UE fecha acordo sobre novas sanções contra a Rússia que visam setor energético e bancário
Os países-membros da União Europeia (UE) chegaram, nesta quinta-feira (23), a um acordo político para adotar um 21º pacote de sanções contra a Rússia. Os setores bancário e energético são os mais visados. O compromisso limita ainda mais as receitas do petróleo de Moscou, que financiam grande parte da guerra da Rússia contra a Ucrânia.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, comemorou o compromisso. "A Ucrânia registra avanços na frente militar e nossas sanções continuam a enfraquecer os alicerces econômicos da máquina de guerra russa", escreveu na rede social X.
O pacote de sanções congela por 12 meses o teto do preço do petróleo russo em US$ 44,10 por barril (cerca de R$ 223). A revisão automática desse preço máximo, prevista em um pacote anterior de medidas, teria provocado um aumento significativo. Segundo a representante europeia, o mecanismo adotado no acordo evita que a Rússia "se beneficie dos choques nos mercados" gerados pela disparada dos preços provocada pela guerra entre o Irã e os EUA.
A União Europeia espera, dessa forma, aprofundar o que considera ser uma fragilidade da economia russa, pressionada pelos custos da guerra na Ucrânia. Com essas novas sanções, a UE também tem como alvo, pela primeira vez, navios suspeitos de auxiliar a chamada "frota fantasma" russa e acrescenta plataformas de criptomoedas e empresas de comércio de petróleo à sua lista de entidades proibidas de realizar transações.
As medidas ainda atingem 94 instituições financeiras russas, principalmente bancos, além da Bolsa de Valores de Moscou. Essas entidades estão sujeitas a um regime exclusivo de sanções, incluindo, entre outras medidas, o congelamento de ativos e a proibição de viagens e transações.
I welcome the agreement on the 21st sanctions package against Russia.
At a time when Ukraine has built military momentum, our sanctions continue to weaken the economic foundations of Russia's war effort.
We're adding 32 more Russian banks to our transaction ban list.
As well…
— Ursula von der Leyen (@vonderleyen) July 23, 2026
Exigências da Grécia
O acordo foi possível após a UE aceitar as exigências da Grécia relativas às medidas que afetam o gás natural liquefeito (GNL) russo. Atenas defendia que a UE permitisse que suas empresas continuassem a transportar GNL, desde que ele fosse destinado a clientes fora da Europa. A proposta desagradava à Comissão Europeia.
A medida foi reformulada, e o transporte de GNL para países terceiros será autorizado por meio de uma derrogação para contratos firmados antes de 24 de fevereiro de 2022, data da invasão da Ucrânia pela Rússia. Os países europeus vão avaliar essa derrogação todos os anos.
As importações de gás natural liquefeito russo para a UE, por sua vez, permanecerão proibidas a partir de 1º de janeiro de 2027. A Grécia domina o mercado europeu de transporte de GNL e é um dos principais atores mundiais do setor, ao lado de países como China, Japão e Estados Unidos.
Para o governo grego, proibir empresas europeias de fornecer serviços de transporte ao GNL russo prejudicaria apenas as companhias europeias e beneficiaria concorrentes estrangeiras, sem afetar as receitas da Rússia. Os detalhes técnicos desse acordo, alcançado em nível de embaixadores, ainda precisam ser definidos antes do lançamento formal do procedimento, previsto para esta tarde.
Com agências
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