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Mariupol, um porto estratégico do leste da Ucrânia

24 fev 2015
17h21
atualizado às 17h21
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Com 500.000 habitantes antes da guerra na Ucrânia, Mariupol é a maior cidade sob controle do governo ucraniano na bacia do Donbass, perto da linha de frente, e alvo potencial de uma ofensiva dos separatistas pró-russos.

Os combates prosseguem nos arredores desta cidade, desde que as forças pró-governamentais assumiram seu controle, em junho. Além disso, a Ucrânia acusa os separatistas de acumular armas pesadas nas imediações de Mariupol para um ataque.

Estes são os fatores que explicam a sua importância:

Situada a 55 km da fronteira russa e a 85 km do reduto separatista de Donetsk, Mariupol é a maior cidade nas mãos de Kiev, na bacia do Donbass, formada pelas regiões de Donetsk e Lugansk, controladas em parte pelos separatistas.

Em junho, as forças ucranianas tomaram o porto das mãos dos rebeldes, que querem recuperá-lo.

Em setembro, os rebeldes - apoiados por tropas e armas russas, segundo a Ucrânia e o Ocidente - chegaram aos subúrbios da cidade, mas lançaram uma ofensiva maciça.

Desde então, os enfrentamentos continuam, sobretudo nas aldeias vizinhas.

Em janeiro, um bombardeio, lançado de uma região sob controle rebelde, atingiu Mariupol, segundo a OSCE, matando 31 civis e provocando um aumento das sanções europeias contra a Rússia.

Atualmente, a Ucrânia acusa as forças pró-russas de concentrar tropas e armas perto desta cidade e, sobretudo, em Novoazovsk, situada perto da fronteira russa e a 30 km de Mariupol.

A cidade abriga duas grandes empresas siderúrgicas, controladas pelo homem mais rico da Ucrânia, Rinat Ajmetov, originário de Donetsk.

As fábricas Azovstal e Illich empregam dezenas de milhares de pessoas.

A tomada de Mariupol permitiria aos rebeldes ter acesso a um importante porto no mar de Azov, o que os ajudaria a garantir a viabilidade das repúblicas populares de Donetsk e Lugansk, que autoproclamaram no leste.

Mariupol fica a 300 km da Crimeia e, para criar um vínculo terrestre com esta península anexada em março passado por Moscou, os separatistas ainda deveriam tomar outros territórios que nunca estiveram sob seu controle.

Mas, ocupando Mariupol, se aproximariam de uma eventual ponte terrestre entre a fronteira russa e a Crimeia.

A construção de uma ponte entre a Rússia e a Crimeia foi prevista pelo governo russo dentro de três anos.

Uma ofensiva contra Mariupol representaria uma escalada da tensão no leste da Ucrânia.

Segundo o especialista militar independente russo Pavel Felgenhauer, a batalha pelo controle da cidade seria uma das mais sangrentas e das mais longas desde o começo da guerra.

"Não é Debaltseve. Em caso de ofensiva, o número de mortos será maior", avaliou Felgenhauer. "É uma cidade grande e para tomá-la, não bastarão as forças rebeldes. Faltam tropas regulares russas e em grande quantidade" e também a aviação para uma vitória rápida, explicou.

Além disso, poria em risco o processo de paz retomado em fevereiro com os acordos de Minsk 2, que já foram violados com a tomada da cidade de Debaltseve pelos rebeldes.

Os países ocidentais ameaçaram a Rússia com novas sanções se continuarem os combates no leste do país.

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