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Israel e Líbano concordam em implementar cessar-fogo, aumentando expectativas de um acordo com Irã

4 jun 2026 - 06h28
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Israel e o Líbano concordaram em implementar um cessar-fogo para pôr fim às hostilidades, informou o governo Trump ‌na quarta-feira, o que reforça as esperanças de um acordo mais abrangente para encerrar a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.

Teerã, que havia condicionado qualquer acordo com os EUA, em parte, ao fim dos combates entre Israel e Líbano, anteriormente atacou o Kuweit, danificando seu aeroporto e ferindo dezenas de pessoas, enquanto os militares dos EUA realizavam ataques perto do Estreito de Ormuz.

O cessar-fogo entre Israel e o Líbano depende da cessação total dos ataques por parte da milícia Hezbollah, aliada ao Irã, e da retirada de todos os seus membros do Setor do Sul do Litani, segundo uma declaração conjunta divulgada pelo Departamento ⁠de Estado dos EUA após negociações em Washington.

As duas partes haviam acordado no mês passado um cessar-fogo, mas os enfrentamentos continuaram. Israel invadiu o Líbano em março em ‌busca do grupo militante libanês Hezbollah, que disparou através da fronteira em apoio a Teerã.

Os ataques no Kuweit e no estreito são os últimos a testar um cessar-fogo instável entre os EUA, Israel e Irã, fazendo com que os preços do petróleo subissem quase 2%, já que o estreito permanece praticamente fechado mais de ‌três meses depois que os EUA e Israel lançaram ataques contra o Irã.

Os voos no Aeroporto ‌Internacional do Kuweit foram suspensos depois que um ataque iraniano com drones e mísseis danificou as instalações do aeroporto e as missões diplomáticas, matando uma ⁠pessoa e ferindo mais de 60 outras, informaram as autoridades do Kuweit e a mídia estatal.

A Guarda Revolucionária, força de elite do Irã, afirmou não ter disparado contra o aeroporto do Kuweit e atribuiu a destruição a mísseis interceptadores norte-americanos que não atingiram seus alvos, segundo a mídia estatal iraniana.

As Forças Armadas dos EUA afirmaram que essa informação não é correta e que drones iranianos atacaram o aeroporto deliberadamente.

Anteriormente, a mídia iraniana informou que a Guarda Revolucionária havia atacado o quartel-general da Quinta Frota dos EUA no Barein e uma base aérea dos EUA, bem como um navio identificado como Panaya. O Comando Central dos EUA negou que suas ‌bases tenham sido atingidas e disse que os mísseis balísticos iranianos não conseguiram atingir seus alvos na região.

O CENTCOM informou ter realizado uma nova série de "ataques defensivos" no sul ‌do Irã, tendo como alvo bases de lançamento de ⁠mísseis e embarcações iranianas que tentavam lançar ⁠minas, além de ter realizado ataques na Ilha de Qeshm, próxima ao Estreito de Ormuz, após tentativas de ataque por parte do Irã.

CESSAR-FOGO TENSIONADO

Desde o início dos ataques norte-americanos ⁠e israelenses contra o Irã, em 28 de fevereiro, Teerã tem atacado repetidamente alvos na região do ‌Golfo, onde ficam as bases militares dos EUA.

As ‌hostilidades têm se intensificado periodicamente nas últimas semanas, apesar do cessar-fogo acordado no início de abril, à medida que os EUA pressionam pela reabertura do Estreito de Ormuz, que movimentava cerca de um quinto dos embarques globais de petróleo e gás natural liquefeito antes da guerra.

Na semana passada, o Irã e os EUA sinalizaram progresso em direção a um acordo inicial provisório para interromper a guerra e reabrir o estreito, mas os dois lados ainda ⁠não assinaram o acordo, o que deixaria negociações mais complexas para depois.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse à emissora libanesa Al Mayadeen na quarta-feira que as negociações não foram interrompidas, mas que não houve progresso.

Além de Teerã condicionar um acordo ao fim dos combates no Líbano, o país também quer acesso a bilhões de dólares em receitas do petróleo, isenções das sanções sobre as exportações de petróleo bruto, o levantamento do bloqueio dos EUA aos seus portos e a manutenção de influência sobre o estreito.

O presidente dos EUA, Donald Trump, que está ‌sob pressão para reduzir os preços dos combustíveis, afirmou que sua principal prioridade é impedir que o Irã adquira armas nucleares. O Irã afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos. Em uma entrevista em podcast divulgada na quarta-feira, Trump disse que o Irã havia concordado em não possuir armas nucleares e ⁠que Khamenei estava envolvido nas negociações.

Mais tarde, na quarta-feira, Trump sugeriu que poderia haver progresso nas negociações com o Irã já neste fim de semana.

"Se acontecer, pode acontecer no fim de semana", disse Trump aos repórteres no Salão Oval da Casa Branca, sem detalhar o que ele esperava que acontecesse dentro desse prazo.

Trump afirmou que as partes estavam trabalhando para separar a questão da reabertura do estreito do conflito no Líbano. 

ISRAEL MANTÉM ATAQUES AO LÍBANO

A guerra matou milhares de pessoas, principalmente no Irã e no Líbano, ao mesmo tempo em que causou sofrimento econômico global ao interromper gravemente o fornecimento de energia e outros transportes.

Ela também provocou a mais recente rodada de enfrentamentos entre Israel e o Hezbollah.

Na quarta-feira, ataques de drones israelenses mataram pelo menos seis pessoas no sul do Líbano e alvejaram um carro ao sul de Beirute, disseram fontes de segurança libanesas, enquanto Israel disse que interceptou uma aeronave hostil provavelmente disparada pelo Hezbollah.

Araqchi disse que o Irã responderia de forma decisiva se Israel atacasse Beirute.

Em comentários feitos em seu podcast, Trump reconheceu ter chamado o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, de "louco" durante uma conversa telefônica que, segundo reportagens, foi repleta de palavrões, a respeito dos combates no Líbano, enquanto buscava um acordo sobre a guerra em geral. 

Em algum momento eu disse: "Bibi, temos que parar com isso. Temos que parar com isso", disse Trump, referindo-se a Netanyahu pelo seu apelido.

Netanyahu disse à CNBC em uma entrevista que ele e Trump às vezes tinham "discordâncias táticas", mas que concordavam com as principais questões relativas ao Irã.

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