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Curdos da Síria protestam contra violência em Aleppo enquanto crescem temores de um conflito mais amplo

13 jan 2026 - 19h49
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Milhares de pessoas fizeram uma manifestação sob a chuva no nordeste da Síria nesta terça-feira para protestar contra a expulsão dos combatentes curdos da cidade de Aleppo, após dias de confrontos mortais.

A violência em Aleppo aprofundou uma das principais divisões na Síria, onde a promessa do presidente Ahmed al-Sharaa de unificar o país sob uma única ‌liderança, após 14 anos de guerra, tem enfrentado a resistência das forças curdas que desconfiam de seu governo liderado pelos islamitas.

Cinco dias de combates na semana passada deixaram ‌pelo menos 23 pessoas mortas, de acordo com o Ministério da Saúde da Síria, e mais de 150.000 pessoas fugiram dos dois bolsões da cidade controlados pelos curdos. A autoridade curda síria Ilham Ahmad disse aos repórteres nesta terça-feira que 48 pessoas foram mortas em ataques do governo. A Reuters não conseguiu determinar se os dois registros se sobrepunham.

Nesta terça-feira, milhares de curdos sírios protestaram na cidade de Qamishli, no nordeste do país, carregando faixas com os logotipos das forças curdas e ‍os rostos dos combatentes curdos que morreram nas batalhas -- alguns dos quais detonaram cintos carregados de explosivos quando as forças do governo se aproximaram.

ACORDO DE INTEGRAÇÃO ESTAGNADO

Os últimos combatentes curdos deixaram Aleppo na madrugada de 11 de janeiro, encerrando o controle curdo de dois bolsões da cidade que eles mantinham desde o início da guerra na Síria, em 2011.

As autoridades curdas ainda administram uma região semiautônoma no nordeste da Síria e têm resistido aos ‌esforços para integrá-las ao novo governo da Síria, formado por ex-rebeldes que depuseram o líder Bashar al-Assad em dezembro ‌de 2024.

Um acordo de março de 2025 para integrar as autoridades curdas ao governo central foi interrompido. Ahmad, a autoridade curda, disse que o acordo seria considerado nulo e sem efeito se o governo prosseguisse com ofensivas contra outras zonas controladas pelos curdos.

Outros cartazes empunhados pelos manifestantes nesta terça-feira mostravam os rostos de Sharaa e do ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, riscados com "X" vermelhos e com a legenda "Assassinos do povo curdo".

A Turquia acusa as Forças Democráticas da Síria -- a principal força de combate curda -- de ligações com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão, que Ancara considera uma organização terrorista.

O chefe das forças dos EUA no Oriente Médio pediu a todas as partes que demonstrassem moderação.

"Também continuamos a pedir a todos os atores relevantes que retornem à mesa de negociações de boa fé e busquem uma solução diplomática duradoura por meio do diálogo", disse o almirante Brad Cooper, chefe do Comando Central dos EUA, em um comunicado.

TEMORES DE CONFLITO MAIS AMPLO

Muitos curdos dizem que o derramamento de sangue da semana passada aumentou seu ceticismo em relação às promessas de Sharaa de governar para todos os sírios.

"Se eles realmente amam os curdos e se eles dizem sinceramente que os curdos são um componente oficial e fundamental da Síria, então os direitos do povo curdo devem ser reconhecidos na Constituição", disse Hassan Muhammad, chefe do Conselho de Religiões e Crenças no Nordeste da Síria, que participou do protesto desta terça-feira.

Outros temem que o derramamento de sangue se agrave. O Ministério da Defesa da Síria declarou nesta terça-feira que as partes orientais de Aleppo ainda sob controle das Forças Democráticas da Síria são uma "zona militar fechada" e ordenou que todos os militares na área se retirassem mais para o ‌leste.

Idris al-Khalil, um morador de Qamishli que protestou nesta terça-feira, disse que a violência em Aleppo o fez lembrar dos assassinatos sectários ocorridos no ano passado contra a minoria alauíta na costa da Síria e a minoria drusa no sul do país.

"Com relação aos temores de uma guerra em grande escala -- se eles quiserem uma guerra em grande escala, as pessoas sofrerão ainda mais, e isso levará à divisão entre os povos da região, impedindo-os de viver juntos em paz", disse Khalil.

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