Israel começa a reabrir fronteira de Gaza com o Egito, sob rígidas condições
Israel começou a reabrir neste domingo (1º) a passagem de Rafah, entre o Egito e a Faixa de Gaza, sob condições rigorosas. O posto de fronteira, vital para o transporte de ajuda humanitária para os territórios palestinos, está praticamente fechado desde maio de 2024.
Por enquanto, entretanto, a medida é parcial e o acesso será limitado a residentes do território. A reabertura de Rafah, a única passagem entre Gaza e o mundo exterior que contorna Israel, é exigida pela ONU e por ONGs internacionais para permitir o acesso da ajuda humanitária ao território palestino, devastado por mais de dois anos de guerra.
A reabertura completa faz parte do plano de cessar-fogo elaborado por Washington e assinado em outubro entre Tel Aviv e o grupo palestino Hamas. Mas as restrições impostas por Israel estão muito aquém das necessidades, ao limitar a passagem apenas a pessoas. "Uma fase piloto inicial começou hoje em coordenação com a Missão da União Europeia em Gaza e as autoridades competentes", afirmou o COGAT, órgão do Ministério da Defesa israelense responsável pelos assuntos civis nos territórios palestinos ocupados.
Segundo um funcionário do Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, "cerca de 200 pacientes" aguardavam no domingo a liberação da passagem de fronteira para poderem viajar ao Egito em busca de tratamento. Além disso, 40 funcionários da Autoridade Palestina aguardavam no Egito a aprovação israelense para passar, disse um funcionário palestino à AFP.
A reabertura limitada ocorre em meio a um frágil cessar-fogo entre Israel e o movimento islâmico palestino Hamas. No sábado, ataques aéreos israelenses mataram 32 pessoas, segundo a Defesa Civil de Gaza, em um dos dias mais violentos desde o início da trégua, em 10 de outubro de 2025. Israel afirmou que respondeu a violações do cessar-fogo por parte dos palestinos.
Palestinos esperam poder poder sair
A passagem de fronteira está fechada desde que as forças israelenses assumiram o seu controle, em maio de 2024, com exceção de uma liberação parcial no início de 2025, durante um cessar-fogo anterior. Israel havia alertado que Rafah só seria reaberta após a devolução do corpo de Ran Gvili, o último refém mantido em Gaza desde o início do conflito. Seu corpo foi devolvido em 26 de janeiro.
Na devastada Faixa de Gaza, muitos palestinos esperam poder sair. "A cada dia que passa, meu estado piora e minha vida está se esvaindo", lamenta Mohammed Shamiya, um homem de 33 anos que sofre de doença renal e necessita de diálise.
Safa al-Hawajri, uma jovem de 18 anos que recebeu uma bolsa de estudos para estudar no exterior, também está esperando. Toda a sua "esperança de realizar suas ambições está ligada à reabertura" de Rafah, explica ela.
A reabertura de Rafah, quando completa, também deverá permitir a entrada em Gaza dos 15 membros do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (CNAG), encarregados de administrar o território durante um período de transição sob a supervisão do "Conselho de Paz", presidido por Donald Trump.
Israel dá ultimato à Médicos Sem Fronteiras
Neste domingo, Tel Aviv decidiu encerrar as operações da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) nos territórios palestinos a partir de 28 de fevereiro, devido à recusa da organização em fornecer uma lista de seus funcionários palestinos. O anúncio foi feito pelo Ministério da Diáspora, responsável pelo registro de organizações humanitárias, salientando que a obrigação é "aplicável a todas as organizações humanitárias que atuam na região".
Com AFP