O cardeal Timothy Dolan, 63 anos, arcebispo de Nova York, está na lista dos mais cotados para substituir o papa Bento XVI no Vaticano. Entre os 117 cardeais que votam no Conclave, Dolan se destaca pelo bom humor: está sempre sorrindo e não perde a oportunidade de fazer piadas. Caso seja eleito, sua personalidade pode ajudar a Igreja Católica a reconstruir uma imagem danificada por escândalos sexuais e divisões internas.
Dolan segura uma camisa do New York Mets durante uma visita ao estádio da equipe de beisebol
Foto: AFP
Nesta última semana, Dolan afirmou para a mídia americana que a experiência de disputar a vaga do Papa é tão legal que até supera 'a vez que conheceu o ator Clint Eastwood'. E quando um repórter perguntou o que achava dos fiéis que têm apostado no seu nome em sites de apostas sobre o novo Papa, ele foi enfático: 'Acho mais seguro apostar no Mets'. Só que o Mets é um time de beisebol de Nova York que tem a maior fama de perdedor.
Piadas à parte, caso seja escolhido para o trono do Vaticano, o bom humor de Dolan pode ajudar a Igreja Católica a melhorar uma imagem desgastada diante dos fiéis. Há mais de duas décadas a instituição vem sendo vinculada a escândalos de abusos sexuais, e mais recentemente recebe críticas pelas disputas internas pelo poder, expostas graças ao mordomo do Papa.
Segundo o padre Eugene Hemrick, 75 anos, amigo de Dolan desde a década de 1980, a igreja precisa de um líder como ele, popular e acessível. "Quando saio para jantar com ele sempre me divirto e me sinto livre para expressar minhas opiniões", afirma. Hemrick é Pesquisador da Universidade Católica e padre na Igreja Saint Joseph, em Washington D.C.
A idade de Dolan, 63 anos, também é vista como uma vantagem na disputa papal. É possível que a igreja valorize um candidato jovem depois que João Paulo II chegou a governar incapacitado e o papa Bento XVI pediu para se afastar por problemas de saúde. "Existem muitas divisões na Igreja e nós precisamos de alguém que seja jovem e cheio de energia para lidar com isso", acredita.
Timothy Dolan conduz a missa de Quarta-Feira de Cinzas na Catedral de São Patrício, em Nova York, em 13 de fevereiro
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Ao seu favor, o Cardeal também tem a prática de liderar 2.5 milhões de católicos na sua congregação de Nova York, que dirige desde 2009. Além disso, há dois anos ocupa o cargo de Presidente da Confederação Norte-americana de Bispos. O seu trabalho e sua popularidade entre os fiéis fizeram com que, em 2012, fosse elevado a Cardeal pelo papa Bento XVI.
Primeiro papa norte-americano?
Mas o fato de Dolan ser norte-americano pode ser uma desvantagem na corrida papal. Apenas 23,9% dos americanos são católicos, enquanto 51% são protestantes, de acordo com pesquisa de 2007 do Instituto Pew. E o Vaticano já expressou diversas críticas à política internacional dos Estados Unidos, como por exemplo sobre o embargo a Cuba, durante visita do Papa à ilha em 2012.
Por outro lado, a Igreja Católica nos Estados Unidos é considerada uma das divisões mais organizadas da instituição, o que poderia ajudar numa nova fase. "Eu acho que agora a Igreja precisa de muita organização para limpar a casa, porque as pessoas criam raízes e não querem sair dos postos de poder", afirma Hemrick. Para ele, o papa Bento XVI não teve boas companhias enquanto reinou no Vaticano.
Para os Estados Unidos, um papa americano significaria novo sangue aos debates políticos entre democratas e conservadores, em temas como como aborto e casamento gay. "Um papa americano seria um incentivo para os políticos conservadores de Washington", celebra o padre, que recebe muitos deles na sua igreja, que fica há duas quadras do Capitólio.
Entre os papáveis europeus, o cardeal italiano Angelo Scola, 71 anos, é visto como o preferido do papa Bento XVI. O sinal teria sido dado em 2011, quando Joseph Ratzinger promoveu Scola para o comando da diocese de Milão, uma das mais influentes da igreja católica o cargo já alçou a papa dois arcebispos no século XX, Paulo VI e Pio XI.
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Odilo Pedro Scherer, 63 anos, indicou que, para a imprensa estrangeira, ele está entre os mais cotados para suceder o papa Bento XVI. Dom Odilo nasceu em uma família de 13 filhos, de pais descendentes de alemães radicados no interior do Rio Grande do Sul.
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O cardeal nigeriano Francis Arinze, 80 anos, é prefeito regional emérito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Também visto como um conservador em assuntos como a homossexualidade, Arinze já entrou nas apostas dos "papáveis" no Conclave de 2005, quando Bento XVI foi escolhido como papa. O clérigo nigeriano, que se converteu ao catolicismo aos nove anos, se formou doutor em Teologia em Roma, foi ordenado sacerdote em 1958 e bispo em 1965, sendo que, em 1985, João Paulo II lhe designou como cardeal.
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Jorge Bergoglio, cardeal da Argentina, tem 77 anos. Sua idade, um pouco mais velho que seus adversários, pesa contra no momento em que a Igreja busca por um papa mais jovem. Bergoglio tem origem jesuíta e ficou conhecido por haver sido responsável na América Latina pela redação do documento sobre o segredo de Aparecida.
