Garantias de segurança da Ucrânia incluirão compromissos vinculativos, prevê rascunho de declaração de cúpula
Os aliados da Ucrânia vão concordar que as garantias de segurança ao país devem incluir compromissos vinculativos de apoiar Kiev no caso de um futuro ataque armado da Rússia, de acordo com um rascunho de declaração preparado antes de uma cúpula em Paris.
"Esses compromissos podem incluir o uso de capacidades militares, inteligência e apoio logístico, iniciativas diplomáticas e a adoção de sanções adicionais", diz a minuta, que ainda precisa da aprovação, ainda hoje em Paris, dos líderes da "Coalizão dos Dispostos", grupo de aliados da Ucrânia.
Steve Witkoff, enviado especial do presidente dos EUA, Donald Trump, e Jared Kushner, genro de Trump, chegaram ao Palácio do Eliseu, na França, para a cúpula, que contará com a presença de mais de 27 líderes.
O objetivo da reunião é finalizar, na medida do possível, as contribuições para futuras garantias de segurança, a fim de tranquilizar Kiev em caso de cessar-fogo com a Rússia. Tropas russas invadiram a Ucrânia em 2014 e novamente em 2022.
O texto preliminar destaca como as discussões sobre garantias de segurança avançaram nas últimas semanas, embora Moscou não tenha dado nenhum sinal público de que aceitará tais acordos.
Até recentemente, grande parte da atenção estava voltada para as promessas de ajuda militar às forças da Ucrânia e para possíveis contribuições a uma força internacional de apoio.
Mas diplomatas afirmam que a atenção agora se volta para garantias juridicamente vinculativas de auxílio a Kiev em caso de outro ataque de Moscou. A possibilidade de uma resposta militar provavelmente suscitará debates em muitos países europeus, dizem os diplomatas.
PROTEÇÃO E SEGURANÇA
Kiev afirma há muito tempo que não pode estar segura sem garantias comparáveis ao acordo de defesa mútua da Otan, para dissuadir a Rússia de novos ataques. Moscou quer que qualquer acordo de paz impeça a Ucrânia de participar de alianças militares.
O presidente Volodymyr Zelenskiy participará da reunião na capital francesa como parte de esforços mais amplos para elaborar uma posição comum ucraniana, europeia e norte-americana que possa ser levada à Rússia.
"Estas conversações visam proporcionar mais proteção e fortalecimento à Ucrânia. Contamos com o apoio dos nossos parceiros e com medidas que possam garantir segurança real ao nosso povo", disse Zelenskiy ao chegar à França.
As negociações para pôr fim ao conflito que já dura quase quatro anos se intensificaram desde novembro. No entanto, Moscou ainda não demonstrou disposição para fazer concessões, após Kiev pressionar por mudanças em uma proposta norte-americana que inicialmente apoiava as principais exigências da Rússia.