Cada vez mais homens fazem cirurgia estética na América Latina; redes sociais impulsionam tendência
Os homens recorrem cada vez mais à cirurgia estética, um movimento particularmente visível no Oriente Médio e na América Latina, segundo dados apresentados nesta quinta-feira (29), em Paris, durante um congresso mundial do setor. O fenômeno reflete mudanças nos padrões de masculinidade, maior pressão estética e a popularização de procedimentos menos invasivos.
Entre 2018 e 2024, o número de cirurgias estéticas realizadas em homens cresceu 95%, enquanto os tratamentos não cirúrgicos - como aplicações de toxina botulínica, preenchimentos, laser e peelings - avançaram 116% entre pacientes do sexo masculino, de acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS, na sigla em inglês). No mesmo período, o crescimento entre as mulheres foi de 59% nas cirurgias e de 55% nos procedimentos não invasivos.
"Essa dinâmica, especialmente significativa no Oriente Médio e na América Latina, reflete uma transformação profunda das normas sociais e uma aceitação crescente dos cuidados estéticos por parte dos homens", aponta uma análise de mercado apresentada durante o congresso IMCAS, que vai até 31 de janeiro na capital francesa. Apesar do avanço, os homens ainda respondem por apenas 16% do total dos procedimentos realizados no mundo.
Especialistas associam essa tendência a diferentes fatores, como a influência das redes sociais, a valorização da imagem no mercado de trabalho e o aumento da expectativa de vida ativa. Em muitos países latino-americanos, a estética já integra a cultura de cuidados pessoais, enquanto no Oriente Médio o crescimento está ligado ao aumento da renda, à urbanização acelerada e à busca por padrões globais de aparência.
Segundo projeções divulgadas no congresso, o mercado global de medicina estética deve manter um crescimento médio anual de 5% até 2030, impulsionado pela demanda consistente e pela ampliação do número de pacientes, incluindo homens cada vez mais jovens.
Um mercado que concentra bilhões
Ao mesmo tempo, o setor tende a enfrentar uma pressão competitiva crescente, sobretudo nos segmentos de toxinas botulínicas e injeções de ácido hialurônico. Juntos, esses dois tipos de procedimentos concentram mais da metade do mercado mundial da medicina estética e movimentaram € 9,6 bilhões (R$ 59,6 bilhões) em 2025.
"Estamos entrando em uma estética orientada pelo consumidor. Há dez ou quinze anos, esses procedimentos ainda eram vistos como algo muito elitizado", afirmou à AFP Laurent Brones, especialista financeiro da IMCAS. Segundo ele, a maior oferta, a redução dos custos e a normalização do discurso sobre estética contribuíram para ampliar o público.
Outro fator decisivo é a mudança geracional. "As gerações Z e millennial recorrem à medicina estética muito mais cedo do que as anteriores", observa o IMCAS, citando o uso preventivo de tratamentos como toxina botulínica e cuidados com a pele.
Os Estados Unidos seguem liderando o mercado global, com cerca de 45% de participação em 2025. O país concentra o maior número de procedimentos estéticos não cirúrgicos e domina o segmento de toxinas botulínicas, respondendo por 56% da demanda mundial.
Com AFP