França e Índia fecham novas parcerias em defesa, inteligência artificial e comércio
O presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro‑ministro indiano, Narendra Modi, anunciaram nesta terça-feira (17) um novo impulso à parceria entre França e Índia, com acordos que vão da defesa à inteligência artificial, em meio a um cenário internacional marcado por tensões diplomáticas e políticas protecionistas de Donald Trump. A capital indiana, Nova Délhi, sedia nesta semana a quarta cúpula mundial de inteligência artificial.
Em Mumbai, Modi declarou que a parceria entre os dois países "não tem limites, estendendo-se das profundezas dos oceanos às mais altas montanhas", numa referência à importância estratégica crescente da relação com a França. Macron, por sua vez, afirmou que o vínculo franco‑indiano vive uma "aceleração notável", impulsionada pelas transformações do cenário global.
Diante de uma ordem internacional mais instável, marcada por disputas comerciais com os Estados Unidos e pela ascensão da China, França e Índia reiteraram sua oposição a qualquer forma de hegemonia e a confrontos desnecessários, especialmente em setores sensíveis como o dos minerais raros, dominado por Pequim.
Em sua quarta visita oficial ao país, Macron ressaltou a importância de um comércio internacional livre, sem a guerra constante de tarifas comerciais promovida pelos EUA. O líder francês destacou que Paris e Nova Délhi rejeitam "métodos coercitivos".
Multilateralismo reformado
Macron e Modi também convergem na avaliação de que os grandes desafios globais exigem instituições multilaterais reformadas. Eles se comprometeram a coordenar posições para lidar com desequilíbrios comerciais entre as principais potências - Estados Unidos, China e Europa - e discutiram a criação de um encontro de alto nível sobre segurança e diplomacia antes da cúpula do G7, marcada para junho, em Evian, na França.
Em relação à guerra na Ucrânia, embora a Índia não tenha condenado a Rússia pela invasão, Macron sugeriu que os dois países unissem esforços para apoiar um "moratória imediata e duradoura" nas agressões contra civis e infraestruturas na Ucrânia. Esse posicionamento reflete as delicadas relações da Índia com a Rússia, que continua a ser um importante fornecedor de armamentos para Nova Délhi.
Mais 114 caças Rafale
Na área de defesa, os dois governos avançaram nas negociações para a compra de 114 caças Rafale adicionais pela Força Aérea Indiana, elevando substancialmente o número de aeronaves francesas no país, que já possui 36 unidades. Parte da produção poderá ser realizada na Índia, incluindo versões adaptadas para operação em porta-aviões.
Outro momento simbólico da visita foi a inauguração, em Bangalore, de uma linha de montagem de helicópteros Airbus H125. Macron e Modi participaram remotamente da cerimônia, acionando juntos o comando de lançamento da produção.
França e Índia também fecharam um acordo entre o grupo francês Safran e a Bharat Electronics para fabricar na Índia as bombas guiadas AASM Hammer. Além disso, os países ampliaram a cooperação em infraestrutura, com projetos voltados ao desenvolvimento de redes ferroviárias de alta velocidade.
A visita de Macron à Índia tem um foco especial em inovação e inteligência artificial, com o presidente francês enfatizando a necessidade de um esforço conjunto para apoiar a inovação, especialmente no campo dos centros de dados, capacidade computacional e modelos de linguagem, áreas consideradas essenciais para a autonomia tecnológica dos dois países.
Macron participa nesta quarta-feira do jantar inaugural da Cúpula Mundial de Inteligência Artificial, em Nova Délhi, na véspera da plenária que reunirá diversos líderes globais, entre eles o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.
Com AFP