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Irã prende milhares em campanha de detenções em massa após reprimir protestos, dizem fontes

29 jan 2026 - 15h25
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Forças de segurança iranianas à paisana prenderam milhares de pessoas em uma campanha de detenções em massa e intimidação para impedir novos protestos após reprimir a onda de distúrbios mais sangrenta desde a Revolução Islâmica de 1979, disseram fontes ouvidas pela Reuters.

Iniciados no mês passado no Grande Bazar de Teerã, protestos modestos contra dificuldades econômicas desencadearam queixas mais ‌amplas há muito reprimidas e rapidamente se transformaram na mais grave ameaça existencial à teocracia xiita do Irã em quase cinco décadas, com os manifestantes pedindo a renúncia ‌dos clérigos governantes.

Autoridades cortaram o acesso à internet e reprimiram os distúrbios com força avassaladora, matando milhares de pessoas, de acordo com grupos de direitos humanos. Teerã culpa "terroristas armados" ligados a Israel e aos Estados Unidos pela violência.

Em poucos dias, forças de segurança à paisana lançaram uma campanha de prisões em massa, acompanhada por uma presença intensificada nas ruas em postos de controle, de acordo com cinco ativistas que falaram sob condição de anonimato de dentro do Irã.

Segundo eles, os detidos foram colocados em celas secretas.

"Eles ‍estão prendendo todo mundo", disse um dos ativistas.

"Ninguém sabe para onde estão sendo levados ou onde estão sendo mantidos. Com essas prisões e ameaças, eles estão tentando instigar o medo na sociedade."

Relatos semelhantes foram feitos à Reuters por advogados, médicos, testemunhas e dois funcionários iranianos sob condição de anonimato, para evitar retaliação por parte dos serviços de segurança.

Eles afirmam que as prisões parecem ter como objetivo impedir qualquer retomada séria dos protestos, espalhando o medo, justamente quando ‌o establishment clerical enfrenta crescente pressão internacional.

A incerteza sobre a possibilidade de uma ação militar contra a República Islâmica persiste ‌desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na semana passada que uma "armada" estava se dirigindo ao país, mas esperava não ter que usá-la.

Na quarta-feira, porém, ele reforçou suas ameaças ao exigir que o Irã negocie restrições ao seu programa nuclear, alertando que qualquer ataque futuro dos EUA seria "muito pior" do que os bombardeios em junho passado a três instalações nucleares.

Diversas fontes ocidentais e do Oriente Médio disseram à Reuters nesta semana que Trump avalia opções contra o Irã, incluindo ataques direcionados a forças de segurança e líderes para inspirar os manifestantes, embora autoridades israelenses e árabes tenham afirmado que o poder aéreo por si só não deve derrubar o establishment clerical.

Um dos ativistas disse que as forças de segurança estão detendo não apenas pessoas acusadas de envolvimento nos últimos distúrbios, mas também aquelas presas durante protestos em anos anteriores, "mesmo que não tenham participado desta vez, além de membros de suas famílias".

O último número de mortos compilado pelo grupo de direitos humanos HRANA, com sede nos Estados Unidos, chega a 6.373 — sendo 5.993 manifestantes, 214 integrantes das forças de segurança, 113 menores de 18 anos e 53 transeuntes. O número de presos está em 42.486, segundo a HRANA.

Autoridades judiciais alertaram que "aqueles que cometerem sabotagem, queimarem propriedade pública e se envolverem em confrontos armados com as forças de segurança" podem enfrentar penas de morte.

O escritório de direitos humanos da ONU disse à Reuters nesta quinta-feira que avalia o número de detidos como muito alto e que há risco de tortura e julgamentos injustos. Mai Soto, relatora especial da ONU para o Irã, disse que entre os milhares de detidos há médicos e profissionais de saúde.

Dois funcionários iranianos, falando sob condição de anonimato, confirmaram à Reuters que milhares de prisões foram realizadas nos últimos dias.

Eles disseram que muitos detidos estavam sendo ‌mantidos em locais de detenção não oficiais, "incluindo armazéns e outros locais improvisados", e que o Judiciário age rapidamente para processar os casos.

Autoridades iranianas se recusaram a comentar publicamente o número de prisões ou dizer onde os detidos são mantidos. 

A Anistia Internacional informou em 23 de janeiro que "detenções arbitrárias em massa, desaparecimentos forçados, proibições de reuniões e ataques para silenciar as famílias das vítimas marcam a militarização sufocante imposta no Irã pelas autoridades da República Islâmica após os massacres durante os protestos".

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