Itália rebate insulto de ministro israelense alvo de inquérito por vídeo de ativistas
Ben-Gvir disse que 'país da bota se tornou o país dos chinelos'
O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, condenou nesta terça-feira (9) as declarações do ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, que atacou o país europeu após ser incluído em uma investigação conduzida pelo Ministério Público de Roma.
A reação ocorreu depois que Ben-Gvir publicou uma mensagem na rede social X criticando as autoridades italianas por apurarem sua conduta ao humilhar ativistas da Flotilha Global Sumud, interceptada por forças israelenses enquanto tentava levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza.
"O país da bota se tornou o país dos chinelos", escreveu o ministro israelense, em referência ao formato geográfico da Itália. "Israel não é um saco de pancadas para um bando de apoiadores terroristas mentirosos que fabricam calúnias e mentiras contra nossos combatentes. Não me deixarei desanimar por esta ou qualquer outra investigação e continuarei orgulhosamente ao lado de nossos combatentes".
Durante uma audiência conjunta das comissões de Relações Exteriores e Defesa da Câmara dos Deputados e do Senado italianos, Tajani classificou as declarações como "inaceitáveis" e incompatíveis com o cargo ocupado por Ben-Gvir.
"Não tenho palavras para comentar o que Ben-Gvir disse sobre a Itália depois de saber que estava sob investigação do Ministério Público. São observações inaceitáveis que rejeitamos abertamente; são indignas de um ministro", afirmou o chanceler.
Tajani destacou ainda que "a Itália é amiga de Israel, sempre defendeu a liberdade e a democracia", e rejeita "qualquer insulto".
A investigação italiana foi aberta após a divulgação de um vídeo gravado e publicado pelo próprio Ben-Gvir. Nas imagens, o ministro aparece caminhando entre ativistas da Flotilha Global Sumud detidos no porto israelense de Ashdod.
Os militantes aparecem ajoelhados, vendados e algemados sob vigilância de agentes de segurança, enquanto o integrante do governo de Israel faz comentários provocativos e lhes dá "boas-vindas" ao país.
Segundo fontes citadas pela imprensa italiana, Ben-Gvir é investigado por suposto sequestro e tortura em decorrência do tratamento dispensado aos ativistas, entre os quais havia diversos cidadãos italianos.
Paralelamente, os promotores de Roma também apuram a interceptação da embarcação em águas internacionais e analisam possíveis acusações de agressão sexual, sequestro e tortura contra os responsáveis pela operação.
Tajani informou ainda que solicitou à alta representante da União Europeia para Assuntos Externos e Política de Segurança, Kaja Kallas, que apresente uma proposta de sanções contra Ben-Gvir ao Conselho de Relações Exteriores do bloco.
De acordo com o ministro italiano, países como França e Holanda já demonstraram apoio à medida. "Veremos nos próximos dias se é possível chegar a um consenso na Europa, mas quero assegurar a esta Câmara que continuaremos avançando nessa direção", declarou.
O chanceler também afirmou que a Itália está disposta a discutir, juntamente com seus parceiros europeus, medidas relacionadas aos produtos provenientes de assentamentos israelenses considerados ilegais pela comunidade internacional. "Estamos aguardando as propostas da Comissão Europeia", concluiu.
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