Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

As Principais Notícias da Europa

Presidente da BBC pede desculpas por 'erro de julgamento' após edição tendenciosa do discurso de Trump

A emissora britânica BBC editou um discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para construir uma declaração bombástica, que foi veiculada num documentário exibido em outubro de 2024, uma semana antes das eleições norte-americanas. O presidente da BBC, Samir Shah, presta esclarecimentos nesta segunda-feira (10), após dois jornalistas deixarem o cargo. A direção da empresa nega ter adotado propositalmente um discurso tendencioso, mas admite ter cometido erros.

10 nov 2025 - 12h42
Compartilhar
Exibir comentários

A emissora britânica BBC editou um discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para construir uma declaração bombástica, que foi veiculada num documentário exibido em outubro de 2024, uma semana antes das eleições norte-americanas. O presidente da BBC, Samir Shah, presta esclarecimentos nesta segunda-feira (10), após dois jornalistas deixarem o cargo. A direção da empresa nega ter adotado propositalmente um discurso tendencioso, mas admite ter cometido erros. 

O documentário Panorama, da BBC, editou diferentes trechos do discurso do presidente americano de 6 de janeiro de 2021, dia do ataque ao Capitólio em Washington. O material faz parecer que Trump incitou seus apoiadores a marcharem até o Congresso para "lutar como demônios". No discurso feito naquela data, o então chefe da Casa Branca afirmou: "Vamos marchar até o Capitólio e vamos encorajar nossos bravos senadores e representantes no Congresso". O trecho "lutar como demônios" foi retirado de outra parte do discurso e adicionada posteriormente.

Dois jornalistas do alto escalão deixaram a emissora devido ao escândalo. O diretor-geral da BBC, Tim Davie, e a chefe da BBC News, Deborah Turness, anunciaram suas demissões no domingo (9). No comunicado de sua saída, Davie afirmou que a "BBC faz um bom trabalho", mas reconheceu que "erros foram cometidos e o responsável deve assumir isso".

Nesta segunda-feira (10), foi a vez de o presidente da BBC, Samir Shah, pedir desculpas em nome da emissora pública. "Reconhecemos que a forma como o discurso foi editado deu a impressão de um apelo direto à violência. A BBC deseja pedir desculpas por este erro de julgamento", escreveu o presidente do grupo audiovisual em uma carta para Caroline Dinenage, presidente da Comissão Parlamentar de Cultura, Mídia e Esporte. No texto, Shah prometeu ainda "reforçar" a supervisão das diretrizes editoriais do grupo.

Shah, deve apresentar respostas aos questionamentos da comissão que investiga o caso. Além disso, deverá responder outras acusações de parcialidade na cobertura da guerra em Gaza.

No último mês, o órgão regulador de mídia britânico repreendeu a BBC por "violar as regras de transmissão" em uma reportagem sobre Gaza. Na reportagem, o narrador principal é uma criança, filho de um alto funcionário do movimento islamista palestino Hamas.

Trump responde

Depois da avalanche de notícias de renúncia e do pedido de desculpas, Trump usou sua rede social Truth Social para denunciar "jornalistas corruptos e imorais" da BBC.

"São pessoas muito desonestas que tentaram fraudar uma eleição presidencial. E, para piorar tudo, vêm de um país estrangeiro que muitos consideram nosso principal aliado. É uma coisa terrível para a democracia!", escreveu Trump.

Em resposta à reação de Trump na rede social, Deborah Turness, agora ex-chefe da BBC News, negou veementemente que haja um viés institucional na emissora pública.

"Quero deixar claro que a BBC News não tem viés institucional. É por isso que é a fonte de notícias mais confiável do mundo", declarou Turness.

A presidente da comissão parlamentar de cultura e mídia, Caroline Dinenage, disse que a "BBC deverá responder perguntas sérias sobre diretrizes editoriais e sobre como a direção lida com problemas neste âmbito". Dinenage também afirmou que a emissora pública "deve dar o exemplo diante do aumento de desinformação".

Reações na terra do Rei Charles III

A líder da oposição, Kemi Badenoch, do Partido Conservador, lamentou a "série de falhas graves". Já Nigel Farage, líder do partido de extrema direita Reform UK, pediu "uma reforma completa e radical" na emissora pública.

A secretária de Cultura do Reino Unido, Lisa Nandy, denunciou "problemas sistêmicos no tratamento editorial da emissora pública".

Por outro lado, o líder do Partido Liberal Democrata, Ed Davey, pediu ao primeiro-ministro Keir Starmer, do Partido Trabalhista, e à classe política em geral que defendam a BBC contra Donald Trump e seus apoiadores.

"É fácil entender por que Trump quer destruir a fonte de informação número um do mundo. Não podemos permitir que ele faça isso", alertou Davey.

O jornal britânico The Telegraph obteve informações através de uma nota assinada por Michael Prescott, ex-consultor independente do comitê de diretrizes editoriais da BBC. O documento sugere que erros foram cometidos na edição. No entanto, Prescott garante que os responsáveis pelas diretrizes editoriais da BBC negam qualquer violação.

O escândalo representa um grande golpe para a BBC. Fundada em outubro de 1922, a empresa reúne dezenas de emissoras regionais. Nesses mais de 100 anos de história, a BBC produziu programas icônicos, como a entrevista exclusiva com a Princesa Diana sobre as infidelidades do Príncipe Charles, e o anúncio oficial da morte da Rainha Elizabeth II, em setembro de 2022.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade