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Voto de protesto contra governo pró-europeu pode levar bilionário ao poder na República Tcheca

Os eleitores vão às urnas na República Tcheca nesta sexta-feira (3) e sábado (4), para renovar o Legislativo do país. Com um discurso anti-europeu, o ex-primeiro-ministro Andrej Babis pode vencer o pleito e, para formar um governo, poderá contar com o apoio da extrema direita.

3 out 2025 - 14h35
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Os eleitores vão às urnas na República Tcheca nesta sexta-feira (3) e sábado (4), para renovar o Legislativo do país. Com um discurso anti-europeu, o ex-primeiro-ministro Andrej Babis pode vencer o pleito e, para formar um governo, poderá contar com o apoio da extrema direita.

Daniel Vallot, enviado especial da RFI à região de Sudetos (República Tcheca)

Aos 71 anos, o bilionário nascido na Eslováquia pretende retomar o poder no país que liderou entre 2017 e 2021, com a promessa de aumentar a justiça social e reduzir a ajuda tcheca à Ucrânia. As seções eleitorais abriram à tarde e noite nesta sexta e voltam a reabrir pela manhã, neste sábado. Os resultados devem sair nas horas seguintes.

Com cerca de 30% das intenções de voto, o movimento SIM (sigla para "Ação dos Cidadãos Insatisfeitos", em português), liderado por Babis, aparece na frente nas pesquisas. A coalizão governista de centro-direita "Juntos", do liberal e pró-europeu primeiro-ministro Petr Fiala, está em segundo lugar.

O voto de protesto terá um papel decisivo nesta eleição, particularmente na região de Sudetos, que faz fronteira com a Alemanha e onde os moradores enfrentam graves dificuldades sociais e econômicas. Em Decin, uma cidade tranquila localizada em ambas as margens do rio Elba, a 80 quilômetros ao norte de Praga, os vestígios de um passado industrial distante ainda estão por todo o lugar. Hoje, entretanto, a região sofre com uma alta taxa de desemprego, o dobro da registrada no restante do país.

Desemprego, inflação, renda estagnada e uma sensação de abandono e declínio estão levando o eleitor Tomàs a votar em Andrej Babis. "Os preços estão aumentando 10 ou 20 coroas por mês. Costumávamos comprar manteiga por 40 coroas, há três anos. Hoje, custa 70 coroas", relata ele. "Enquanto isso, o primeiro-ministro se exibe na televisão. Ele fala calmamente, como se tudo estivesse bem, como se as pessoas estivessem vivendo melhor. Mas é o contrário", irrita-se.

De acordo com uma análise do instituto de pesquisa PAQ, um terço das famílias tchecas vive pior hoje do que na eleição anterior. O candidato Andrej Babis e seu partido estimulam essa sensação de declínio econômico e social no país, prometendo aumentar salários e aposentadorias, além de reduzir os impostos.

Discurso contra imigrantes, muçulmanos e ucranianos

O SPD, partido de extrema direita que busca obter mais de 16% dos votos nos Sudetos, também tem batido nesta tecla e poderá se aliar ao SIM em caso de vitória de Babis. Ex-boxeador e ex-capitão da marinha fluvial, o candidato local do SPD afirma ser hostil à Otan e à União Europeia, acusando-os de querer impor cotas de migrantes ao país.

"Durante séculos, os nossos ancestrais lutaram por uma Europa judaico-cristã com suas tradições e valores", afirma o candidato Jaroslav Foldyna, sentado em uma mesa de um bar. "E, agora, vemos pessoas de outras culturas chegando aqui. Essas pessoas têm muitos filhos. Não queremos nos tornar um país africano ou um Estado islâmico. Não queremos que a Europa se torne um califado."

O discurso não é apenas racista e islamofóbico: o SPD também é hostil aos refugiados ucranianos. Assim como o SIM, a legenda acusa o atual governo de ter desmontado o bem-estar social dos tchecos para financiar o acolhimento de refugiados ucranianos ou fornecer armas à Ucrânia.

Este argumento é rechaçado por outro eleitor, Julius, morador de Decín que votará em Fiala. "Eles podem empurrar nosso país para o leste, o que é muito perigoso. Eles sequer condenam os crimes de guerra russos, e não escondem sua simpatia pela Rússia e por Vladimir Putin", afirma ele, preocupado.

O SPD, que pode ultrapassar 13% dos votos nas eleições, está agora à beira do poder - um cenário catastrófico aos olhos de Teresa, que votará não a favor do governo, mas contra a extrema direita. "Todos se esqueceram do Holocausto e da Segunda Guerra Mundial. Mas, para mim, o SPD é nazista. Meu marido acredita que a guerra na Ucrânia está sendo financiada com sua aposentadoria, mas eu apoio os ucranianos e não me importo que o governo os apoie", argumentou ela.

Apoio à Ucrânia é questionado

Até agora, o país da Europa Central, com 10,9 milhões de habitantes, membro da União Europeia (UE) e da Otan, apoiou Kiev contra a invasão russa. A República Tcheca também já hospedou mais de 500.000 refugiados ucranianos, dos quais 300.000 ainda vivem lá.

Na noite de quinta-feira, durante o último debate da campanha, Andrej Babis considerou que Praga já ajudou Kiev o suficiente. "Todos os anos, enviamos € 2,5 bilhões do orçamento para Bruxelas, e a nova proposta orçamentária inclui uma grande quantia para a Ucrânia", enfatizou.

Diante dele, Fiala alertou: "Continuaremos sendo um país próspero, seguro e livre, ou iremos para o leste?", evocou.

Formada em 2021, a aliança de Fiala também inclui o partido centrista STAN (cerca de 12% nas pesquisas), enquanto os Piratas, creditados com 9%, deixaram o governo em 2024. Mesmo juntos, esses partidos têm poucas chances de recuperar uma maioria estável.

Interferência russa

Eles descartaram uma aliança com Babis, um autoproclamado "trumpista" e próximo de Viktor Orbán, da Hungria. Sétima pessoa mais rica do país, segundo a Forbes, com patrimônio estimado a US$ 3,9 bilhões, ele deve ser julgado por fraude em subsídios europeus, após um escândalo envolvendo conflito de interesses entre o governo tcheco e a sua empresa química e alimentícia.

A campanha atraiu o interesse de redes pró-Rússia. O Centro Tcheco de Pesquisa de Risco Online relatou aumento da atividade no TikTok, com conteúdo favorável a partidos opositores. A Comissão Europeia realizou "uma reunião de emergência com o TikTok" sobre o assunto na quinta-feira, disse o porta-voz Thomas Regnier na sexta-feira.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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