Teerã ataca países do Golfo após ofensiva dos EUA contra o Irã e volta a fechar Ormuz
O Irã anunciou neste domingo (12) o fechamento do Estreito de Ormuz após uma nova escalada de hostilidades com os Estados Unidos, desencadeada por um ataque a uma embarcação na via navegável. O episódio comprometeu ainda mais o cessar-fogo entre os dois países, que teoricamente seguia em vigor. Na manhã de domingo, países vizinhos do Golfo também foram alvo de ataques.
Nesse contexto, o ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, que atua como mediador no conflito, pediu uma "desescalada" e exortou ambos os lados a "exercerem moderação".
Autoridades do Kuwait e dos Emirados Árabes Unidos relataram ataques aéreos. Sirenes de alerta soaram no Bahrein, enquanto jornalistas da AFP no Catar ouviram explosões e testemunharam interceptações nos céus ao sul da capital, Doha.
Autoridades catarianas confirmaram a interceptação de mísseis. Em comunicado citado pela imprensa estatal, a Guarda Revolucionária afirmou ter atacado uma base aérea dos EUA no Catar "em resposta aos ataques contínuos" dos Estados Unidos.
A força militar ideológica da República Islâmica também reivindicou a autoria de um raro ataque ao vizinho Omã. Segundo a agência IRIB, o grupo declarou ter destruído bases de apoio logístico para porta-aviões americanos no porto de Duqm.
A Jordânia, por sua vez, informou ter sido alvo de três mísseis iranianos.
Fechamento de Ormuz e ataque à embarcação
Mais cedo, o Irã havia anunciado o fechamento do Estreito de Ormuz "até segunda ordem", após abrir fogo contra uma embarcação na região.
"Várias embarcações tentaram seguir uma rota não autorizada e ignoraram nossos avisos e sinais", declarou a Guarda Revolucionária. "Uma embarcação que comprometeu a segurança marítima ao desativar seus sistemas foi atingida por tiros de advertência e detida", acrescentou.
Segundo a agência britânica de segurança marítima UKMTO, o ataque ocorreu a 9 milhas náuticas (cerca de 17 km) a leste da Península de Musandam, pertencente ao Sultanato de Omã, e provocou um incêndio a bordo, obrigando a tripulação a abandonar o navio em um bote salva-vidas.
Em resposta, o Comando Central dos EUA (Centcom) anunciou ter realizado cerca de 140 ataques contra alvos militares no Irã. Foi a terceira onda de bombardeios desde terça-feira (7), tendo como alvo "instalações de mísseis e drones iranianos, ativos navais, depósitos de munição, redes de comunicação e postos de vigilância costeira".
A imprensa iraniana relatou explosões no sul do país, nas cidades de Bandar Abbas, Sirik e Jask, na ilha de Qeshm e também na província do Khuzistão, na fronteira com o Iraque. Não houve relatos imediatos de vítimas.
"O Irã fez uma má escolha. Agora está pagando o preço", escreveu o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, na rede social X.
Segundo o Centcom, a embarcação atingida pelo Irã é o GFS Galaxy, um navio porta-contêineres de bandeira cipriota. Um integrante civil da tripulação está desaparecido.
"O Estreito de Ormuz permanecerá fechado até segunda ordem e até a conclusão das operações dos EUA na região. Nenhuma embarcação terá permissão para passar", escreveu a Guarda Revolucionária, que depois anunciou ter atingido "uma segunda embarcação que violava as regulamentações no Estreito de Ormuz", sem fornecer mais detalhes.
Teerã permite atualmente apenas uma rota de navegação ao longo de sua costa e rejeita qualquer retorno à situação anterior à guerra, quando a passagem pelo Estreito de Ormuz era irrestrita, posição contestada pelos Estados Unidos.
Negociações
No sábado (11), Irã e Omã realizaram negociações sobre o tema, com a participação de uma delegação do Catar, outro país que atua como mediador. Segundo autoridades diplomáticas iranianas, "os futuros arranjos para a gestão do tráfego no Estreito de Ormuz devem ser elaborados conjuntamente pelos dois Estados costeiros", que "concordaram em continuar as discussões nos níveis político, técnico e jurídico para chegar a um consenso sobre a segurança da navegação no Estreito".
Os Estados Unidos haviam realizado ataques contra o Irã na noite de terça para quarta-feira e novamente na noite seguinte, após responsabilizarem Teerã por ataques a navios comerciais. Em retaliação, o Irã atingiu alvos no Kuwait, no Bahrein e no Catar.
Em 17 de junho, Washington e Teerã assinaram um memorando de entendimento acompanhado de um cessar-fogo, estabelecendo um prazo de 60 dias para encontrar uma solução definitiva para a guerra.
Desde então, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou repetidamente que o cessar-fogo estava "encerrado" devido aos ataques iranianos contra navios, ao mesmo tempo em que autorizava a continuidade das negociações.
Enquanto isso, o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, alertou no sábado que a "vingança" era "inevitável" após o funeral de seu pai e antecessor, Ali Khamenei, morto no início da guerra.
Na sexta-feira, Donald Trump acusou o Irã de conspirar para assassiná-lo e voltou a prometer "dizimar e destruir completamente todas as regiões do Irã" caso o país tente fazê-lo.
Com AFP
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