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Irã: UE classifica Guardiões da Revolução como organização terrorista e impõe sanções a autoridades

Os ministros das Relações Exteriores da União Europeia concordaram, nesta quinta-feira (29), em designar os Guardiões da Revolução (IRGC) do Irã como uma "organização terrorista", em resposta à repressão brutal das manifestações contra o governo iraniano, anunciou a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas. A decisão, considerada em grande parte simbólica, também inclui sanções contra 15 autoridades iranianas e seis entidades, com congelamento de bens e restrição de vistos.

29 jan 2026 - 15h52
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"A repressão não pode ficar sem resposta", escreveu Kallas em sua conta na rede social X. "Todo regime que mata milhares de seus próprios cidadãos trabalha para a sua própria ruína", acrescentou, destacando que a medida coloca o IRGC "no mesmo patamar" de grupos terroristas como al-Qaeda, Hamas e Estado Islâmico.

Guardiões da Revolução reunidos durante um discurso do líder supremo iraniano, Ali Khamenei.
Guardiões da Revolução reunidos durante um discurso do líder supremo iraniano, Ali Khamenei.
Foto: © Program33 / RFI

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, saudou a decisão. Ela afirmou, também pelo X, que "'terrorista' é como se deve qualificar um regime que reprime manifestações de seu próprio povo com sangue".

O IRGC é o braço ideológico das forças de segurança de Teerã, criado após a Revolução Islâmica de 1979 para proteger a liderança clerical e garantir a ideologia xiita do regime. Sua força voluntária, o Basij, tem papel central na repressão aos protestos.

A medida da UE surge depois de França e Itália terem anunciado apoio à iniciativa, após, em um primeiro momento, se mostrarem resistentes à proposta. A designação do IRGC como organização terrorista é vista como um gesto político para sinalizar repúdio à violência contra manifestantes e à violação de direitos humanos no país.

A designação dos Guardiões da Revolução como "organização terrorista" é um "erro estratégico grave", afirmou nesta quinta-feira (29) o chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi. "Vários países estão tentando, neste momento, evitar a eclosão de uma guerra total em nossa região. Nenhum deles é europeu. A Europa, ela, alimenta o fogo", escreveu o chanceler na rede social X.

"Pronto para a guerra"

O vice-presidente iraniano, Mohammad Reza Aref, reagiu nesta quinta-feira (29) diante das ameaças de uma intervenção militar dos Estados Unidos.

"Hoje devemos estar preparados para a guerra. A República Islâmica do Irã nunca inicia um conflito, mas se ele for imposto, se defenderá com força", afirmou, segundo a agência de notícias Isna.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu nesta quinta-feira diálogo com o Teerã. "Condenamos veementemente a horrível repressão que ocorreu no Irã", declarou o chefe da ONU durante coletiva de imprensa na sede da organização, em Nova York.

"Acompanhamos com preocupação as discussões em andamento e consideramos importante que se estabeleça um diálogo para chegar a um acordo, em especial sobre a questão nuclear, evitando assim uma crise que poderia ter consequências devastadoras para a região", acrescentou.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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