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Polícia isola centro de Istambul para impedir festa do Dia do Trabalho

1 mai 2015 - 14h11
(atualizado às 14h11)
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Um contingente de 20 mil policiais isolou nesta sexta-feira o centro de Istambul para impedir as comemorações do Dia do Trabalho na emblemática praça de Taksim, realizando ataques com gás lacrimogêneo contra grupos sindicais que se manifestavam.

Uma área de cerca de 10 quilômetros quadrados no centro da cidade, que englobava as áreas de maior atividade comercial e cultural, ficou totalmente fechada por vários anéis de barreiras policiais.

O transporte público de metrô, bonde, ônibus e barco foi interrompido na região desde o começo da manhã, e as maiores avenidas foram fechadas ao trânsito.

Cerca de cinco mil pessoas inscritas em diversos sindicatos e partidos da esquerda se reuniram na frente do cordão policial em Besiktas, bairro às margens do Bósforo a cerca de dois quilômetros de distância de Taksim, mas não obtiveram permissão para se aproximar da praça.

"Estamos aqui desde o amanhecer: viemos ao bairro ontem porque sabíamos que hoje seria impossível chegar até aqui através dos cordões policiais", disse à Agência Efe uma das manifestantes, membro de uma associação de estudantes.

"Já no começo da manhã houve confrontos com a Polícia e fortes ataques com gás lacrimogêneo em vários bairros dos arredores, porque não deixavam os ativistas passar", acrescentou.

"Não deixavam passar nem a nós, que estamos identificados com coletes e carteiras, portanto tivemos que escapulir por ruas laterais", confirmou Evrim Baykondu, membro da IHD, a associação de direitos humanos mais famosa da Turquia.

Entre os reunidos estavam representantes dos maiores sindicatos de esquerda do país, assim como dirigentes do Partido Democrático dos Povos, legenda pró-curda presente no Parlamento.

As pessoas reunidas passaram a maior parte da manhã gritando palavras de ordem relacionadas com os protestos de Gezi em 2013 ou formando os círculos do 'halai', a popular dança curda, até que por volta das 11h GMT (8h de Brasília) a Polícia começou a atacar com canhões de água e gás lacrimogêneo.

Embora a avenida tenha esvaziado, a Polícia continuou jogando gás contra grupos de ativistas nas ruelas do bairro de Besiktas e fez várias detenções, como a Efe pôde presenciar.

Em entrevista coletiva, o diretor da Chefia de Polícia, Selami Altinok, informou que tinham sido feitas 203 detenções e admitiu que houve 24 feridos nos confrontos, seis deles, policiais.

Segundo a edição digital do jornal "Birgün", um jovem de 16 anos que foi atingido por uma lata de gás lacrimogêneo teve que ser levado ao departamento de neurocirurgia de um hospital.

Durante o dia, o "Hurriyet" informou também sobre o esfaqueamento de um jovem por vários desconhecidos após a concentração do Besiktas ser desfeita.

"Graças a Deus terminamos o dia sem maiores problemas", acrescentou o chefe de Polícia, assegurando que pouco depois o tráfego foi liberado para a maioria de ruas fechadas no centro, enquanto a área próxima a Taksim permaneceria isolada.

Além de Istambul, outras cidades turcas acolheram celebrações pelo Dia do trabalho, como Ancara, Esmirna, Zonguldak e Konya sem que tenham sido registrados incidentes.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, justificou em discurso o fechamento de todo o centro de Istambul, afirmando que uma grande concentração de pessoas em Taksim "paralisaria o transporte público".

"Taksim não é um local adequado para reuniões. Há muitos outros lugares em Istambul onde se pode comemorar o Primeiro de Maio", insistiu.

Mas a emblemática praça tem um significado especial para a esquerda desde os anos 70, e especialmente desde o massacre do dia 1 de maio de 1977 na qual atiradores nunca identificados atiraram contra a multidão e causaram a morte de 34 pessoas.

A ditadura militar de 1980 proibiu as manifestações na praça, veto que só foi suspenso pelo governo de Erdogan em 2009.

Nos seguintes quatro anos, várias centenas de milhares de pessoas festejaram o Primeiro de Maio em Taksim com canções e danças em um ambiente sempre pacífico, sem que se registrassem incidentes.

Mas em 2013, o governo voltou a proibir as concentrações e desde os protestos do parque Gezi, em junho daquele ano, nenhuma manifestação foi permitida na simbólica praça.

"O governo teme que o povo possa recuperar o espírito de Gezi se marchar para Taksim e que talvez volte a ocupar a praça ou o parque", opinou em entrevista à Efe um estudante ativista presente na manifestação de Besiktas.

"Querem que nos esqueçamos de Gezi", acrescentou.

A famosa praça ficou deserta o dia todo, rodeada por todos os lados por cinco ou seis fileiras de cercas metálicas, e grandes áreas dos bairros adjacentes foram também fechadas ao trânsito de pessoas, exceto policiais e jornalistas.

"Não vem ninguém comprar hoje. É que não deixam passar", disse à Efe a caixa de um pequeno supermercado de bairro, praticamente vazio, a quase um quilômetro de distância de Taksim.

EFE   
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