Em retaliação à morte de dois americanos em ataques do Irã, EUA voltam a bombardear o país
Durante a oitava noite consecutiva de hostilidades, EUA visaram instalações militares e "forças do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica"
Os Estados Unidos lançaram uma nova série de ataques aéreos contra o Irã neste domingo (19), declarando a intenção de "punir" a morte de dois militares americanos, em ataques atribuídos aos iranianos na Jordânia na sexta-feira (17).
Durante esta oitava noite consecutiva de hostilidades, os EUA visaram instalações militares e "forças do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica" responsáveis pelos ataques contra os americanos", informou o Comando Central dos EUA (CENTCOM), em um comunicado.
As agências de notícias iranianas relataram ataques em Sirik, um porto voltado para o Estreito de Ormuz, no sul do país, e perto de Hajiabad, na mesma província meridional de Hormozgan.
Em retaliação, as forças armadas iranianas lançaram drones explosivos contra duas bases militares utilizadas pelas forças dos EUA no Kuwait, segundo a televisão estatal. Qualquer ataque dos EUA será recebido "com uma resposta decisiva e devastadora por parte dos combatentes leais, corajosos e poderosos das Forças Armadas iranianas", ameaçou o general do Exército Ali Abdollahi.
No sábado, o CENTCOM havia anunciado a morte de dois militares americanos - as primeiras desde a retomada das hostilidades, em 7 de julho - e o desaparecimento de um terceiro, após "ataques iranianos com mísseis e drones" na Jordânia. O número total de militares americanos mortos desde o início da guerra, no final de fevereiro, chega agora a 16.
As hostilidades atingiram um nível sem precedentes desde o cessar-fogo acordado em abril para encerrar a guerra desencadeada pela ofensiva de Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro.
Palavra de Trump 'não tem valor', diz aiatolá
"Agora que o inimigo americano busca incitar a guerra (...), ele deve saber que a estimada nação iraniana e o Eixo da Resistência reservam-lhe lições inesquecíveis", declarou o líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, em uma mensagem escrita transmitida pela televisão estatal no sábado.
"A violação reiterada" do memorando de entendimento assinado entre os dois países em 17 de junho para silenciar as armas "demonstrou mais uma vez a todos que a assinatura do presidente dos EUA não tem valor", acrescentou ele.
Segundo dados do Ministério da Saúde do Irã, ataques dos EUA deixaram pelo menos 50 mortos e mais de 500 feridos desde 27 de junho.
Danos no Kuwait
Segundo as autoridades do Kuwait, os ataques danificaram gravemente uma instalação petrolífera "vital" e paralisaram várias unidades de produção em uma usina de energia e dessalinização de água. Uma instalação semelhante já havia sido atingida no dia anterior.
Com as temperaturas chegando a 47°C no Kuwait no sábado, as autoridades condenaram o ataque a essa "infraestrutura essencial". O Conselho de Cooperação do Golfo, que reúne as monarquias ricas em petróleo da região, denunciou os ataques como "crimes de guerra".
"Há um medo palpável de cortes de energia, dadas as constantes solicitações para reduzir o consumo e desligar aparelhos não essenciais", disse à AFP Ali Mahmoud, um egípcio de 46 anos que trabalha para uma empresa de eletricidade do Kuwait. Ele falou sobre a "ansiedade" da população em relação à possibilidade de a guerra se alastrar. No Irã, autoridades da província de Hormozgan afirmaram que ataques dos EUA "destruíram completamente" uma estação de captação de água do mar e um transformador elétrico em uma usina de dessalinização.
Paralelamente a esses bombardeios, uma série de incidentes marítimos vem ocorrendo no Estreito de Ormuz. Garantir que o estreito permanecesse aberto, sob segurança do Irã, foi a principal conquista do memorando de entendimento para a paz, assinado em 17 de junho. No entanto, o tráfego marítimo no local está agora, mais uma vez, praticamente paralisado.
Os Estados Unidos voltaram a impor o bloqueio aos portos iranianos, medida que haviam suspendido após a assinatura do memorando de entendimento.
Com AFP
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