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Rapper é morto a facadas por membro de partido neonazista na Grécia

O músico Pavlos Fyssas, 34 anos, era um ativista antifascimo grego

19 set 2013 - 09h09
(atualizado às 09h23)
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Pavlos Fyssas durante apresentação em 21 de junho de 2011
Pavlos Fyssas durante apresentação em 21 de junho de 2011
Foto: AP

Diversas cidades gregas registraram violentos protestos na quarta-feira após um membro do partido neonazista Aurora Dourada ser preso em conexão com a morte de um músico identificado como ativista antifascista. 

Pavlos Fyssas, 34 anos, cantor de hip hop conhecido como Killah P., morreu no hospital na madrugada de quarta-feira após ser esfaqueado na noite de terça-feira durante uma briga de bar após um jogo de futebol em Keratsini, no subúrbio de Atenas. Ele recebeu duas facadas no peito, uma delas no coração, segundo as autoridades. 

Um homem de 45 anos foi preso no local do crime e admitiu ter atacado Fyssas. O suspeito também reconheceu ser membro do partido Auroda Dourada. Uma faca com traços de sangue foi encontrada próxima ao seu carro. 

O crime contribuiu para agravar o clima de tensão social na Grécia, onde há forte oposição às medidas de austeridade exigidas nos últimos anos por credores internacionais. Uma greve geral de 48 horas, convocada antes do crime, acabou se transformando em um protesto pela morte do rapper, e novos atos públicos estão marcados para a quinta-feira à noite. Em Tessalônica, a polícia utilizou gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral para conter os manifestantes que tentaram invadir uma delegacia. 

Manifestante exibe bandeira em frente à barricada durante protesto em Atenas
Manifestante exibe bandeira em frente à barricada durante protesto em Atenas
Foto: AP

Aurora Dourada

O Aurora Dourada, terceiro partido mais popular da Grécia na atualidade, condenou o crime e negou envolvimento. O grupo afirmou ainda que aqueles que tentam acusar o partido são "mentirosos miseráveis", motivados politicamente.

O partido surgiu da obscuridade para conquistar 18 cadeiras parlamentares no ano passado, pregando contra a imigração e a corrupção. O símbolo do grupo lembra uma suástica, e seus membros fazem uma saudação com o braço estendido, como os nazistas, mas o Aurora Dourada nega ser uma agremiação neonazista. Grupos de direitos humanos há meses acusam o partido de ligação com ataques a imigrantes, mas esta é a primeira vez que o Aurora Dourada é diretamente associado a uma investigação.

Nas ruas de Atenas, o Aurora Dourada tornou-se um assunto tão onipresente quanto as medidas de austeridade. "Temo que as coisas tenham se tornado muito sérias", disse a aposentada Lydia Montesanto, de 62 anos, referindo-se à morte do rapper. "Sim, o governo destruiu nossos salários e pensões, mas chegou a hora de que todos nós expulsemos o Aurora Dourada do Parlamento e digamos à Europa que ela precisa parar a austeridade que alimenta essas coisas."

O Ta Nea, mais popular jornal grego, publicou na sua capa a imagem de uma suástica cortada por uma linha vermelha, como uma placa de trânsito, com uma manchete em letras garrafais: "Chega!".

Com informações da agência Reuters

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Fonte: Terra
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