Irã alerta que vai se desvincular de acordo com EUA se país mantiver ataques, mas mantém negociações
O Irã anunciou nesta segunda-feira (13) que não estará mais vinculado ao memorando de entendimento concluído em junho com os Estados Unidos caso o país não respeite os compromissos assumidos para pôr fim à guerra no Oriente Médio e mantenha os ataques contra o território iraniano.
Donald Trump declarou na quarta-feira (8) que o acordo provisório de cessar-fogo assinado em junho entre os dois países estava "encerrado". O presidente americano, que alternou comentários otimistas e ameaças desde o início do conflito, em fevereiro, deu a entender que poderia manter as negociações.
O Irã também garantiu, nesta segunda, que mantém negociações diplomáticas com Qatar, Paquistão e Omã, países que atuam como mediadores. Segundo o porta-voz da diplomacia iranania, Esmail Baghai, Teerã tem mantido contatos nos últimos dias com os três países.
Em meio à retomada das tensões, a Guarda Revolucionária iraniana reivindicou nesta segunda novos ataques contra instalações americanas localizadas em Omã e no Bahrein, de acordo com comunicado publicado no site da organização.
"Além de atingir instalações e infraestruturas do Exército americano em Juffair, no Bahrein, onde incêndios estão em curso, a Marinha da Guarda Revolucionária atacou e destruiu" radares, incluindo um sistema de detecção de embarcações em Omã, de acordo com texto divulgado pela agência Sepah News.
EUA voltam a bombardear Irã no fim de semana
Os Estados Unidos voltaram a bombardear o Irã neste fim de semana. Esses são os maiores ataques desde o cessar-fogo de 8 de abril e a ofensiva ocorreu após a decisão de Teerã de fechar novamente o Estreito de Ormuz, estratégico para o comércio mundial de hidrocarbonetos.
O acordo, assinado em 17 de junho entre Irã e EUA, previa a reabertura do estreito, mas Teerã autoriza apenas um único corredor de navegação ao longo de seu litoral, ameaçando embarcações que se desviem dessa rota. O país também reivindica o direito de impor taxas de passagem.
Após a assinatura do protocolo, o tráfego marítimo havia alcançado seu nível mais alto desde o fim de fevereiro. "Essa passagem estratégica é mais importante do que dezenas de bombas atômicas, e a República Islâmica do Irã a protegerá", advertiu Mohsen Rezai, conselheiro militar do líder supremo iraniano, citado pela agência Isna. Por sua vez, o Centcom (Comando Central dos Estados Unidos para o Oriente Médio) afirmou que a via marítima continua aberta e que "o Irã não controla o estreito."
Desde os ataques iranianos de terça-feira (7) contra navios que tentavam atravessar Ormuz, os combates recomeçaram com intensidade inédita em várias semanas. Neste fim de semana, as forças americanas "atingiram sistemas iranianos de defesa aérea, radares costeiros, capacidades de mísseis e drones, bem como pequenas embarcações", informou o Centcom na rede X.
— U.S. Central Command (@CENTCOM) July 13, 2026
Segundo meios de comunicação estatais iranianos, os bombardeios americanos atingiram extensas áreas do oeste e do sul do Irã, incluindo a ilha de Qeshm e Bandar Abbas, na região de Ormuz, além da província de Khuzistão, na fronteira com o Iraque.
Em Mahshahr, no sudoeste do país, um ataque americano matou ao menos uma pessoa e deixou quatro feridos, segundo uma autoridade local citada pela agência oficial Irna. No domingo à noite, a mesma agência havia informado uma morte e dois feridos na ilha de Farur, no Golfo Pérsico.
O objetivo de Washington é o mesmo de domingo: tentar impedir que Teerã "ataque tripulações civis e navios comerciais" no Estreito de Ormuz, segundo o Centcom.
Os Estados Unidos acusam o Irã de ter atingido durante o fim de semana o GFS Galaxy, um navio porta-contêineres de bandeira cipriota, no estreito. Vinte e três tripulantes foram resgatados e outro continua desaparecido, anunciou no domingo o sultanato de Omã, que prossegue com as buscas.
Em represália, a Guarda Revolucionária afirmou ter bombardeado bases militares no Golfo utilizadas pelo Exército americano, localizadas na Jordânia, no Bahrein e no Kuwait. O Exército jordaniano anunciou ter abatido quatro mísseis iranianos sobre o território do país, acrescentando que não houve feridos nem danos materiais.
O Bahrein ativou, como já havia feito no domingo, as sirenes de alerta aéreo. No domingo, o governo do Kuwait já havia relatado um ataque contra três postos fronteiriços e uma plataforma petrolífera marítima, sem atribuir oficialmente a autoria.
França pede que Irã respeite acordo
Mais cedo, o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu a Washington e Teerã à "máxima contenção" e à retomada urgente das negociações.
Já o ministro francês das Relações Exteriores disse nesta segunda que o fim das sanções europeias contra o Irã não ocorrerá enquanto o país não renunciar a seu programa nuclear e às ações consideradas desestabilizadoras na região.
"Não haverá nenhum levantamento das sanções contra o regime iraniano enquanto ele não renunciar ao seu programa nuclear, ao seu projeto revolucionário que desestabiliza a região e ao seu programa de mísseis balísticos, alguns dos quais poderão um dia ter capacidade de atingir a Europa", declarou Jean-Noël Barrot à BFMTV/RMC.
"E enquanto não devolver ao povo iraniano a liberdade de construir o seu próprio futuro", acrescentou. Questionado sobre o aumento das tensões entre o Irã e os Estados Unidos, o ministro francês evitou afirmar que a guerra foi retomada.
"Existe um acordo que foi alcançado e que permite coisas muito simples, ou seja, o fim dos combates, a reabertura do Estreito de Ormuz e o início de uma negociação para enquadrar o programa nuclear iraniano", afirmou. Ele voltou a pedir a todas as partes que retornem "ao protocolo de negociação estabelecido por esse acordo porque elas não têm nenhum interesse numa escalada" do conflito.
Com agências
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