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Extrema direita ameaça coalizão de governo em eleições para renovar Senado do Japão

O primeiro-ministro japonês Shigeru Ishiba, do conservador Partido Liberal-Democrata (PLD), enfrenta um momento decisivo neste domingo (20), quando o Japão realiza eleições para renovar metade dos assentos do Senado no Parlamento. Após perder a maioria na Câmara dos Deputados em outubro de 2024, o risco agora é que a coalizão governista também seja derrotada no Senado — cenário inédito no país desde a Segunda Guerra Mundial.

19 jul 2025 - 16h08
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O primeiro-ministro japonês Shigeru Ishiba, do conservador Partido Liberal-Democrata (PLD), enfrenta um momento decisivo neste domingo (20), quando o Japão realiza eleições para renovar metade dos assentos do Senado no Parlamento. Após perder a maioria na Câmara dos Deputados em outubro de 2024, o risco agora é que a coalizão governista também seja derrotada no Senado — cenário inédito no país desde a Segunda Guerra Mundial.

O primeiro-ministro japonês Shigeru Ishiba durante uma coletiva de imprensa em sua residência oficial em Tóquio, em 23 de junho de 2025.
O primeiro-ministro japonês Shigeru Ishiba durante uma coletiva de imprensa em sua residência oficial em Tóquio, em 23 de junho de 2025.
Foto: via REUTERS - Kiyoshi Ota / RFI

Há meses, a aliança entre o PLD e o pequeno partido Komeito tem dificuldade para convencer os eleitores japoneses. Sem maioria entre os deputados, a administração Ishiba governa com apoio instável de pequenos partidos de oposição.

A inflação persistente, a alta no custo de vida e o impasse com os Estados Unidos de Donald Trump — que ameaça impor tarifas de 25% sobre produtos japoneses — desgastam ainda mais o premiê.

O preço do arroz, por exemplo, dobrou em um ano, levando famílias a reduzir o consumo de um alimento símbolo de prosperidade no país. Enquanto isso, o iene enfraquecido favorece turistas estrangeiros, que esbanjam em hotéis e restaurantes agora inacessíveis a muitos japoneses.

Esse contraste tem alimentado o discurso do Sanseito, partido de extrema direita surgido durante a pandemia de Covid-19. Ativo nas redes sociais, o grupo canaliza frustrações populares contra os estrangeiros e acusa o governo de globalismo e negligência com os cidadãos.

Extrema direita japonesa pode derrubar coalizão 

"As crianças já não comem o suficiente!", afirmou uma candidata do partido em campanha. A legenda tem atraído eleitores decepcionados com o PLD, inclusive jovens e conservadores órfãos da era Shinzo Abe.

Segundo a pesquisadora Valérie Niquet, da Fundação para a Pesquisa Estratégica, o Sanseito ocupa o espaço deixado por Abe. "O PLD abriga correntes que vão da extrema direita ao centro-esquerda. Com a morte de Abe, muitos conservadores nacionalistas passaram a apoiar o Sanseito", explicou à RFI.

O partido tem ganhado força mesmo com os estrangeiros representando apenas 3% da população — embora esse número tenha dobrado em uma década para compensar o declínio demográfico do Japão. A pauta anti-imigração, no entanto, ecoa entre eleitores despolitizados e reflete o desgaste da coalizão tradicional.

Se o PLD perder sua maioria também no Senado, o governo de Shigeru Ishiba ficará em minoria nas duas casas do Parlamento — situação que, segundo analistas, pode levar ao fim de seu mandato.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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