Portenho é um dos favoritos ao papado; conheça os candidatos argentinos
Os argentinos Leonardo Sandri, experiente na Cúria Romana, e Jorge Bergoglio, inimigo do governo Kirchner, estão entre os favoritos. Soma-se a eles o tegucigalpenho de Andrés Rodriguez Maradiaga
Desde o anúncio da renúncia de Bento XVI, pipocam na mídia e nas casas de aposta os nomes de seus prováveis sucessores. Seguindo esses palpites, a longa supremacia de papas europeus e a atual crise de popularidade da Igreja Católica formaram um cenário favorável para que o próximo pontíficie seja da América Latina. Entre eles estão dois nomes argentinos, um deles entre os favoritos. Trata-se do Cardeal Leonardo Sandri.
Sandri tem 69 anos, é de Buenos Aires, mas vive em Roma há muitos anos. Atualmente, ele é prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais e, em outro momento, foi substituto na Secretaria de Estado do Vaticano, sob o mandato de João Paulo II. Em uma dessas ocasiões, em que respondia pela secretaria, incumbiu-lhe fazer o anúncio do falecimento do pontífice.
Segundo informações do jornal argentino La Nación, Sandri se popularizou justamente ao ocupar, ainda que como substituto, esse cargo que é considerado estratégico, sendo o terceiro posto mais importante dentro do Vaticano, depois do papa. Sandri foi uma espécie de braço direito do influente ex-secretário de Estado e atual deão do Colégio Cardenalício, Cardeal Angelo Sodano. Em seguida foi nomeado ao posto que ocupa hoje na Igrejas Orientais criado por Bento XVI em 2007. Ex-prenúncio no México e na Venezuela, Sandri tem experiência na Cúria Romana.
Nascido no dia 18 de outubro de 1943 em Buenos Aires, seus pais tem origem italiana, mais especificamente da cidade de Ala, localizada na região de Trento. Sandri foi apontado por muitos vaticanistas italianos e americanos como “papável”. Tem a seu favor o grande conhecimento da Cúria Romana, já que vive seu dia a dia há muitos anos.“Sandri é um neto da burocracia vaticana, participa há anos da alta Cúria Romana, mas não tem trajetória obreira para justificar a escolha”, explica Poirier, diretor da publicação católica argentina Critério.
Entre as características de Sandri que diminuem seu potencial ao posto, está o conservadorismo. “Além de ser extremamente conservador, Sandri não goza da simpatia de Ratzinger”, pontua o diretor da Critério.
Outro argentino figura nas listas de apostas é Jorge Bergoglio, 77 anos. Sua idade, um pouco mais velho que seus adversários, pesa contra no momento em que a Igreja busca por um papa mais jovem. Bergoglio tem origem jesuíta e ficou conhecido por haver sido responsável na América Latina pela redação do documento sobre o segredo de Aparecida.
Bergoglio é uma figura controvertida no cenário argentino. Se destaca por sua forte personalidade e pelo afrontamento declarado a atual força política do país, o Kirchnerismo. “É um homem polêmico, declaradamente contrário ao governo. Foi por isso também que ganhou fama e é cotado como possível substituto do atual pontífice”, sentencia Poirier. Whashington Uranga, jornalista do diário argentino Página 12 afirma que "as diferenças entre Bergoglio e os Kirchner tiveram muito a ver com a forte personalidade do Cardeal e também do presidente (Néstor Kirchner)”. “Eles estiveram discutindo sobre um encontro durante meses porque nenhum dos dois queria ceder sobre quem visitaria quem”, conta.
Jorge Bergoglio é Arcebispo de Buenos Aires e já foi cogitado em 2005, quando tinha 76 anos. Agora volta a ter seu nome apontado como uma possibilidade em função das suas atuações na Argentina e também em outros países da América Latina.
Apesar do aparente favoritismo dos argentinos, Whashington Uranga, que escreve sobre os temas católicos há muitos anos e seu colega da revista Critério avaliam os nomes como pouco prováveis: “Eu, com a informação que tenho, acredito que não exista nenhuma possibilidade. Mas, na realidade, afirmar qualquer coisa em um sentido ou outro é um pouco arriscado nesse momento”, titubeia Uranga.
Já José Maria Porier opina que as probabilidades de que o novo papa venha do país hermano são muito baixas se comparadas aos favoritismo de outros latino-americanos como Dom Odilo Scherer, arcebisopo de São Paulo, e Andrés Rodríguez Maradiaga, arcebispo de Tegucigalpa, Honduras.
O hondurenho favorito
Tegucigalpenho de 70 anos, Andrés Rodriguez Maradiaga é a zebra das apostas, mas que vem com força para a disputa. O salesiano foi um dos nomes mais citados no Conclave de 2005. Maradiaga tem a seu favor a postura progressista, fator que poderia ajudar a Igreja a reconquistar sua popularidade abalada pela imagem ultraconservadora de Ratzinger.
Maradiaga é arcebispo de Tegucigalpa. Entre suas ações, coordenou campanhas pela defesa dos direitos humanos na América Latina e pela condenação da dívida externa, além de ter participado ativamente em negociações de paz com grupos dissidentes.
Sobre ele, o diretor do Escritório de Desenvolvimento da Compania de Jesus no Perú opina: “tive a oportunidade de conhecer a Madriaga. De fato, não apenas é um candidato de peso, senão que realmente encarna a essência do que deve ser um pastor em nossa Igreja.”