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Israel ataca Líbano após anúncio de cessar-fogo condicionado ao fim dos disparos do Hezbollah

A Agência Nacional de Informação (ANI) relatou ataques de drones israelenses ao longo de estradas em três localidades do sul do Líbano

4 jun 2026 - 06h18
(atualizado às 07h15)
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Pessoas transitam no local de um ataque israelense realizado na semana passada, em Tiro, Líbano, em 2 de junho de 2026.
Pessoas transitam no local de um ataque israelense realizado na semana passada, em Tiro, Líbano, em 2 de junho de 2026.
Foto: REUTERS - Aziz Taher / RFI

Em uma declaração conjunta divulgada na noite desta quarta-feira (3) para quinta-feira (4), Israel e o Líbano concordaram em "implementar um cessar-fogo" e criar "zonas piloto" que ficarão sob controle do Exército libanês. A trégua é condicionada à "suspensão completa" dos disparos do Hezbollah. Algumas horas depois do anúncio israelo-libanês, divulgado ao final de dois dias de negociações em Washington, vários ataques israelenses atingiram o sul do Líbano, informou a mídia estatal libanesa.

A Agência Nacional de Informação (ANI) relatou ataques de drones israelenses ao longo de estradas em três localidades do sul do Líbano. Pelo menos um dos bombardeios teria deixado vítimas. Segundo a ANI, um socorrista foi morto durante a noite e outro ficou ferido em um novo ataque em Zebdine, no distrito de Nabatieh, elevando para pelo menos 130 o número de socorristas e profissionais de saúde mortos desde o início da guerra.

Horas antes, o exército israelense anunciou que "a entrada de uma aeronave hostil" acionou o alerta aéreo em um vilarejo no norte de Israel, perto da fronteira com o Líbano.

Os ataques ocorrem após o acordo entre Israel e o Líbano anunciado na noite de quarta-feira, ao final de dois dias de negociações em Washington, conduzidas sob a mediação dos Estados Unidos.

Acordo de cessar-fogo

Os dois países concordaram na implementação de um cessar-fogo condicionado à suspensão total dos disparos do Hezbollah. O movimento xiita libanês pró-iraniano também deve "retirar" todos os seus membros da área ao sul do rio Litani, que fica a cerca de 30 quilômetros da fronteira com Israel.

Os dois países, que não mantêm relações diplomáticas, concordaram ainda em "avançar rapidamente na criação de zonas piloto" que ficarão sob o controle "exclusivo" das Forças Armadas Libanesas. Essa foi a quarta vez que delegações dos dois países se reuniram em Washington para negociações diretas.

Israel e o Líbano aceitaram participar de uma nova rodada de negociações na semana de 22 de junho com vistas a um "acordo global", acrescentou a declaração final.

Ministro israelense critica acordo

O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, figura da extrema direita, classificou nesta quinta-feira o acordo como um "grave erro".

"O cessar-fogo com o Líbano é um grave erro e uma ilusão de conselheiros que estão levando o primeiro-ministro (Benjamin Netanyahu) a tomar decisões equivocadas", escreveu o ministro na rede X.

Logo depois, o ministro da Defesa, Israel Katz, alertou que o exército israelenses irá "continuar os disparos e operações militares" no sul do Líbano.

Na terça-feira, Mahmoud Qomati, alto dirigente do Hezbollah, havia antecipado que o grupo xiita libanês não aceitaria um "cessar-fogo parcial" com Israel.

Em tese, um acordo de cessar-fogo está em vigor no Líbano desde 17 de abril, mas é sistematicamente desrespeitado tanto por Israel quanto pelo Hezbollah. As duas partes realizam ataques em ritmo quase diário e se acusam mutuamente de violar a trégua.

Na quarta-feira, bombardeios israelenses deixaram ao menos 10 mortos no Líbano. Após novos ataques contra Israel reivindicados pelo Hezbollah, o exército israelense ameaçou atacar o subúrbio sul de Beirute em caso de agressão ao seu território.

Na madrugada desta quinta-feira, o movimento pró-Irã declarou ter lançado foguetes contra o exército israelense em Al-Qantara, no sul do Líbano, além de ter atingido com dois drones um posto de comando israelense próximo ao castelo histórico de Chqif.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 600 pessoas foram mortas no Líbano desde 17 de abril.

Os ataques israelenses deixaram 3.516 mortos desde 2 de março, início da guerra no Líbano, e deslocaram mais de um milhão de pessoas, segundo as autoridades. Do lado israelense, 26 soldados e um prestador de serviços civil foram mortos no Líbano.

Trump quer negociações separadas

Na quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insistiu em "separar" as discussões sobre o Líbano das relacionadas ao Irã.

Teerã discorda. O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, alerta que qualquer ataque à capital libanesa provocaria "uma retomada em larga escala da guerra" na região.

O presidente Donald Trump declarou desejar "se encontrar" com o líder supremo iraniano Mojtaba Khamenei. "Eu gostaria de encontrá-lo. Adoraria me encontrar com todo mundo e provavelmente iremos nos encontrar, dependendo do que acontecer", afirmou em entrevista ao site do New York Post, na quarta-feira.

Com AFP

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