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Guerra no Irã: Macron manifesta 'solidariedade' a Sánchez, após ameaças comerciais dos EUA

O presidente francês, Emmanuel Macron, expressou nesta quarta-feira (4) a "solidariedade" da França ao primeiro‑ministro espanhol, Pedro Sánchez, após as recentes ameaças comerciais de Donald Trump contra a Espanha, que negou o acesso de aeronaves americanas a bases em seu território.

4 mar 2026 - 11h24
(atualizado às 11h36)
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"O presidente acaba de conversar com o primeiro‑ministro Sánchez para transmitir o apoio europeu da França diante das ameaças de coerção econômica dirigidas à Espanha", informou o Palácio do Eliseu.

Esta combinação de fotos de arquivo, criada em 4 de março de 2026, mostra o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez (à esquerda), concedendo uma coletiva de imprensa no Palácio de Moncloa, em Madri, em 15 de dezembro de 2025, e o presidente dos EUA, Donald Trump, gesticulando enquanto caminha para embarcar no helicóptero Marine One, partindo do gramado sul da Casa Branca rumo ao Texas, em Washington, D.C., em 27 de fevereiro de 2026.
Esta combinação de fotos de arquivo, criada em 4 de março de 2026, mostra o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez (à esquerda), concedendo uma coletiva de imprensa no Palácio de Moncloa, em Madri, em 15 de dezembro de 2025, e o presidente dos EUA, Donald Trump, gesticulando enquanto caminha para embarcar no helicóptero Marine One, partindo do gramado sul da Casa Branca rumo ao Texas, em Washington, D.C., em 27 de fevereiro de 2026.
Foto: AFP - THOMAS COEX,ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / RFI

Na terça‑feira, o presidente dos Estados Unidos criticou duramente o governo espanhol por impedir o uso de bases militares no sul do país pela aviação americana, no contexto da campanha militar contra o Irã iniciada no sábado.

"A Espanha agiu de forma terrível", declarou Trump, ameaçando "encerrar" as relações comerciais entre os dois países.

O impasse envolve as bases de Rota (naval) e Morón (aérea), cujo uso é regulamentado por um acordo de 1953 firmado entre Washington e Madri, ainda durante a ditadura de Francisco Franco.

Diante das declarações de Trump, a Comissão Europeia saiu em defesa da Espanha, a quarta maior economia da zona do euro, afirmando, em comunicado, estar "pronta para reagir" e "defender seus interesses".

Madri "não será cúmplice"

Em discurso nesta quarta‑feira, Pedro Sánchez afirmou que seu país "não será cúmplice" dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã "por medo de represálias de alguns", numa referência direta ao líder americano.

O premiê também criticou a falta de clareza nos objetivos militares de Washington e Tel Aviv contra Teerã, classificando como "inaceitável" o uso da "cortina de fumaça da guerra para encobrir fracassos internos".

Desde sábado, a Espanha vem pedindo a cessação das hostilidades e uma solução diplomática para o conflito, postura que contrasta com o tom mais cauteloso adotado por Paris, Londres e Berlim nos últimos dias.

Há meses, Trump intensifica ataques verbais contra Sánchez, desde que Madri rejeitou elevar seus gastos militares a 5% do PIB, conforme a nova meta defendida pela Otan.

"Não à guerra"

Dentro da Espanha, a firmeza de Sánchez é vista por alguns analistas políticos como uma tentativa de mobilizar sua base eleitoral em torno de um tema que tradicionalmente une a esquerda espanhola.

O momento político do premiê é delicado: derrotas em eleições regionais, investigações envolvendo aliados próximos e denúncias de assédio sexual dentro do Partidos Socialista Espanhol (PSOE) fragilizam o governo a um ano das próximas eleições gerais.

Nesta quarta‑feira, o líder do Partido Popular (direita), Alberto Núñez Feijóo, pediu a Trump que "respeite" a Espanha, ao mesmo tempo em que acusou Sánchez de usar a política externa para fins "partidários".

Até o jornal El País, alinhado historicamente à esquerda, alertou o premiê na edição desta manhã, antes de seu discurso, sugerindo que evitasse "a tentação de explorar a forte rejeição a Trump na sociedade espanhola para obter ganhos políticos".

O lema pacifista "Não à guerra" remete aos protestos de 2003 contra a intervenção dos EUA no Iraque, então apoiada pelo governo de direita de José María Aznar. As tropas espanholas chegaram a participar temporariamente da operação.

Meses depois, em 11 de março de 2004, ataques jihadistas em quatro trens de Madri deixaram 192 mortos. O atentado foi amplamente interpretado como represália à participação espanhola na guerra e contribuiu para a vitória eleitoral da esquerda três dias depois.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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