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Guru digital de Salvini é investigado por crime de drogas

Luca Morisi idealizou estratégia do senador nas redes sociais

27 set 2021 14h23
| atualizado às 14h29
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Luca Morisi, ex-responsável pela estratégia do líder de extrema direita Matteo Salvini nas redes sociais, virou alvo de uma investigação na Itália por suposta cessão de drogas.

Luca Morisi (esquerda) cuidava das redes socais de Salvini
Luca Morisi (esquerda) cuidava das redes socais de Salvini
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A notícia chega três dias depois de Morisi, um dos aliados mais próximos do senador, ter anunciado sua saída do cargo de administrador dos perfis do político e de seu partido, a Liga, nas redes sociais.

A renúncia de Morisi causou surpresa na Itália, já que ele era responsável pela bem-sucedida estratégia digital de Salvini, que é baseada no uso intensivo de plataformas como Twitter e Facebook para condenar imigrantes e o consumo de drogas.

Segundo o Ministério Público de Verona, Morisi é investigado por "suposta cessão de substância entorpecente", cuja natureza ainda é objeto de análises laboratoriais. Além disso, foi encontrada em sua casa uma pequena quantidade de cocaína compatível com uso pessoal, o que configuraria apenas um delito administrativo.

O inquérito nasceu após três jovens parados pela polícia com narcóticos em um carro terem dito que a substância havia sido fornecida por Morisi.

Em sua página no Facebook, Salvini, que sempre empregou tons duros contra usuários de drogas, disse que Morisi "fez mais mal a si mesmo do que aos outros". "Amizade e lealdade são a vida para mim. Quero você bem, meu amigo, pode contar comigo sempre", escreveu.

Já Morisi negou ter cometido qualquer crime, mas pediu desculpas a Salvini e à Liga por suas "fraquezas". "O episódio pessoal que me diz respeito representa uma grave queda como homem. É um momento muito doloroso da minha vida e que revela fragilidades existenciais não resolvidas", disse o estrategista, de acordo com comunicado do partido de extrema direita.

No início de 2020, durante uma campanha para eleições regionais na Itália, Salvini chegou a interfonar para o apartamento de uma família de tunisianos em Bolonha, na frente de câmeras de TV e com transmissão ao vivo no Facebook, para perguntar se um pai e seu filho traficavam drogas, embora não houvesse nenhuma investigação contra eles.

"Quem agora vai interfonar para a casa de Salvini? Que jogue a primeira pedra quem não tem pecados. A fragilidade é parte do ser humano, já os insultos de bar nos impedem de enfrentar os problemas reais do país", criticou a ministra das Políticas Juvenis da Itália, Fabiana Dadone.

Morisi trabalhava com Salvini desde 2013 e é tido como responsável por impulsionar a presença do senador nas redes sociais. Também é atribuída a ele a ideia de apelidar o senador como "capitão".

O sistema de gestão das redes sociais e de análise de dados implantado por Morisi é chamado pelos jornais italianos de "La Bestia" ("A Fera") por causa do estilo agressivo das postagens.

Além de estigmatizar imigrantes sem documentos, essa estratégia inclui a abertura da vida privada de Salvini para seus seguidores, com recorrentes fotos de suas refeições e com seus filhos.   

Ansa - Brasil   
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