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Macron anuncia maior revisão da doutrina nuclear francesa em 30 anos, avalia especialista

O discurso de Emmanuel Macron sobre o programa nuclear francês, apresentado nesta segunda‑feira (2), representa "a atualização mais significativa da política nuclear militar francesa em 30 anos". A avaliação é de Bruno Tertrais, vice-diretor da Fundação para a Pesquisa Estratégica (FRS), uma das instituições francesas mais respeitadas em temas de segurança global. Segundo ele, a fala do presidente marca "uma inflexão histórica", comparável às mudanças promovidas por Jacques Chirac em 1995 e 1996.

2 mar 2026 - 14h27
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Macron anunciou que a França entra agora na fase que chamou de "dissuasão avançada", um ajuste que combina continuidade doutrinária com novos elementos estratégicos para responder à conjuntura global e às expectativas de aliados europeus. Tertrais destaca dois pontos centrais da mudança: o aumento do número de ogivas nucleares e a introdução explícita do conceito de dissuasão avançada como instrumento diplomático e militar.

O especialista em geopolítica Bruno Tertrais, vice-diretor da Fundação para a Pesquisa Estratégica (FRS), uma das instituições francesas mais respeitadas em temas de segurança global.
O especialista em geopolítica Bruno Tertrais, vice-diretor da Fundação para a Pesquisa Estratégica (FRS), uma das instituições francesas mais respeitadas em temas de segurança global.
Foto: © . / RFI

Para Tertrais, o reforço do arsenal francês marca o encerramento de mais de três décadas de reduções graduais baseadas no princípio da "suficiência". "Esse ciclo começou em 1991, com a dissolução do Pacto de Varsóvia e o fim da URSS", lembra. O especialista afirma que a decisão de ampliar as capacidades atômicas dialoga tanto com a evolução das defesas de possíveis adversários quanto com a necessidade de tranquilizar parceiros europeus que, "com razão ou não, às vezes consideram o arsenal francês insuficiente para proteger a Europa".

Ele menciona ainda que Macron pode estar preparando terreno para cenários futuros, como "a possibilidade de que, um dia, mísseis franceses sejam transportados por aeronaves europeias" ou até uma maior integração entre Estados que possuem armas nucleares.

O que muda com a dissuasão avançada

Tertrais enfatiza que a inovação anunciada por Macron não altera os pilares tradicionais do modelo francês. "Isso não significa compartilhamento da decisão de uso nem da definição dos interesses vitais. A liberdade de ação da França permanece totalmente intacta", afirma. Segundo ele, a novidade está na sinalização estratégica: a abertura para implantar "elementos" das forças estratégicas em território de países aliados - ainda que Macron não tenha especificado quais capacidades, nem em quais circunstâncias.

O especialista explica que aeronaves francesas já operaram em outros países europeus antes, "mas nunca houve sinalização nuclear deliberada". Agora, trata-se de "um passo claro na direção de uma presença estratégica ampliada, útil também para reduzir a vulnerabilidade francesa pela dispersão dos seus recursos".

Ambiguidades calculadas e omissões estratégicas

O discurso de Macron foi, segundo Tertrais, cuidadosamente ambíguo: "Há indefinições sobre o tipo de recursos que poderiam ser implantados, em qual momento, e sobre o grau de flexibilidade que o presidente teria". O especialista observa também omissões notáveis, como o abandono explícito da expressão "dano inaceitável", central por cinco décadas na doutrina francesa. Outra ausência simbólica é o conceito de "centros de poder", que guiou reflexões estratégicas desde 2001.

Em seu lugar, surge uma formulação mais direta: garantir que o Estado adversário "não possa se recuperar" após um ataque francês. Macron também deixou uma referência indireta à Ásia ao afirmar que nenhum Estado, por mais "distante", estaria fora de alcance, lembrando que os mísseis franceses podem atingir China e Coreia do Norte.

Para Tertrais, Macron tenta preservar o máximo de margem de manobra: "Ele não quer se limitar a conceitos específicos". Ainda assim, afirma que as mudanças não violam nenhum dos fundamentos estabelecidos pelo general De Gaulle, e não vê risco de que sejam rejeitadas pelo próximo presidente em 2027. 

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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