração de força aconteceu meses antes do calendário habitual.

Eles costumam contemplar toda a tríade nuclear: mísseis balísticos intercontinentais, submarinos nucleares e bombardeiros estratégicos.

Neste ano, conforme os números divulgados pelo Ministério da Defesa da Rússia em comunicado, os exercícios reuniram "mais de 64 mil soldados e mais de 7,8 mil armamentos, equipamento militar e especial, incluindo mais de 200 lançadores de mísseis, mais de 140 aeronaves, 73 navios e 13 submarinos, incluindo oito submarinos de mísseis estratégicos".

Os recursos mobilizados representam uma parte significativa do arsenal de forças nucleares estratégicas russo, fazendo deste um dos maiores exercícios militares realizados pelo país nas últimas décadas.

No caso dos lançadores, por exemplo, as estimativas do Boletim dos Cientistas Atômicos indicam que, em 2026, a Rússia conta com mais de 320 deles, incluindo silos e plataformas móveis. Bem mais da metade, portanto, teria sido incluído nos exercícios militares desta semana.

Entre os submarinos nucleares estratégicos, 8 dos 13 que a Rússia possui foram mobilizados. Como alguns deles costumam estar em reparos ou manutenção em bases navais, as oito embarcações podem constituir quase a totalidade da frota de submarinos estratégicos prontos para combate.

Após o maior ataque

Os exercícios militares russos ocorrem no contexto dos ataques em massa cada vez mais frequentes de drones de longo alcance da Ucrânia contra alvos na Rússia.

Dois dias antes dos exercícios militares, a capital russa sofreu seu maior ataque com drones. Três moradores da região de Moscou morreram e 17 pessoas ficaram feridas.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenski, qualificou a ofensiva noturna de "resposta justa" aos recentes ataques russos à Ucrânia, incluindo à sua capital. No dia 14 de maio, um míssil atingiu um edifício de nove andares em Kiev, matando 24 pessoas.

Dois dias antes dos exercícios militares, Moscou sofreu o maior ataque de drones da sua história
Dois dias antes dos exercícios militares, Moscou sofreu o maior ataque de drones da sua história
Foto: EPA / BBC News Brasil

As fontes oficiais não mencionam conexão entre o ataque a Moscou e os exercícios militares.

Mas, tecnicamente, as forças nucleares estratégicas se encontram em alerta constante. E seu emprego provavelmente não exige tanto tempo quanto o das outras forças.

Exercícios em Belarus

Na véspera dos intensos exercícios nucleares estratégicos russos, Belarus iniciou manobras com armas nucleares táticas. A Rússia instalou ogivas nucleares táticas no país em 2023.

O Ministério da Defesa de Belarus anunciou que estes exercícios colocariam à prova a capacidade das unidades de armas nucleares de lançar mísseis de regiões não preparadas em todo o seu território.

Esta não é a primeira vez que Belarus realiza exercícios nucleares com armas táticas. Em 2024, por exemplo, ocorreu um teste de preparação de combate com porta-aviões nucleares — um batalhão de mísseis táticos Iskander e um esquadrão de aviões Su-25.

A Otan realiza exercícios anuais com unidades aéreas armadas com bombas nucleares americanas instaladas na Europa. Estas bombas ficam na Itália, Holanda, Bélgica, Alemanha e Turquia.

Mas os exercícios em território bielorrusso costumam gerar apreensão no Ocidente. Afinal, a invasão da Ucrânia em 2022 começou em vários lugares, incluindo Belarus.

Antes mesmo da invasão, a Otan analisou possíveis cenários para o início de uma guerra com a Rússia e, em um deles, os ataques começariam com manobras em grande escala em Belarus. Estas preocupações já eram manifestadas em 2017.

O lançamento do míssil Sarmat

Na semana anterior, em 12 de maio, a Rússia testou o novo míssil balístico intercontinental Sarmat.

Esta arma pesada foi projetada para substituir os mísseis R-36M Voevoda (nome em código da Otan SS-18 Satan) nas forças nucleares russas. Fabricados pela empresa ucraniana Yuzhmash, sua manutenção não está mais a cargo dos seus técnicos.

Após receber o relatório do lançamento do Sarmat, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarou que seu alcance supera os 35 mil km de distância, o que representa mais que o dobro do Voevoda.

Um alcance de 35 mil km permite dirigir o míssil até o seu alvo ao longo de qualquer trajetória, não apenas da mais curta, dificultando imensamente sua interceptação.

Putin mencionou outras características, como a trajetória de voo suborbital e o peso do lançamento, que também superam outros mísseis balísticos intercontinentais.

A soma de todos estes parâmetros nunca foi demonstrada em testes práticos. Em apenas dois lançamentos realizados com sucesso, o foguete não percorreu mais de 6 mil km.

Putin costuma mencionar suas armas estratégicas, principalmente nucleares, durante seus discursos.

Ao comentar o lançamento do míssil Sarmat, o presidente russo também indicou outros projetos militares, como o míssil de médio alcance Oreshnik, em operação desde 2025, segundo ele.

Putin também mencionou sistemas de propulsão nuclear, como o submarino Poseidon e o míssil de cruzeiro Burevestnik. Ele informou que foram realizados testes dos dois veículos com sucesso em 2025.

Mas, nestes casos, não houve evidências de fontes independentes sobre a realização dos testes.

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