Ucranianos perdem status especial na Polônia e temem insegurança sobre trabalho e benefícios
Nesta quinta-feira (5) chega ao fim o status especial, que desde 2022 equiparava refugiados ucranianos a cidadãos poloneses no acesso a emprego, benefícios sociais e acesso à saúde. A decisão do governo polonês, que já vinha enfraquecendo esse dispositivo especial ao longo dos últimos meses, lança milhares de ucranianos em um cenário de insegurança e dúvidas sobre seu futuro no país.
Adrien Sarlat, correspondente da RFI em Varsóvia
Os ucranianos estão prestes a voltar a ser estrangeiros como quaisquer outros na Polônia. O fim do status especial marca o retorno da obrigação de vistos e autorizações de trabalho para empregadores que desejarem contratá-los.
Uma má notícia tanto para os empregadores quanto para os próprios ucranianos, avalia Marija Jakubowicz, funcionária que lida com os trâmites administrativos de refugiados. "Os empregadores já não precisavam de recursos adicionais para contratar um ucraniano. E os ucranianos não eram mais obrigados a aceitar empregos ruins ou trabalhar para empregadores pouco escrupulosos", disse.
Perda das ajudas sociais
Ao perderem a igualdade no acesso ao emprego, os ucranianos também perderão o acesso igualitário aos benefícios sociais, já que será necessário comprovar trabalho legal para receber as ajudas financeiras. As mesmas restrições passarão a valer para a Previdência Social e para os custos de saúde.
Nadia vive com seus dois filhos graças ao auxílio por invalidez da filha de 16 anos, que tem paralisia cerebral infantil. Mesmo assim, o valor é insuficiente para cobrir eventuais cuidados médicos ou cirurgias, como a operação na perna que a jovem fez em janeiro.
"Depois de pagar o aluguel, mal me restam € 230 (cerca de R$ 1395) para viver. É claro que a ajuda precisa terminar um dia. Mas eu não tenho para onde voltar", relata a mãe de família.
Incapaz de trabalhar, ela já pensou em deixar a Polônia em busca de um país mais generoso. Caso decida ficar, ainda terá um ano para solicitar uma permissão de residência, da qual até agora os ucranianos estavam dispensados.