Expectativa de acordo entre Estados Unidos e Irã derruba preços do petróleo no mercado
Teerã afirmou nesta sexta-feira (12) que ainda não decidiu se vai assinar um acordo com os Estados Unidos para encerrar a guerra no Oriente Médio. A declaração foi feita poucas horas depois de Donald Trump anunciar que um entendimento poderia ser concluído nos próximos dias, com possibilidade de assinatura já neste fim de semana.
Segundo o presidente americano, o acordo garantiria a reabertura do Estreito de Ormuz, rota por onde normalmente passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo, além de estabelecer mecanismos para tratar das questões de segurança e do programa nuclear iraniano. Trump afirmou que o vice-presidente JD Vance poderia assinar o documento em nome dos Estados Unidos.
Apesar do entusiasmo demonstrado pela Casa Branca, o histórico recente de anúncios semelhantes gerou ceticismo. Segundo uma contagem divulgada por meios de comunicação e agências iranianas, Trump já anunciou cerca de 40 vezes, nos últimos meses, que um acordo entre Washington e Teerã estava próximo ou havia sido alcançado. Em todas essas ocasiões, as autoridades iranianas negaram a existência de um entendimento definitivo ou afirmaram que as negociações ainda estavam em andamento.
A perspectiva de uma solução diplomática provocou forte reação nos mercados. Os preços do petróleo recuaram mais de 4% nesta sexta-feira, enquanto as bolsas europeias registraram forte alta. O barril do Brent caiu para cerca de US$ 86 e o WTI recuou para perto de US$ 84, refletindo a expectativa de redução dos riscos para o abastecimento global de energia.
Em sua rede social Truth Social, Trump também declarou na quinta-feira que cancelou novos ataques ao Irã que estariam previstos para aquela noite, alegando que um entendimento havia sido alcançado. Mais cedo, porém, o republicano havia ameaçado realizar ataques severos contra alvos iranianos, incluindo a ilha de Khark, principal terminal petrolífero do país.
Rascunho do possível acordo
O porta-voz do ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou que o governo ainda não tomou uma decisão final sobre o texto. Segundo a agência iraniana Mehr, o rascunho do memorando prevê a suspensão das sanções americanas, o fim do bloqueio que afeta portos iranianos, a retirada de forças militares dos Estados Unidos posicionadas ao redor do país e a reabertura do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.
O documento também incluiria uma cessação permanente das hostilidades em todas as frentes e um período de negociações para tratar das sanções e de outras questões pendentes entre os dois países. Teerã, no entanto, continua exigindo o fim dos confrontos em toda a região, especialmente no Líbano, como condição para um acordo definitivo.
Ao mesmo tempo, surgem divergências sobre o futuro de Ormuz. Enquanto Trump afirmou que o estreito seria reaberto imediatamente após a assinatura do acordo, a agência oficial iraniana Irna declarou que Teerã não pretende ceder o controle da via estratégica nem restaurar automaticamente as condições existentes antes do conflito. Segundo a agência, o Irã não assumiu qualquer compromisso de abrir mão da gestão do estreito ou de alterar sua posição militar na região.
Analistas alertam que, mesmo na hipótese de um acordo, a normalização do fluxo de petróleo não será imediata. Será necessário garantir a segurança da navegação, reativar instalações de produção paralisadas e reparar infraestruturas energéticas danificadas pelos combates. Ainda assim, os mercados apostam que uma solução diplomática poderá reduzir significativamente os riscos de uma crise energética global.
Com agências
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