Reunião na Suíça debate plano de paz de Trump para a Ucrânia
Representantes ucranianos, americanos e europeus se reúnem neste domingo (23) em Genebra, na Suíça, para debater o plano de paz para a Ucrânia apresentado na última semana pelo presidente americano, Donald Trump. O texto preocupou Kiev e seus aliados por atender a várias exigências da Rússia, como a concessão de territórios ucranianos invadidos durante o conflito e a renúncia da Ucrânia de seu projeto de ingressar na Otan.
A delegação dos Estados Unidos conta com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o enviado especial para a Ucrânia, Steve Witkoff. Eles se reunirão com o chefe do gabinete presidencial ucraniano, Andriï Iermak, na presença dos conselheiros de Segurança Nacional da França, Alemanha, Itália e Reino Unido. Já o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, anunciou que conversará mais tarde, neste domingo, com Volodymyr Zelensky.
Após determinar o dia 27 de novembro como ultimato para o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, dar sua resposta sobre o plano, Trump voltou atrás na noite de sábado (22) e disse que esta não seria sua proposta final.
Rubio defende plano
O plano de paz, dividido em 28 pontos, "apresenta um quadro sólido de negociações", escreveu Rubio na rede social X. Segundo ele, o texto se baseia em elementos fornecidos por representantes russos, mas também conta com "contribuições da Ucrânia". O secretário de Estado americano também desmentiu ter declarado a senadores dos Estados Unidos que o plano não representaria o posicionamento americano, e obedeceria a "uma lista de desejos russos".
Para o presidente russo, Vladimir Putin, a iniciativa americana "poderia servir de base para uma solução pacífica definitiva" do conflito. O chefe do Kremlin se declarou pronto para uma "discussão aprofundada de todos os detalhes".
Reunidos na cúpula do G20 em Joanesburgo, 11 países, principalmente europeus, afirmaram por meio de uma declaração, no sábado, que o plano americano "exigirá um trabalho adicional". Aliados da Ucrânia temem que o projeto de Trump deixe Kiev "vulnerável a futuros ataques".
O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou para terça-feira (25) uma reunião por videoconferência dos países que apoiam a Ucrânia. Segundo ele, sem "elementos de dissuasão, os russos voltarão".
"Não há cenário em que a dignidade e a liberdade da Ucrânia sejam negociáveis", declarou à France Info a ministra francesa delegada às Forças Armadas, Alice Rufo, esperada neste domingo em Genebra. "Não pode haver uma paz duradoura sem os europeus", acrescentou
Principais pontos do plano
O plano de Trump prevê garantias de segurança equivalentes às da Otan, cujo tratado contém uma cláusula de defesa coletiva em caso de ataque. No entanto, segundo o texto, as duas regiões da bacia mineradora e industrial do Donbass, Donetsk e Lugansk (leste), assim como a península da Crimeia, anexada em 2014, seriam "reconhecidas como russas, inclusive pelos Estados Unidos". Moscou ainda receberia outros territórios ucranianos sob controle de Kiev.
A Rússia veria também seu isolamento em relação ao mundo ocidental chegar ao fim com sua reintegração ao grupo do G8 e o levantamento progressivo das sanções. Outra exigência atendida seria o o encerramento dos planos Kiev de integrar a Otan.
A Ucrânia também deveria limitar seu exército a 600 mil militares e contar apenas com a proteção de aviões de combate europeus baseados na Polônia. Já a Otan se comprometeria a não estacionar tropas na Ucrânia.
Volodymyr Zelensky se pronunciou sobre a iniciativa de Trump na sexta-feira (21). Segundo ele, o país pode enfrentar uma escolha muito difícil: "a perda da dignidade ou o risco de perder um parceiro fundamental", afirmou, referindo-se aos Estados Unidos.
Com informações da AFP