Israel e Hamas trocam lista de reféns e prisioneiros; negociações pelo fim da guerra avançam no Egito
As negociações indiretas entre Israel e o Hamas continuam em Sharm el-Sheikh, na península do Sinai, no Egito. O objetivo é obter um acordo para encerrar a guerra na Faixa de Gaza e libertar os 48 reféns mantidos pelo grupo palestino. A partir desta quarta-feira (8), participam das discussões os enviados dos Estados Unidos Steve Witkoff e Jared Kushner, o primeiro-ministro do Catar, xeque Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, e o chefe do serviço de inteligência da Turquia, Ibrahim Kalin.
As negociações indiretas entre Israel e o Hamas continuam em Sharm el-Sheikh, na península do Sinai, no Egito. O objetivo é obter um acordo para encerrar a guerra na Faixa de Gaza e libertar os 48 reféns mantidos pelo grupo palestino. A partir desta quarta-feira (8), participam das discussões os enviados dos Estados Unidos Steve Witkoff e Jared Kushner, o primeiro-ministro do Catar, xeque Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, e o chefe do serviço de inteligência da Turquia, Ibrahim Kalin.
Henry Galsky, correspondente da RFI em Israel, e Luca Lazo, correspondente da RFI em Ramallah
Representantes do Hamas e de Israel trocaram nesta quarta-feira (8) a lista dos prisioneiros que serão libertados, segundo Taher al-Nounou, dirigente do movimento palestino que participa das negociações. Entre eles estão 20 reféns ainda vivos, mantidos no cativeiro em Gaza, e palestinos presos em Israel, que podem integrar a troca prevista para ocorrer após o início da trégua.
A população palestina aguarda a libertação de 250 prisioneiros políticos que cumprem pena de prisão perpétua. "Os mediadores estão fazendo grandes esforços para remover todos os obstáculos à implementação das diferentes etapas do cessar-fogo, e um espírito de otimismo prevalece entre todos os participantes", afirmou Nounou, por telefone, à agência AFP.
Uma das libertações mais aguardadas é a de Marwan Barghouti, 66 anos, considerado um símbolo da opressão israelense na Cisjordânia ocupada. Condenado em 2004 por ordenar ataques mortais durante a segunda Intifada, é chamado por muitos de "Mandela palestino".
"É um homem simples, que lutou por seu povo e sacrificou grande parte da vida na prisão, onde continuou militando como Mandela. Ele queria a paz com Israel, preservando os direitos do povo palestino."
Ex-dirigente das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, Barghouti é um dos 301 presos que cumprem pena de prisão perpétua em penitenciárias israelenses. Seu nome é frequentemente mencionado, na Palestina e no exterior, como possível liderança em futuras negociações de paz — ou até como futuro presidente de um Estado palestino.
"Ele é como o equivalente de Yasser Arafat. Cerca de 90% dos palestinos o apoiam, porque ele é um herói para o povo palestino", diz Hussein, morador da região. Segundo ele, essa é uma razão para que as autoridades israelenses recusem sua libertação. "Mesmo que ele não seja importante para os israelenses, eles não o libertarão porque ele é importante para os palestinos. Por isso, temo que recuperem os reféns e que, depois disso, nada mude."
Israel analisa o pedido de libertação de prisioneiros palestinos caso a caso, recusando-se a libertar indivíduos ligados aos ataques de 7 de outubro de 2023.
Dia "crucial"
Segundo a agência Reuters, as conversas de terça-feira (7), que se basearam no plano apresentado pelo presidente dos Estados Unidos Donald Trump, ocorreram em clima mais ameno do que as de segunda-feira. De acordo com uma fonte próxima às negociações, esta quarta pode ser um "indicador crucial quanto ao progresso", considerando os nomes de peso político que se juntam às conversas.
O plano de Trump prevê a retirada das forças israelenses da Faixa de Gaza e o fim dos combates, a libertação dos reféns detidos pelo Hamas e o desarmamento do grupo islamista palestino, além do envio de ajuda humanitária aos habitantes de Gaza.
Um alto funcionário do setor de Defesa de Israel, citado de forma anônima pela imprensa local, afirma que "nunca houve tais condições para implementar um acordo".
Segundo ele, "as circunstâncias atuais no terreno e na arena política criaram condições que permitem o progresso para o encerramento da guerra e trazer os reféns de volta a Israel". Apesar da dinâmica positiva, ele ressalta que as negociações ainda se concentram na exposição dos posicionamentos das partes e que acertar "todos os detalhes" pode levar mais tempo.
Presente no Egito, o principal negociador do Hamas, Khalil Al Hayya, declarou que o movimento quer "garantias" de Donald Trump e dos mediadores de que a guerra em Gaza "terminará de uma vez por todas". "Não confiamos em Israel", disse.
O ministro israelense de Assuntos Estratégicos, Ron Dermer, próximo ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, deve participar das negociações na tarde desta quarta-feira, segundo uma autoridade israelense.
Segundo uma fonte palestina próxima aos negociadores do Hamas, "os primeiros pontos do acordo foram apresentados na terça-feira e se referem à retirada das tropas, ao mecanismo e ao cronograma da troca de reféns e prisioneiros".
Em resposta ao plano de Trump, o Hamas aceitou libertar os reféns, mas exigiu o fim da ofensiva israelense e a retirada total de Israel de Gaza. O grupo não mencionou seu próprio desarmamento, exigido por Israel. Benjamin Netanyahu apoia o plano, mas ressaltou que seu Exército permanecerá na maior parte de Gaza e repetiu que o Hamas precisa ser desarmado.
Trump pede ajuda à Turquia
O presidente norte-americano pediu à Turquia que convencesse o Hamas a negociar a paz com Israel, afirmou nesta quarta-feira o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.
"Durante nossa visita aos Estados Unidos e em nossa última conversa telefônica, ele pediu que nos encontrássemos com o Hamas e o convencêssemos", declarou Erdogan a jornalistas turcos, segundo declarações transmitidas pela presidência.
"Entramos rapidamente em contato com nossos interlocutores e o Hamas respondeu que estava disposto à paz e às negociações", acrescentou Erdogan, lembrando que uma delegação turca, liderada pelo chefe dos serviços de inteligência do país, participa das negociações indiretas em Sharm el-Sheikh, entre representantes israelenses e do Hamas.
"Estamos lutando há anos para pôr fim ao banho de sangue em Gaza e garantir a segurança dos oprimidos. Mantivemos contato com o Hamas ao longo de todo esse processo e continuamos em diálogo", insistiu Erdogan.
O ataque de 7 de outubro que desencadeou a guerra em Gaza causou a morte de 1.219 pessoas em Israel, em sua maioria civis, segundo balanço da AFP com base em dados oficiais. Das 251 pessoas sequestradas naquele dia, 48 continuam reféns em Gaza, praticamente a metade mortos, segundo o Exército israelense.
Em resposta, Israel lançou uma campanha militar que devastou o território palestino, provocou uma catástrofe humanitária e causou, segundo o Ministério da Saúde controlado pelo Hamas, mais de 67.160 mortes, a maioria de civis.
A ONU declarou estado de fome em parte de Gaza, e seus investigadores afirmam que Israel comete genocídio no território. As alegações são rejeitadas por Israel.
Com agências