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Munique abre conferência de segurança sob tensão global e recorde de líderes e protestos

Começa nesta sexta-feira (13) na Alemanha a tradicional Conferência de Segurança de Munique, que ocorre todos os anos na capital da Baviera desde 1963. O encontro deste ano é superlativo em todos os aspectos: espera-se uma participação recorde de chefes e representantes de estado, além de um número inédito de manifestantes nas ruas de Munique.

13 fev 2026 - 05h48
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Gabriel Brust, correspondente da RFI em Düsseldorf

Cartaz da empresa de defesa Helsing perto do Hotel Bayerischer Hof, sede da Conferência de Segurança de Munique, em 12 de fevereiro de 2026.
Cartaz da empresa de defesa Helsing perto do Hotel Bayerischer Hof, sede da Conferência de Segurança de Munique, em 12 de fevereiro de 2026.
Foto: REUTERS - Thilo Schmuelgen / RFI

Grande parte da atenção que se volta à capital da Baviera hoje se deve à repercussão do evento no ano passado, quando o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, fez um discurso que foi considerado a ruptura da parceria transatlântica entre os americanos e a Europa. Em 2025, Vance criticou as democracias europeias e confraternizou em paralelo com líderes da Alternativa para a Alemanha (AfD), o principal partido de extrema direita do país.

Para este ano, espera-se um pouco mais de moderação na participação americana, que desta vez terá como principal representante o secretário de Estado Marco Rubio, além de uma comitiva de nada menos que 50 parlamentares de Washington, incluindo a deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortez, adversária de Trump.

Opositores do regime iraniano nas ruas

Nas ruas, espera-se um número recorde de 120.000 manifestantes. O maior dos 21 protestos agendados deve ser o dos opositores do regime iraniano. O Irã deve estar na pauta das conferências, que terão a presença de Reza Pahlavi, o filho do xá - último monarca iraniano, destituído em 1979 - e que hoje é a figura mais proeminente da oposição iraniana.

Entre os mais de 60 chefes de Estado presentes, espera-se o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, além de uma participação por videoconferência da líder da oposição venezuelana María Corina Machado. Para lidar com esta ebulição ao redor do luxuoso hotel Bayerischer Hof, onde sempre ocorre a Conferência de Segurança de Munique, a polícia alemã teve de chamar reforços, e haverá deslocamento de policiais da Áustria, Suíça, França e Holanda.

O Oriente Médio e a invasão da Ucrânia também serão discutidos, mas é a relação Europa-Estados Unidos que deve constituir a centralidade da conferência. Pesquisas mostram que a maioria dos europeus já não considera mais os Estados Unidos aliados e apoiam um reforço na defesa europeia.

Fim da parceria EUA-Europa

A tensão entre Europa e Estados Unidos fica clara na agenda do chanceler alemão, Friedrich Merz, que fará pela primeira vez o discurso de abertura da conferência. A fala deve refletir seus planos de reconstruir a defesa alemã, contando com o apoio das ruas. Segundo pesquisas, 72% dos alemães aprovam o plano do governo de dobrar os gastos com defesa nos próximos dez anos.

Merz também tem encontros particulares já agendados tanto com Marco Rubio quanto com um potencial candidato de oposição a Trump em 2028, o governador da Califórnia, Gavin Newsom. O chanceler também se encontrará com o presidente francês, Emmanuel Macron, e com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer. Em pauta, o tema central na Europa atual: como lidar com a nova ordem mundial, em que o velho continente não pode mais contar com a proteção militar dos Estados Unidos, e em que Rússia e China crescem de importância. No sábado, espera-se o discurso de Wang Yi, ministro das Relações Exteriores da China.

Extrema direita vive dilema

O constrangimento a que JD Vance submeteu às autoridades alemãs no ano passado no mínimo serviu para pressionar a organização do evento a aceitar a participação de representantes da AfD, que tinham sido banidos em 2025. Três deputados do partido de extrema direita estarão presentes, e já anunciaram encontros paralelos com representantes do governo americano, que é simpático a eles.

Mas a verdade é que a AfD vive um dilema interno: parte de seus líderes e militantes defendem esta parceria com o governo Trump, mas há uma parte mais nacionalista que é contra. De forma geral, os partidos de extrema direita europeus se dividem neste alinhamento com o governo americano: enquanto na Inglaterra, Polônia e Hungria ele é total, na Alemanha, na França e na Itália, o populismo de direita ainda é em parte refratário a Trump e mais alinhado à Rússia. Inclusive, algumas das mensagens vazadas nos arquivos Epstein mencionam uma colaboração no mínimo suspeita entre a AfD e o Reunião Nacional (Rassemblement National, de Marine Le Pen) francês.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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