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Câmara dos EUA aprova resolução que limita poderes de Trump: os avanços na tentativa de encerrar as guerras no Irã e no Líbano

Republicanos se juntaram aos Democratas para aprovar medida que tenta impedir novas ações militares no Irã; enquanto isso, cessar-fogo entre Israel e Líbano é anunciado.

3 jun 2026 - 22h21
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Capitólio dos EUA
Capitólio dos EUA
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos (EUA) aprovou nesta quarta-feira (3/6) uma medida que busca impedir o presidente Donald Trump de realizar novas ações militares contra o Irã.

A votação foi apertada, com 215 a favor e 208 contra — quatro republicanos se juntaram aos democratas em uma rara demonstração pública de desaprovação da guerra, iniciada em fevereiro.

Esta foi a quarta tentativa da Câmara de limitar os poderes de guerra de Trump, que, segundo críticos, precisam de aprovação do Congresso.

A resolução ainda precisa passar pelo Senado, que é controlado pelos Republicanos. Mesmo que seja aprovada, é improvável que ela consiga restringir totalmente as ações militares contra o Irã.

Trump poderia vetar a medida, e para derrubar o veto seria necessária uma maioria de dois terços em ambas as Casas legislativas.

Em maio, o Senado conseguiu avançar em uma resolução semelhante, após sete tentativas frustadas. Apesar disso, ainda não houve votação no plenário.

Câmara dos Representantes durante votação
Câmara dos Representantes durante votação
Foto: BBC News Brasil

Na votação desta quarta, os republicanos Thomas Massie, Brian Fitzpatrick, Tom Barrett e Warren Davidson se juntaram aos democratas para aprovar a resolução na Câmara.

O democrata Jared Golden, do Maine, que antes havia sido contra as medidas, declarou apoio desta vez.

"Somente o Congresso declara guerra, isso é algo que certamente precisamos proteger", disse Barrett, republicano de Michigan.

Questionado se temia represálias de Trump por seu voto, Barrett respondeu: "Eu voto de acordo com minha consciência, pelo que acho certo, e estou disposto a aceitar isso."

O deputado Gregory Meeks, principal democrata no Comitê de Relações Exteriores da Câmara, descreveu a votação como uma "repreensão bipartidária significativa à guerra ilegal do presidente Trump no Irã e o primeiro passo para encerrá-la de uma vez por todas".

Meeks afirmou que Trump não conseguiu atingir os objetivos declarados da guerra, ao mesmo em que aumentou os preços dos combustíveis no país e tornou ainda mais difícil uma solução diplomática para o programa nuclear iraniano.

"A aprovação desta medida hoje sinaliza um ponto de virada significativo: cada vez mais republicanos estão ouvindo seus eleitores, que não querem outra guerra sem fim no Oriente Médio", disse.

Apesar de um acordo de cessar-fogo, os EUA realizaram ataques contra o Irã nos últimos dias, enquanto Teerã respondeu com ofensivas contra o Kuwait, aliado norte-americano.

Antes da votação, Trump voltou a afirmar que as negociações para encerrar a guerra estão indo "muito bem" e poderiam ser finalizadas neste fim de semana.

"Acertamos eles bem forte na noite anterior e também na última noite", disse Trump a repórteres na Casa Branca nesta quarta-feira, referindo-se aos ataques no Irã.

"Algumas pessoas diriam que eles foram ligeiramente provocados porque tomamos uma ação forte por uma razão diferente, então eles estavam apenas revidando."

Cessar-fogo entre Israel e Líbano

Em meio aos esforços para pôr fim à guerra, Israel e Líbano chegaram a um acordo de cessar-fogo nesta quarta-feira. A trégua foi anunciada por meio de um comunicado oficial do Departamento de Estado dos Estados Unidos, que mediava as negociações

Segundo o documento, o acordo está condicionado à "interrupção completa" dos ataques realizados pelo Hezbollah, grupo armado apoiado pelo Irã, além de outras exigências.

O anúncio ocorre após uma escalada de violência na região. Nesta quarta, ataques israelenses mataram pelo menos nove pessoas no sul do Líbano, enquanto o Hezbollah lançou foguetes contra o norte de Israel.

"Todos os países reafirmaram que o futuro da relação entre Israel e Líbano deve ser determinado pelos dois governos soberanos. Também rejeitaram qualquer tentativa, por parte de Estados ou atores não estatais, de manter o futuro do Líbano como refém", afirma o comunicado.

Outro ponto do acordo prevê a retirada de todos os integrantes do Hezbollah de uma área controlada por Israel no sul do Líbano, que se estende da fronteira até o rio Litani e é denominada no texto como Setor Sul do Litani.

Bombardeio em uma área com uma fumaça cinza subindo
Bombardeio em uma área com uma fumaça cinza subindo
Foto: Reuters / BBC News Brasil

No fim de março, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou que as Forças de Defesa de Israel (IDF) estabeleceriam uma zona de segurança em uma ampla área do sul do Líbano. A medida impediria o retorno de milhares de moradores deslocados até que o norte de Israel fosse considerado seguro.

O novo acordo ocorre após um cessar-fogo parcial firmado na segunda-feira (1/6), que foi colocado à prova com novos ataques durante a semana.

Os dois países voltarão a se reunir em 22 de junho para novas negociações, com o objetivo de alcançar um acordo mais amplo e definitivo. Até o momento, o Hezbollah não se pronunciou publicamente sobre o anúncio.

O Líbano passou a integrar o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã em 2 de março, quando o Hezbollah lançou foguetes contra Israel em resposta a um ataque israelense que matou o líder supremo do Irã.

Israel reagiu com uma campanha aérea em todo o território libanês e uma ofensiva terrestre no sul do país.

O Hezbollah é um grupo político e militar xiita sediado no Líbano e envolvido em diversos confrontos armados com Israel ao longo dos anos. A organização é considerada terrorista por Israel e por vários países, incluindo Estados Unidos e Reino Unido.

Um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos em 16 de abril, contudo, não conseguiu interromper os combates.

Na semana passada, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou a intensificação dos bombardeios contra o Hezbollah e o avanço das tropas israelenses para áreas do território libanês, em resposta aos ataques com drones e foguetes contra comunidades no norte de Israel.

De acordo com o Ministério da Saúde do Líbano, pelo menos 3.516 pessoas morreram no país desde o início da guerra. Os dados não diferenciam combatentes e civis.

A Organização das Nações Unidas (ONU) afirma que mais de um milhão de pessoas estão registradas como deslocadas no Líbano.

Segundo Israel, 26 soldados e quatro civis israelenses morreram em ambos os lados da fronteira desde o início do conflito.

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