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O cardeal Tarcisio Pietro Bertone, secretário de Estado do Vaticano, é o atual camerlengo, como se denomina o administrador de bens e direitos temporários da Santa Sé até a escolha do sucessor de Bento XVI. Bertone nasceu na cidade turinesa de Romano Canavese, em 2 de dezembro de 1934. Membro da Sociedade de São Francisco de Sales São João Bosco (salesianos), estudou no Oratório di Valdocco e no noviciado salesiano de Monte Oliveto, em Pinerolo (Itália).
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João Braz de Aviz, atual prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, mora em Roma, e será um dos cinco cardeais brasileiros que vão participar do Conclave que elegerá o sucessor do papa Bento XVI.
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O cardeal Timothy Dolan, 63 anos, arcebispo de Nova York, está na lista dos mais cotados. Entre os 117 cardeais que votam no Conclave, Dolan se destaca pelo bom humor: está sempre sorrindo e não perde a oportunidade de fazer piadas. Caso seja eleito, sua personalidade pode ajudar a Igreja Católica a reconstruir uma imagem danificada por escândalos sexuais e divisões internas.
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Aos 61 anos, o arcebispo de Budapeste, Peter Ergö, 60 anos, é um dos mais jovens cardeais do Vaticano, mas isso não o impede de defender um catolicismo mais conservador. Como presidente da Conferência Episcopal da Europa, Erdö prega que, apesar das pressões, a Igreja revitalize e dissemine os seus dogmas tradicionais.
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O cardeal dom Cláudio Hummes, de 78 anos, é um dos brasileiros com maior trânsito na burocracia vaticana. Ex-arcebispo de São Paulo, foi prefeito para a Congregação para o Clero (espécie de ministro papal) até 2011. Desde então, é membro da Pontifícia Comissão para a América Latina.
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John Onaiyekan, cardeal da Nigéria, foi ordenado em 3 de agosto de 1969. Professor de Sagrada Escritura e francês no Colégio São Kizito, Isanlu em 1969, reitor do Seminário Menor São Clemente de Lokoja, em 1971, e estudou em Roma a partir desse ano.
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O cardeal canadense Marc Ouellet já chegou a afirmar que virar Papa "seria um pesadelo", mas este defensor ferrenho da ortodoxia, que viveu muitos anos na Colômbia e comanda a Pontifícia Comissão para a América Latina, é considerado um dos favoritos para suceder Bento XVI. Ouellet, um teólogo de prestígio, de 68 anos, provocou fortes polêmicas em Quebec, a província francófona do Canadá, ao defender nos anos 2000 as posições do Vaticano contra o casamento gay e contra o aborto, inclusive nos casos de estupro, e criticar a "decadência" de uma sociedade na qual duas em cada três crianças nascem fora do matrimônio.
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Oscar Andres Rodriguez, cardeal-arcebispo de Tegucigalpa desde 8 de janeiro de 1993, recebeu a ordenação presbiteral no dia 28 de junho de 1970, pelas mãos de Dom Girolamo Prigione. Foi ordenado bispo no dia 8 de dezembro de 1978 e se tornou cardeal no consistório de 21 de fevereiro de 2001, presidido por João Paulo II, recebendo o título de Cardeal-presbítero de Santa Maria da Esperança. Apoiou o Golpe de Estado em Honduras em 28 de junho de 2009. Desde 2007 é Presidente da Cáritas Internacional, sendo reeleito em maio de 2011 para o período que se concluirá em 2015.
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O cardeal-arcebispo austríaco Christoph Schönborn, ao contrário, tem uma idade considerada ideal: 67 anos, que lhe conferem ao mesmo tempo experiência e longos anos de pontificado pela frente. A dedicação profunda aos estudos também o aproxima do atual papa, chamado de "pai intelectual" do austríaco.
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O cardeal filipino Luis Antonio Tagle, de 55 anos, o mais jovem dos cardeais cotados para suceder Bento XVI, é considerado um progressista por sua pregação por uma Igreja humilde, em um país de grande fervor religioso e de muita pobreza. Especialista do Concílio Vaticano II e teólogo brilhante formado nas Filipinas e nos Estados Unidos, Luis Antonio "Chito" Tagle tem trinta anos a menos que Bento XVI, o Papa que renunciou aos 85 anos por falta de forças.
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Peter Kodwao Appiah Turkson, cardeal de Gana, talvez o mais preparado dos papáveis africanos, foi designado arcebispo de Cape Coast em 1992 pelo papa João Paulo II, quem lhe ordenou cardeal em 2003. Turkson é um especialista na Bíblia, já que estudou as Sagradas Escrituras no Instituto Pontifício Bíblico de Roma, onde se formou em 1980 e se tornou doutor nessa mesma matéria em 1992.
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O cardeal americano Sean O'Malley, com muita fama na internet, cumpriu uma importante tarefa há dez anos ao limpar a diocese de Boston, atingida por um escândalo de padres pedófilos. Conhecido por sua simplicidade, de acordo com a pregada por sua ordem - do padre Pierre da França -, este erudito de 68 anos e língua hispânica, de óculos e barba branca, retomou em 2003 a diocese onde eclodiu o primeiro escândalo com impacto internacional sobre abusos sexuais na Igreja Católica.