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Esmoleiro do Papa dinamiza o serviço do Vaticano de ajuda aos pobres

29 nov 2013
10h35

O arcebispo polonês Konrad Krajewski, o "esmoleiro" do Papa encarregado do "serviço de primeiros socorros" do Vaticano, é a pessoa que deve colocar em prática as prioridades de Francisco por uma Igreja solidária.

Ex-cerimonialista que serviu a João Paulo II e Bento XVI, foi nomeado arcebispo da Esmolaria Apostólica em 3 de agosto, e recebeu carta branca do Papa argentino para improvisar soluções rápidas para pessoas em dificuldades, segundo explicou aos jornalistas.

Da ilha italiana de Lampedusa a um abrigo para sem-tetos perto da estação de trem de Termini, este homem de 50 anos deu mais dinâmica a um serviço que sempre funcionou, mas que agora corre a toda velocidade sob o novo pontificado.

A Esmolaria Apostólica, um departamento da Cúria Romana, presta serviços aos pobres em nome do Santo Padre e sob sua responsabilidade.

Para arrecadar fundos, a esmolaria cobra 25 euros ou mais, se possível, para fornecer todo o tipo de diplomas em pergaminho - para casamento, ordenação, festas, entre outros eventos.

No ano passado, 250.000 pergaminhos com o selo papal foram vendidos, e com a renda 6.500 pessoas receberam ajuda.

O escritório atua atualmente em um ritmo intenso de uma centena de serviços por semana.

Onze funcionários distribuem ajuda em um pequeno imóvel de tijolos que abriga a Esmoleria, que trabalha separadamente de outras obras de caridade Cor Unum, Caritas, etc...).

Dezessete calígrafos confeccionam os pergaminhos em suas casas.

Pragmatismo, eficácia. O ar é de mudança. Segundo Krajewski, os guardas suíços, "uma guarda de 120 jovens sempre disponíveis aceitaram uma nova missão: eles ajudam, voluntariamente, a realizar um serviço noturno para pessoas desajustadas" e os acompanhm até em casa.

"Nós recebemos todas as manhãs cartas em um grande envelope. Elas vêm diretamente do Santo Padre. Ele nos orienta: 'Você deve telefonar para ele. Ou você saberá o que fazer... não há critérios, as coisas nascem segundo as circunstâncias", conta.

Quando ele precisa ou deseja ver o Papa, vai diretamente à residência Santa Marta. O encontro dura cerca de 5 minutos.

Krajewski resolve os problemas o mais rápido possível, como por exemplo pagar o aluguel atrasado de uma família. Para evitar mentiras, "nós telefonamos para o padre responsável pela comunidade. É melhor ter uma carta timbrada do padre".

"Outro dia, o Papa me pediu para que eu enviasse 200 euros para uma senhora de Veneza que teve sua carteira roubada quando ia comprar seus remédios. As cartas que ele recebe geralmente são gritos de revolta", conta ele que é conhecido como "Dom Corrado", porque seu nome é muito complicado para ser memorizado.

Enviado pelo Papa a Lampedusa, Konrad Krajewski distribuiu 1.700 cartões telefônicos para que os eritreus sobreviventes o naufrágio telefonassem para suas famílias.

Muitas vezes a ajuda é espiritual. Cartas, telefonemas e visitas. Seu pequeno Fiat branco rodou muitos pelas ruas neste ano.

No início de novembro, o Papa recebeu uma carta emocionante de uma família italiana falando da perda irreparável de sua pequena Noemi, pois sofria de atrofia muscular espinal. Ele enviou Krajewski para ver a família, que foi hospedada na noite seguinte na residência Santa Marta, e para quem ele pediu para que a multidão reunida na Praça São Pedro orasse.

Frente a uma falha humana, "o Papa geralmente diz: 'por que esta vida fracassada aconteceu a ele e não comigo?'

E acrescenta: "meus braços são muito curtos. Estenderemos meus branços com os seus", em referência a "Dom Corrado".

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