Irã acusa EUA de atingir alvos civis em nova onda de bombardeios e ataca bases americanas no Oriente Médio
Os Estados Unidos realizaram na noite de quinta-feira (16) para sexta-feira (17) uma nova série de ataques contra o Irã e afirmaram que a operação teve como objetivo "reduzir ainda mais as capacidades militares iranianas" utilizadas contra a navegação comercial no Estreito de Ormuz. Teerã acusa Washington de atingir infraestruturas civis e contra-ataca alvos ligados aos Estados Unidos no Oriente Médio.
A ofensiva marca o sexto dia consecutivo de bombardeios americanos contra a República Islâmica. Entre os alvos estariam áreas da ilha de Qeshm e regiões próximas a Bandar Abbas, onde está localizado o principal porto iraniano. Segundo o Exército americano, dezenas de alvos militares foram atingidos, incluindo sistemas de vigilância costeira, defesas antiaéreas, infraestruturas logísticas e instalações marítimas.
Teerã, por sua vez, acusa Washington de ter atingido infraestruturas civis. Segundo a agência oficial iraniana Irna, ataques americanos contra cinco pontes em Bandar Khamir, cidade portuária no sul do país, deixaram ao menos sete mortos. A informação foi divulgada com base em dados da Universidade de Ciências Médicas de Hormozgan. O governo iraniano também relatou bombardeios contra uma estação ferroviária em Bandar Abbas e contra o aeroporto de Iranshahr.
O Ministério da Saúde iraniano afirmou que os bombardeios americanos já deixaram pelo menos 38 mortos e mais de 400 feridos desde a retomada dos confrontos entre os dois países, em 22 de junho. Segundo o porta-voz da pasta, Hossein Kermanpour, entre as vítimas estão mulheres e menores de idade.
Irã amplia ofensiva contra bases americanas na região
Poucas horas após os bombardeios americanos, o Irã anunciou uma nova onda de ataques contra instalações ligadas aos Estados Unidos no Oriente Médio. A Guarda Revolucionária afirmou ter atacado o centro de comando militar americano de Al-Tanf, no sul da Síria, utilizando mísseis e drones. O grupo também alegou ter atingido aeronaves militares americanas estacionadas na Jordânia, incluindo aviões de combate e de reabastecimento.
Teerã declarou ainda ter lançado ataques contra instalações americanas no Bahrein e no Kuwait. Os dois países, assim como o Catar, confirmaram ter enfrentado ataques atribuídos ao Irã. O Exército do Bahrein informou ter interceptado e destruído diversos alvos aéreos durante a madrugada.
No Kuwait, o governo anunciou ter sido alvo de ataques com drones e mísseis. O Ministério da Energia informou que uma usina elétrica e uma planta de dessalinização foram atingidas, provocando danos às instalações, um incêndio e a paralisação de diversos geradores.
No Catar, as Forças Armadas disseram ter interceptado um míssil lançado em direção ao país. Segundo o Ministério do Interior, uma criança ficou ferida após a queda de destroços do projétil interceptado.
A Jordânia também informou ter interceptado três mísseis iranianos disparados contra seu território, sem registro de vítimas ou danos materiais.
Infraestruturas civis e comércio marítimo sob pressão
A destruição das pontes em Bandar Khamir tornou-se um dos principais pontos de controvérsia da nova ofensiva americana. Enquanto Washington afirma ter atingido exclusivamente objetivos militares, autoridades iranianas sustentam que a operação atingiu infraestrutura civil e provocou vítimas entre a população.
Em Omã, a agência britânica de segurança marítima UKMTO informou que uma embarcação foi atingida por um "projétil não identificado" nas proximidades do Estreito de Ormuz. O navio sofreu danos estruturais leves e seguiu viagem rumo ao próximo porto.
No Irã, autoridades confirmaram também a destruição de uma torre de vigilância no porto estratégico de Chabahar, localizado no golfo de Omã. O terminal é considerado uma importante rota comercial para o Afeganistão, país sem acesso ao mar.
A escalada militar também preocupa os mercados internacionais.Os preços do petróleo avançaram após a intensificação dos confrontos, enquanto crescem os temores sobre possíveis interrupções no transporte marítimo pelo estreito de Ormuz e pela rota do Mar Vermelho.
População iraniana enfrenta nova onda de incerteza
A retomada dos ataques também reacendeu a ansiedade entre os iranianos, após um breve período de relativa calma marcado por uma trégua frágil.
Moradores relataram à Reuters o agravamento das condições econômicas e incerteza sobre os próximos desdobramentos do conflito. Uma fotógrafa de 40 anos residente em Teerã afirmou que os preços dos produtos básicos praticamente dobraram em relação ao período anterior à guerra.
"O mais importante, neste contexto de guerra, é a economia. A cada dia nossa situação piora e fica mais difícil. O mais angustiante são essas mudanças bruscas: um dia é guerra, no outro é paz. Não sabemos o que realmente vai acontecer. Nem conseguimos planejar os próximos dois dias", afirmou.
China e Paquistão pedem retomada das negociações
Diante da escalada militar, China e Paquistão apelaram nesta sexta-feira pela retomada imediata do diálogo entre Washington e Teerã.
Segundo um comunicado do governo chinês, os chanceleres dos dois países defenderam o fim dos confrontos e a retomada das negociações. O objetivo é evitar uma nova escalada do conflito em uma das regiões mais estratégicas para o abastecimento energético mundial.
RFI com agências
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