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Incêndios castigam França, Espanha e Itália e revelam impacto do calor extremo na Europa

A combinação de calor extremo, seca e ventos fortes intensifica os incêndios florestais em diferentes regiões da Europa. Na França, sindicatos denunciam a exaustão dos bombeiros após a morte de três agentes em duas semanas. Na Espanha, um incêndio histórico próximo a Madri já devastou 32 mil hectares e obrigou a retirada de 1.200 moradores. Já na Itália, mais de mil focos de incêndio foram registrados em poucos dias na região da Sicília, sob temperaturas que ultrapassam os 40°C.

22 jul 2026 - 15h46
(atualizado às 16h19)
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Na França, a multiplicação dos incêndios reacendeu o debate sobre os meios disponíveis para combater o fogo. A morte de três bombeiros em apenas duas semanas, incluindo dois profissionais que morreram na terça-feira (21) na região de Bordeaux, levou sindicatos a denunciar a sobrecarga das equipes e a falta de efetivos.

Embora o ministro francês do Interior, Laurent Nuñez, afirme que o país dispõe de recursos suficientes, representantes da categoria apontam jornadas excessivas, desgaste físico e mental dos profissionais. Segundo eles, equipes enviadas para reforçar o combate aos incêndios frequentemente operam com efetivos inferiores ao necessário.

A situação permanece crítica no departamento do Var, no sul do país, onde bombeiros lutavam nesta quarta-feira (22) contra um incêndio que já consumiu 2.500 hectares. Apesar de as chamas não estarem totalmente controladas, as autoridades afirmaram que o fogo deixou de avançar ao longo do dia. Cerca de 400 moradores foram retirados de suas casas e ainda não receberam autorização para retornar. Em áreas próximas a Cotignac, em Var, o cenário é de devastação, com casas danificadas, árvores carbonizadas e veículos destruídos pelas chamas.

Com mais 1.100 bombeiros em campo e reforços vindos de cerca de dez departamentos, dois Canadair, três helicópteros de combate a incêndios e duas aeronaves Dash em ação, o objetivo é "tentar conter o incêndio", declarou o coronel Philippe Raison, subchefe do corpo de bombeiros do departamento.

Nesta região da "Provença Verde", entre Toulon e o Parque Natural do Verdon, cerca de 50 residências foram afetadas pelo incêndio e dez casas foram destruídas, de acordo com um levantamento preliminar da prefeitura.

Os bombeiros alertam que o combate aos incêndios se soma ao atendimento cotidiano de emergências médicas, que representam cerca de 80% das missões da corporação. Desde janeiro, mais de 42 mil hectares já queimaram na França, superando o recorde registrado em 2022 para o mesmo período.

Um avião Dash 8-Q400MR lança um produto para conter o avanço de um incêndio florestal em Taradeau, no departamento de Var, em 20 de julho de 2026.
Um avião Dash 8-Q400MR lança um produto para conter o avanço de um incêndio florestal em Taradeau, no departamento de Var, em 20 de julho de 2026.
Foto: RFI

Incêndio histórico destrói 32 mil hectares perto de Madri

Na província de Guadalajara, a cerca de 100 quilômetros da capital espanhola, um incêndio considerado um dos mais complexos da história recente do país já devastou 32 mil hectares. O fogo obrigou a evacuação de aproximadamente 1.200 pessoas de 40 vilarejos. Muitos moradores relataram ter abandonado suas casas às pressas, levando apenas documentos e medicamentos.

Autoridades regionais classificam o desastre como um dos maiores já enfrentados pela região de Castela-La Mancha. O incêndio corresponde sozinho a quase um quarto de toda a área destruída pelo fogo na Espanha em 2026.

Além do impacto humano, a destruição da biodiversidade preocupa especialistas e autoridades locais. A expectativa é de forte mortalidade entre cervos, javalis, raposas e aves.

O primeiro-ministro espanhol destacou que o país registrou 22 grandes incêndios desde o início do ano, quatro vezes mais do que no mesmo período de 2025, atribuindo o aumento aos efeitos das mudanças climáticas.

Esta captura de tela, extraída de um vídeo aéreo divulgado em 18 de julho de 2026 pela Guarda Civil, mostra um incêndio florestal na região de Cinco Villas, no nordeste da Espanha.
Esta captura de tela, extraída de um vídeo aéreo divulgado em 18 de julho de 2026 pela Guarda Civil, mostra um incêndio florestal na região de Cinco Villas, no nordeste da Espanha.
Foto: RFI

Mais de mil incêndios em poucos dias na Sicília

Na Sicília, bombeiros enfrentam uma sequência de incêndios alimentados por temperaturas superiores a 40°C, ventos quentes e seca persistente. Desde sábado (18), foram contabilizados mais de 1.000 incêndios na ilha, segundo as autoridades. A situação foi classificada como "grave" pela Defesa Civil italiana.

Um dos principais focos, localizado no centro da ilha, levou à evacuação de cerca de cem moradores e de 22 pacientes de uma clínica. O incêndio também interrompeu temporariamente o abastecimento de água potável em cerca de 20 municípios.

De acordo com medições regionais, algumas localidades registraram temperaturas superiores a 45°C. Especialistas alertam que a Sicília está entre as regiões europeias mais vulneráveis à desertificação, fenômeno agravado pelo aquecimento climático e pela redução das chuvas.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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